Quando as telas ocupam o lugar de brincar na infância

Isabel Castilho Palhano, Doutora em Educação UEPG, Professora no Curso de Formação de Docentes do Colégio Herdeiros e no Curso de Pedagogia da Unicentro.

Atualmente vivemos cada vez mais conectados. Por meio de diversos meios, celulares, computadores, entre outros, que fazem parte da vida diária das crianças e adolescentes, dos quais contribui ao acesso a informação e a comunicação. Porém, o uso destas telas de forma excessiva, que levam a substituição das atividades essenciais para o desenvolvimento físico e mental, nos faz refletir seus impactos para o futuro.

Pensar na infância e na adolescência remete lembrar que é tempo de brincar, movimentar-se, conversar, conviver socialmente. Mas Desmurget 2021, nos alerta que aproximadamente 25% do tempo das crianças e 45% dos adolescentes são destinados para entretenimento em telas. Isto pode causar alteração na rotina, nas atividades físicas e no sono. Afetando o desenvolvimento físico e cognitivo. Para além disso, o acesso à conteúdos superficiais e curtos com estímulos acelerados e sucessivos, tem levados os mesmos à não ter mais a paciência à raciocínios e reflexões profundas para o entendimento crítico. Com isso, comprometendo à concentração como por exemplo, à realização das tarefas escolares. Estudos científicos alertam que a velocidade das conexões neuronais do nosso cérebro não acompanha a velocidade das informações via tecnologia, isso vem causando um alto índice de ansiedade nas nossas crianças e adolescentes, levando ao adoecimento.

Outra dimensão que vem sendo afetada é a questão socio emocional, por mais que estes meios tecnológicos permitam interações, porém priva-se do convívio físico social. Pois não aprendem a dialogar, lidar com conflitos, resolver situações problemas em grupo, deixando-os frágeis emocionalmente, na primeira dificuldade, parece que o mundo vai acabar. Ou seja, vão desenvolvendo a cultura de resolver-se tudo por meio de um clique, porém o mundo físico tem seus desafios que são complexos e cruéis. Muitas vezes podem levá-los ao desespero contribuindo até mesmo à atentar contra a vida.

Devemos proibir o uso das telas pelas crianças e adolescentes? É possível fazer isso, diante da realidade contemporânea tecnológica? Pensamos ser um desafio. No entanto, cabe às famílias e às instituições escolares orientar crianças e jovens, no intuito, de reduzir o tempo do uso, das telas, e quando usar direcionar o acesso consciente e responsável.

Portanto, ao refletir quanto tempo uma criança ou adolescente está em frente uma tela, problematize o que está deixando de fazer, de brincar, movimentar-se, conviver, ler e escrever, levando ao comprometendo seu desenvolvimento psicomotor. Preservar este tempo precioso da vida das gerações que nos sucede é garantir um futuro da nossa sociedade mais saudável.