O filme mais caro do cinema brasileiro
Em 2024, a polêmica sobre o filme Ainda Estou Aqui, do cineasta Walter Salles e protagonizado por Fernanda Torres, ocupou os noticiários e as redes sociais. Muita gente alinhada à extrema-direita via o filme como uma afronta ao apagamento dos horrores da ditadura militar que queriam perpetrar. O filme ganhou o inédito Óscar para cinema brasileiro, além de numerosos prêmios nos mais importantes festivais do mundo, e teve uma das maiores bilheterias do cinema nacional. O filme custou R$ 45 milhões, a arrecadação global em bilheteria (apenas ingressos de cinema) foi de mais de R$ 200 milhões. O filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente preso por tentativa de golpe e negacionista de vacinas, recebeu em financiamento direto, sem intermediações de leis de incentivo e a consequente regulação e fiscalização da Ancine e Ministério da Cultura, R$ 61 milhões do banqueiro preso por fraude bilionária, Daniel Vorcaro. A produtora do filme, a Go Up Entertainment, nunca lançou um filme. O roteiro do filme, escrito pelo deputado federal Mario Frias (PL), que fez uma gestão desastrosa na Secretaria Especial da Cultura no governo anterior, quando o Ministério da Cultura foi extinto, vem sendo alvo de piadas pela superficialidade, nonsense e profundo amadorismo. As ligações do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, também do PL, flagrado pedindo dinheiro em ligações com o banqueiro preso, é um escândalo. O filme mais caro já produzido no Brasil, ainda não finalizado, nunca passou por auditorias ou fiscalização. Há gente, ligada à extrema-direita, obviamente, que acha que está tudo bem, que foi um mal-entendido. Antes mesmo da estreia, o filme já revela a aberração jurídica e artística que permeia sua própria produção.



