Aparentemente, em algum momento recebemos uma obrigação que ninguém lembra de ter assinado: precisamos ter uma opinião sobre tudo.
Acontece alguma coisa no mundo e, cinco minutos depois, já há gente que não sabia da existência do assunto às oito da manhã explicando, às oito e quinze, quem está errado e como resolver o problema. É uma capacidade impressionante.
Mas isso não acontece apenas com grandes assuntos. Alguém conta uma história e rapidamente decidimos quem foi o culpado. Conhecemos uma pessoa e já fazemos uma leitura sobre ela. Ouvimos uma frase fora de contexto e nossa cabeça, muito prestativa, providencia o restante.
A mente não gosta muito de espaços vazios. Quando faltam informações, frequentemente prefere completar a história a permanecer diante de um incômodo “não sei”. Afinal, uma conclusão dá sensação de controle. “Não sei por que fulano fez isso” deixa a questão aberta. “Fez porque é invejoso” resolve tudo rapidamente.
Só existe um pequeno problema: uma explicação que organiza nossa cabeça não se transforma, por isso, em realidade.
Isso aparece o tempo inteiro nas relações. A pessoa não respondeu. Pronto: está magoada. Não cumprimentou como esperávamos: certamente tem algo contra nós. Em poucos minutos, a mente já abriu investigação, ouviu testemunhas e publicou a sentença.
Só faltou consultar o acusado.
Talvez valha então adquirir um hábito simples: quando perceber que chegou muito rápido a uma conclusão, perguntar: “Eu realmente sei disso ou estou completando o que não sei?”
Suspender uma conclusão não significa falta de discernimento. Às vezes significa justamente que ele está funcionando. Compreender exige observar antes de concluir, escutar antes de responder e aceitar que talvez ainda faltem informações.
Nem toda pergunta precisa de resposta imediata, nem todo acontecimento exige uma opinião e nem toda impressão merece virar certeza. Talvez uma mente aberta não seja aquela que acredita em tudo, mas aquela que consegue deixar uma porta aberta enquanto ainda não sabe.
Porque entre “eu não sei” e “tenho certeza” existe um espaço enorme. E muita coisa verdadeira só aparece quando não corremos para preenchê-lo.



