Muitas pessoas entram no matrimonio procurando um refúgio para evitar a solidão, sem perceber que não existe isolamento mais destrutivo do que estar com a pessoa errada na mesma habitação, no mesmo lar. O filósofo Arthur Schopenhauer afirmava que o matrimônio é uma armadilha desenhada pela biologia para roubar das pessoas o bem maior que o ser humano possui, a sua liberdade. Algumas acreditam que o casamento é o passo lógico para alcançar a plenitude, porém Schopenhauer deixou uma advertência: casar significa duplicar as suas obrigações e reduzir pela metade os seus direitos, para o filósofo o amor não é uma união de almas, senão um reflexo biológico, um engano do instinto que nos deixa cegos para assim perpetuar a continuidade da espécie compremetendo a paz individual.
Instinto x razão
Por que sentimos essa urgência quase desesperada de nos unir-mos a alguém? Schopenhauer explicava através da vontade da espécie, o matrimonio seria como uma gaiola de pássaros, quem está dentro quer sair e quem está fora quer entrar, essa desesperação para entrar é o grande truque da natureza, nos faz acreditar que uma pessoa é única e necessária para nuestra existência, todavia Schopenhauer afirmava que uma vez que o sentido biológico se cumpre o encanto e o feitiço desaparecem de repente entrando em cena a monotonia. Para Schopenhauer, o homem que sacrifica a sua liberdade por um impulso passageiro é como aquela pessoa que queima a madeira da fundação da sua casa para aquecer o corpo por causa de uma só noite de inverno, a emoção do suposto amor eterno é um sentimento efêmero e transitório, o matrimônio do outro lado geralmente é o cemitério da individualidade porque lhe obriga a se transformar num companheiro (a) antes que um ser livre.
A metáfora dos porcos espinhos
Schopenhauer usa a brilhante metáfora dos porcos espinhos, que num dia gelado ficam amontoados para se aquecerem e não morrerem de frio, porém tem que aguentar o sofrimento das espetadas dos espinhos, nesse sentido o casamento é o intento social de mantener duas pessoas grudadas ignorando que o contato constante gera feridas, o matrimônio é um compromisso legal que te amarra às manias e defeitos de outra pessoa durante décadas. Com o tempo, ouvir da pessoa as mesmas queixas, mata a admiração ficando somente um pacto de tolerância mútua que Schopenhauer considerava algo indigno para uma mente que aspira grandeza, é o tédio convertido em estilo de vida. O matrimônio talvez seja a decisão mais complexa que um ser humano decide escolher para viver o resto dos seus dias. Algumas pessoas acharão esta reflexão pessimista outras já acharão realista e estão passando exatamente por tudo isso sem a coragem suficiente de dizer: pra mim chega.
A minha caneta anotou
A 28ª edição do Canta Candói e a 1ª edição da competição em nivel regional. Começa nesta sexta feira dia 22/05 e vai ate domingo dia 24/05/ 2026/ no pavilhão da Igreja matriz santa Clara. Parabéns à organizadora principal a prof. Lu Gonçalves e toda a a sua equipe e muito obrigado pelo convite como jurado mais uma vez pelo segundo ano consecutivo.



