No último sábado à tarde, enquanto descansava em casa, um vento diferente começou a soprar pelas ruas da minha cidade, não sei explicar o motivo, mas de repente fui levado de volta à casa onde cresci. Fechei os olhos e tudo voltou a existir como se o tempo tivesse desistido de passar, ouvi, com uma nitidez impressionante a voz da minha mãe dizendo ao meu pai para não esquecer a hora do leiteiro, que passava todos os dias às três da tarde, dirigindo sua velha caminhonete azul. Logo depois, vi minha mãe sentada perto da janela da sala, rezando calmamente o terço diante da imagem do Sagrado Coração de Jesus, pendurada naquela parede azul que parecia proteger toda a casa.
Tudo era como antes
Já era noite quando senti novamente o aroma do risoto preparado pelo meu pai, um sabor que jamais encontrei em lugar nenhum. Vi os dois sentados naquela velha mesa de madeira, conversando baixinho, então minha mãe olhou para mim e perguntou, como fazia tantas vezes: “Filho, já experimentou a comida que o seu pai fez?” Ela serviu meu prato mais uma vez, e por alguns instantes, tudo tinha exatamente o mesmo gosto da infância. Perto das dez da noite, minha mãe fez sua última oração do dia, benzeu-se e deitou ao lado do meu pai, a noite era fria. Caminhei devagar até o quarto, puxei aquele velho cobertor que ela sempre colocava sobre os pés para aquecê-los e cobri os dois com todo o carinho que um filho pode oferecer.
A despedida
Beijei a testa da minha mãe, depois a do meu pai, permaneci em silêncio por alguns segundos, como quem não queria que aquele momento acabasse. Então sussurrei quase sem voz: “Mãe… Pai… outra hora eu volto, eu amo vocês.” E, lentamente, fui desaparecendo junto com aquela casa, engolido pelas brumas das minhas próprias lembranças. Talvez o verdadeiro lar nunca seja apenas um lugar, ele continua existindo dentro de nós, enquanto houver uma lembrança capaz de nos fazer sentir novamente o cheiro da comida, o som de uma voz e o calor de um abraço que o tempo levou, mas que o amor se recusou a esquecer. Porque os pais um dia partem desta vida… mas nunca deixam completamente o coração de um filho.
A MINHA CANETA ANOTOU
Acontece a partir desta sexta-feira dia 24/07/ o 12º Sant’Ana Fest e o 5º Canta Cantu, será no pavilhão da igeja Matriz com copa completa todas as noites. Na sexta-feira categoria local, sábado categoria sertaneja regional e local e no domingo à tarde finalíssima de todas as categorias. Parabéns ao organizador principal o radialista Adilson Nogueira, o evento se transformou em um sucesso em nível regional.



