Terça-feira, 7 de setembro de 2010
Opiniões e Editorial

Nove anos na escola

Qualquer mudança de forma geral encontra muita resistência para ser implantada. Na educação não poderia ser diferente. Então vejamos: desde 2006 todo mundo sabe que 2010 seria o prazo final para implantar no país a nova forma de ensino com duração de nove anos. Desde o dia 1º de janeiro todas as escolas brasileiras são obrigadas a oferecer o ensino fundamental com nove anos de duração. Na prática, o que aconteceu foi a antecipação da obrigatoriedade. Agora toda criança com seis anos deve frequentar a escola, ao invés de sete como era antes.
Na justificativa da Lei nº 11274, que regulamenta o ensino fundamental de nove anos, o objetivo é assegurar a todas as crianças um tempo maior de convívio escolar, maiores oportunidades de aprender e, com isso, uma aprendizagem com mais qualidade. Seria cômico se não fosse trágico, há quantos anos nossas crianças vão à escola? Se contar desde o maternal, passando pela pré-escola , até concluir o ensino fundamental, seriam 12 anos de sala de aula, no mínimo.
Enfim na prática não muda nada porque as escolas terão que elaborar uma nova estrutura e organização por que não poderão antecipar conteúdos. A recomendação do ministério mais uma vez demonstra o desconhecimento do que acontece nas salas de aula hoje. A sugestão que incluam jogos, danças, contos e brincadeiras espontâneas, que sejam usados como instrumento pedagógico. É claro que muitas vezes as Leis são criadas de cima para baixo e seus procedimentos, impostos por pessoas que não tem ideia de como funciona o cotidiano dos envolvidos. Entendemos que não se trata de uma mudança simples que possa acontecer sem estudos e uma boa gestão com diretrizes claras para quando ela acontecer esteja tudo bem esclarecida.
Nessa questão não parece que foi o que aconteceu. Na maioria das escolas existe mais dúvidas do que certezas, principalmente no quesito de funcionalidade. Para onde vai o aluno da quarta série que está matriculado na metodologia antiga de oito anos caso ele reprove, uma vez que não seria oferecida no próximo ano?


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