Tem dias em que eu acordo e penso: hoje vai ser diferente. Vou manter a calma, respirar fundo, não vou me irritar com qualquer coisa, vou pensar antes de responder. Bonito, né? O problema é que minhas emoções não receberam esse combinado. Basta alguma coisa sair um pouquinho do lugar que pronto: lá vem ela, a emoção, correndo feito criança quando ouve que tem bolo. E eu fico tentando entender quem está no comando. Às vezes é a ansiedade. Às vezes é a raiva. Tem dia que é a tristeza, que chega sem bater na porta e ainda fica querendo morar.
O mais engraçado é que, na minha cabeça, eu sei exatamente o que deveria fazer. Respirar. Esperar. Não tirar conclusões precipitadas. Só que, na prática, meu cérebro parece ter um grupo de WhatsApp onde todo mundo fala ao mesmo tempo e ninguém administra. Na terapia, venho percebendo que minhas emoções não são minhas inimigas. Elas estão tentando me dizer alguma coisa. O problema é que algumas têm uma maneira bem exagerada de dar o recado. A ansiedade, por exemplo, não manda um simples “olha, talvez você devesse se preocupar com isso”. Ela prefere: “ACORDA! TEMOS 47 PROBLEMAS E VOCÊ VAI RESOLVER TODOS AGORA!”
E eu vou. Ou pelo menos tento.
Tenho aprendido que sentir demais não significa necessariamente estar errado. Também não preciso acreditar em tudo que sinto. Posso sentir raiva sem precisar explodir. Posso sentir medo sem fugir. Posso estar triste sem achar que minha vida inteira virou uma tragédia grega.Talvez o grande aprendizado seja esse: eu não preciso controlar todas as minhas emoções. Preciso aprender a conversar com elas.
Ainda estou aprendendo. Algumas conversas, inclusive, são bem difíceis. Mas já percebo que, quando paro de brigar comigo mesma e começo a me escutar, as coisas ficam um pouco mais leves.No fim das contas, eu e minhas emoções descontroladas ainda estamos tentando fazer as pazes. E, pelo jeito, essa terapia vai render assunto por bastante tempo. Pelo menos agora eu sei: sentir é humano. Perder a cabeça de vez em quando também. O importante é não deixar a emoção pegar o volante e ainda achar que ela sabe o caminho.
P.S. ficou parecendo um desabafo… acho que estava precisando. kkkk
Te espero na terapia.
Nezia Santos – Psicóloga
CRP:08-31716.



