A escalada do preço do enxofre — que saltou mais de 1.200% entre 2024 e 2026, atingindo US$ 1.200/t — transformou o insumo “invisível” no principal vetor de encarecimento dos fertilizantes fosfatados no Brasil. Com o enxofre respondendo por cerca de 67% do custo final do fosfatado (ante 15–20% historicamente), a indústria reduz produção e o agricultor adia compras, criando risco de queda de produtividade já na safra 2026/27
O gatilho foi geopolítico: interrupções no Estreito de Ormuz, rota crítica por onde passa a maior parte do enxofre derivado de petróleo, restringiram a oferta global. O preço do insumo, que era US$ 400–450/t antes do conflito, saltou para cerca de US$ 1.200/t, elevando o MAP de US$ 620–630/t para US$ 900–920/t. A Mosaic, maior produtora de fosfatados no país, chegou a hibernar unidades por falta de enxofre, evidenciando o gargalo.
A conta é simples: fertilizante mais caro + margem apertada = menos adubação. Estimativas do setor indicam redução de 20–25% no uso de fosfatados e queda de 5–7% na produtividade agrícola caso a tendência se mantenha. Para a soja, isso pode significar perda de 1,8 a 3,2 sacas/ha em cenários de replantio; no milho, a necessidade de adubação subiu de 50–60 para 60–70 sacas/ha.
No atual momento de plantio e compra antecipada, as culturas sob maior pressão são a soja, principal consumidora de fosfatados na adubação de base; e o milho safrinha, que depende fortemente de fósforo residual e adubação de cobertura.
Para o agricultor brasileiro, a equação é clara: adiar a compra pode baratear o caixa hoje, mas comprometer a produtividade amanhã. Planejar a adubação com eficiência (dosagem correta, fontes alternativas, parcelamento) e acompanhar de perto a evolução do enxofre será crucial para navegar este ciclo de custos recordes.



