Educar meninos

Novamente o feminicídio se destaca nos noticiários da região. Desta vez, em Laranjeiras do Sul, uma jovem de 29 anos perdeu a vida por conta da misoginia endêmica e assassina que assola o país. As penas aumentaram, a responsabilização e os processos de afastamento também. Mas parece que esses dispositivos não afetam homens que simplesmente não se importam com as consequências de seus atos, o ódio às mulheres está acima do sistema penal. Penso, como homem e professor, que ações mais efetivas devem ser tomadas na educação dos meninos. Negar a dessensibilização masculina como fator preponderante para o aumento da violência de gênero é como fechar os olhos para a infinidade de preconceitos que são construídos continuamente através de piadas e comportamentos excludentes. Não raro meninos são estigmatizados por chorar, por serem amigos de meninas, por se interessarem pelo preparo dos alimentos ou mesmo por cuidados com a própria aparência. Como desejar que tenhamos uma sociedade mais segura para as mulheres se educamos os meninos para serem insensíveis, violentos e, enfaticamente, misóginos? A educação sexual nas escolas não pode mais ser assunto para debates vazios com uma extrema direita acéfala e cega para problemas sociais que afetam diretamente a vida das famílias. Meninos e meninas precisam estar cientes das violências a que podem estar expostos em casa, alertados e educados sobre gravidez precoce e doenças venéreas e, obviamente, sobre a importância de entender a diversidade de gênero como parte inerente ao convívio social. Talvez seja a hora de pensarmos seriamente uma educação mais voltada para sensibilidade, para as artes, a criatividade e o diálogo e menos para concepções canhestras de empreendedorismo autoajuda. Por mais homens capazes de trocar uma fralda e menos red pills.