Imaginemos se a cada vez que a ansiedade nos atingisse pudéssemos dissolvê-la magicamente ou através de algum gesto. Que admirável mundo novo teríamos.
No livro O Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley nos presenteia com a visão de um mundo distópico onde a droga sintética da felicidade chamada soma é usada diariamente pelos cidadãos do Estado Mundial. Essa droga elimina tristezas e conflitos sem causar ressaca, servindo como ferramenta de controle social e estabilidade política.
Atualmente temos o soma metamorfoseado nas telas de nossos celulares. Ao mínimo sinal de tédio abrimos nosso aparelho em busca de um novo feed, estimulando nosso cérebro por termos baixa tolerância ao tédio. Perdemos a capacidade de estarmos sós com nossos pensamentos e acabamos conectados com outras pessoas que estão tão sós em meio a hiperconectividade quanto nós mesmos.
Podemos parafrasear a frase do livro “meio grama para um descanso de meio dia…” para “meio feed é bastante para meio anestesiamento social”. Com isso entendemos que a leitura desenfreada e acrítica das postagens nas mídias pode levar as pessoas a terem menos desejo de se engajarem em mudanças estruturais sociais por estarem hiperconectadas e distraídas por algoritmos onde o entretenimento é a tônica.
O celular é nosso atual soma, nossa droga digital. As redes nos “afogam” num oceano de irrelevância e distrações superficiais. Na Netflix há um documentário chamado “O Dilema das Redes”. Ele aborda como as redes sociais induzem ao vício, manipulam comportamentos e lucram com a atenção dos usuários por meio de algoritmos.
Os algoritmos personalizam o que constantemente buscamos. Com isso confirmamos o que pensamos ser o certo e nos anestesiamos emocionalmente induzindo-nos à rolagem infinita do feed.
Sejamos críticos onde investimos nosso tempo. Pois, assim como no livro A Beira do Fim (Soylent Green), não venhamos a descobrir que estamos nos transformando em mercadoria nas mãos do algoritmo.
Jure et facto.



