O Ponto do Conto - João Olivir Camargo
Sabedoria dos mais velhos

Os fatos narrados semanalmente nesta coluna não são coisas inventadas, mas vividas ou testemunhadas pelo escriba ao longo de mais de meio século de existência. Nos anos sessenta tinha iniciado um namoro com a Joana que até hoje está ao meu lado. À época, junto com o mano José Itamir ocupamos uma casa que havia sido moradia de um casal de primos e dela fizemos nosso local de dormir, já que tinha dois quartos e banheiro e ficava próximo à empresa onde ambos trabalhávamos. Numa tarde de sábado, após um bom banho, roupa trocada e calçado com chinelas “dedeiras” como se dizia então, saía para ir à casa da namorada quando uma aranha armadeira, peçonhenta e extremamente dolorida picou-me o dedo do pé. Nos minutos seguintes a dor da picada é suportável, mas com o passar do tempo vai aumentando chegando ao ponto de se tornar insuportável mesmo para um adulto jovem e saudável. Algumas horas depois, na casa da então namorada a dor era tanta que pedi algo que pudesse aliviá-la. Seu João Procópio (in-memorian) que acabou meu sogro trouxe um vidrinho com gasolina que ele sempre tinha para molhar o isqueiro de acender o fogo e os palheiros que fumava e passou bastante no local da picada. Horas depois não sentia nenhuma dor. Tempos depois, já casado, desmanchava um velho galinheiro coberto com lâminas e ao carregar um feixe daquelas finas madeiras, senti algo a picar-me o braço. Lancei longe aquelas lâminas e vi com suas pinças presas no meu braço outra aranha armadeira. Felizmente, visualizei um caminhão da madeireira no pátio de toras, pois o motorista e o ajudante tinham ido almoçar. Fui até o veículo que era movido a gasolina, abri uma torneirinha que havia  junto ao tanque e lavei o braço à vontade. Trabalhei o resto do dia sem nenhuma dor. Não estou tentando ensinar nada a ninguém, até porque a gasolina de meio século atrás devia ser mais pura, sem os aditivos de hoje. E também porque, todas as cidades grandes ou pequenas, vilas e povoados têm seus Postos de Saúde e suas UPAs – Unidades de Pronto Atendimento, profissionais qualificados e boas farmácias. O objetivo da coluna é destacar fatos vividos e a sabedoria popular.   

 

SABE QUEM PAGA PELO BELO SORRISO DE SUAS EXCELÊNCIAS?

"A Câmara dos Deputados reembolsou o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) em R$ 157 mil por um tratamento odontológico. De acordo com o Estado de S. Paulo, o parlamentar disse que sofria de dores crônicas, precisava corrigir um problema de articulação na mandíbula e melhorar o sorriso com implantes e coroas. O reembolso foi negado em abril, após ser rejeitado pela equipe técnica por inconsistência nos valores apresentados e os estabelecidos pela Casa. Mas Feliciano recorreu da decisão e a Mesa Diretora aprovou a devolução do valor.

O colunista sabe que o fato é uma gota d’água num oceano de ilícitos. pergunta: Será que os POBRES, eu quis dizer NOBRES parlamentares ganham tão pouco que é preciso o povo brasileiro, entre os quais muitos subnutridos e desdentados pagar pelas suas mordomias?