A Solidão no Poder: O Peso do Comando e as Redes de Apoio que Fortalecem Grandes Líderes
Dernizo Pagnoncelli é economista (UFF), criador do Conselho de Presidentes e referência em Planejamento Estratégico e Governança. Conselheiro IBGC e autor de 12 livros, atendeu centenas de empresas públicas e privadas
O topo do organograma corporativo costuma ser associado ao sucesso, prestígio e influência. No entanto, por trás das portas fechadas das salas da presidência, esconde-se um fenômeno silencioso que afeta diretamente o desempenho das organizações: a solidão do poder. Estudos recentes publicados pela renomada Harvard Business Review lançaram luz sobre esse isolamento crônico, apontando que a sensação de desamparo emocional e estratégico pode impactar negativamente tanto as tomadas de decisão cruciais quanto a saúde mental dos executivos.
Mesmo inseridos em rotinas hiperconectadas, repletas de reuniões, viagens e cobranças, muitos presidentes enfrentam uma barreira para dialogar abertamente sobre suas vulnerabilidades com suas próprias equipes, conselhos de administração ou acionistas. Diante desse cenário desafiador, fóruns fechados de discussão, mentorias e encontros informais têm surgido como válvulas de escape e ferramentas de sobrevivência para CEOs que buscam amparo qualificado.
No sul do país, uma iniciativa tem se destacado ao transformar esse deserto de isolamento em um ecossistema de cooperação mútua. Idealizado pelo consultor de empresas e economista Dernizo Pagnoncelli, o Conselho de Presidentes nasceu justamente da necessidade latente de criar um ambiente seguro, onde os líderes pudessem desarmar suas defesas e debater dilemas profundos sem o peso de máscaras sociais ou o receio de interesses ocultos.
Com uma trajetória consolidada no planejamento estratégico de gigantes dos setores público e privado, Pagnoncelli compreendeu cedo que a alta liderança demandava um porto seguro.
“Mesmo rodeado por uma equipe competente, o peso das decisões recai sobre os ombros do presidente, algo que poucos conseguem realmente compreender. Foi exatamente por reconhecer essa solidão e a necessidade de aprender com quem vive os mesmos desafios que criei o Conselho de Presidentes”, explica o economista.
Segundo o idealizador, o ecossistema baseia-se na premissa de que a dor de um líder pode ser mitigada pela vivência do outro.
“Nesse espaço, empresários se reúnem com confidencialidade, liberdade e profundidade para trocar experiências, discutir dilemas reais e se manter atualizados com o que realmente importa. Ele se tornou um ambiente de confiança, onde a experiência de um vira aprendizado para todos. Quanto mais compartilhamos experiências, mais aprendemos e crescemos. Acredito que a liderança forte se constrói na troca e na reflexão conjunta. E esse conselho tem sido fundamental nesse processo”, afirma Pagnoncelli.
Os encontros, realizados mensalmente, funcionam como um termômetro das grandes transformações globais e locais. O grupo promove debates de alto nível técnico e estratégico. Entre os temas debatidos recentemente figuram os impactos e as possibilidades reais da inteligência artificial nas corporações, as perspectivas de investidores internacionais sobre o cenário macroeconômico brasileiro, a gestão contemporânea de pessoas, os desafios da reforma tributária e as melhores práticas de governança corporativa.
Para elevar o nível das discussões, as sessões contam com a presença de autoridades e especialistas de peso. O fórum já recebeu nomes proeminentes como o empresário Bruno Perini (sócio da Nello Investimentos), o especialista em IA Rafael Paloni, o autor Daniel Martinely (“Líder em Transformação”), o ex-governador do RS Germano Rigotto, o ex-ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira, além dos analistas e políticos Ricardo Geromel, Bernardo Appy (secretário extraordinário da reforma tributária), o senador Luiz Carlos Heinze e o deputado Marcel Van Hatten.
A sustentabilidade do grupo, que já perdura por 15 anos, prova que a prática da escuta ativa, da empatia e da confiança mútua é uma estratégia de negócios eficiente e deixa uma lição valiosa para o mercado atual: o futuro dos negócios exige um novo modelo de liderança. Trata-se de uma gestão menos isolada, mais consciente e fortemente apoiada em comunidades legítimas, onde o topo da pirâmide deixa de ser sinônimo de solidão para se tornar um espaço de evolução compartilhada.



