“Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta” – Jesus. (Mateus 6:26)
Interpretadas à letra, tais palavras negam previdência, trabalho e progresso. Com esse princípio, o homem limitar-se-ia à passividade, à inatividade. Nesta condição, jamais teria saído do estado primitivo; se a adotasse hoje, viveria sem agir. Esta interpretação contradiz Jesus em suas demais palavras e as leis da natureza. Deus criou o homem sem vestes e abrigo, mas deu-lhe inteligência para fabricá-los.
Estas palavras são mera alegoria da Providência, que nunca abandona os que nela confiam, mas também que trabalham. Se falta o material, inspira ideias para sair das dificuldades.
Deus conhece e provê nossas necessidades. O homem, porém, reclama o supérfluo. A Providência, então, o deixa entregue a si mesmo. Torna-se infeliz por culpa própria, por não atender sua consciência. Deus fá-lo sofrer as consequências para que lhe sirvam de lição.
A Terra produzirá o suficiente para todos quando os homens administrarem seus bens segundo a justiça, a caridade e o amor ao próximo. Com fraternidade entre os povos, o supérfluo de uns supre a insuficiência de outros, e cada um terá o necessário. O rico espalhará seus talentos, e eles produzirão o cêntuplo para si e para os outros; se os ocultar, os terá desperdiçado, nada produzirão, e não haverá para todos. Daí Jesus ter dito: “Não acumuleis tesouros na Terra, pois são perecíveis; acumulai-os no céu, onde são eternos.” Em outros termos: não deis aos bens materiais mais importância que aos espirituais; sabei sacrificar os primeiros aos segundos.
Se a caridade e a fraternidade não estiverem no coração, o egoísmo aí sempre imperará. Cabe ao Espiritismo fazê-las penetrar nele.
Adaptado da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, Ed. FEB. De Allan Kardec.



