Qualquer mudança de forma geral encontra muita resistência para ser
implantada. Na educação não poderia ser diferente. Então vejamos: desde
2006 todo mundo sabe que 2010 seria o prazo final para implantar no país a
nova forma de ensino com duração de nove anos. Desde o dia 1º de janeiro
todas as escolas brasileiras são obrigadas a oferecer o ensino fundamental
com nove anos de duração. Na prática, o que aconteceu foi a antecipação da
obrigatoriedade. Agora toda criança com seis anos deve frequentar a escola,
ao invés de sete como era antes.
Na justificativa da Lei nº 11274, que regulamenta o ensino fundamental de
nove anos, o objetivo é assegurar a todas as crianças um tempo maior de
convívio escolar, maiores oportunidades de aprender e, com isso, uma
aprendizagem com mais qualidade. Seria cômico se não fosse trágico, há
quantos anos nossas crianças vão à escola? Se contar desde o maternal,
passando pela pré-escola , até concluir o ensino fundamental, seriam 12
anos de sala de aula, no mínimo.
Enfim na prática não muda nada porque as escolas terão que elaborar uma
nova estrutura e organização por que não poderão antecipar conteúdos. A
recomendação do ministério mais uma vez demonstra o desconhecimento do que
acontece nas salas de aula hoje. A sugestão que incluam jogos, danças,
contos e brincadeiras espontâneas, que sejam usados como instrumento
pedagógico. É claro que muitas vezes as Leis são criadas de cima para baixo
e seus procedimentos, impostos por pessoas que não tem ideia de como
funciona o cotidiano dos envolvidos. Entendemos que não se trata de uma
mudança simples que possa acontecer sem estudos e uma boa gestão com
diretrizes claras para quando ela acontecer esteja tudo bem esclarecida.
Nessa questão não parece que foi o que aconteceu. Na maioria das escolas
existe mais dúvidas do que certezas, principalmente no quesito de
funcionalidade. Para onde vai o aluno da quarta série que está matriculado
na metodologia antiga de oito anos caso ele reprove, uma vez que não seria
oferecida no próximo ano?