Caro leitor do Correio do Povo do Paraná, chegamos ao terceiro passo da nossa conversa sobre comunicação.
Nas últimas semanas, fizemos duas perguntas que parecem simples, mas que podem transformar completamente a maneira como nos comunicamos: quem fala? e o que fala?
Primeiro, entendemos que antes mesmo de pronunciarmos uma palavra, comunicamos quem somos. Depois, refletimos sobre a importância de saber qual é a mensagem que queremos deixar na mente de quem nos ouve.
Agora chegamos ao terceiro ponto: como falar?
E aqui existe algo interessante.
Você pode saber exatamente quem é, pode ter uma excelente mensagem e ainda assim não conseguir fazê-la chegar ao outro.
É como ter um presente valioso nas mãos, mas não saber como entregá-lo.
O conteúdo é importante. Mas a forma como esse conteúdo chega também comunica.
Pense em uma mesma frase sendo pronunciada de maneiras diferentes:
“Eu preciso conversar com você.”
Ela pode demonstrar preocupação. Pode transmitir carinho. Pode soar como uma ameaça. Pode revelar ansiedade. Pode até parecer indiferente.
As palavras são exatamente as mesmas.
O que mudou?
A maneira de falar.
O tom de voz, o ritmo, as pausas, o volume, a expressão facial, o olhar, os gestos e até a postura corporal participam daquilo que o outro interpreta.
É por isso que comunicação não é simplesmente abrir a boca e produzir palavras.
Comunicação é fazer com que aquilo que está dentro de nós consiga chegar, da maneira mais clara possível, à mente e ao coração de quem nos ouve.
E talvez um dos maiores erros de quem deseja melhorar sua comunicação seja acreditar que falar bem significa falar bonito.
Não significa.
Falar bem não é utilizar palavras difíceis. Não é tentar parecer inteligente. Não é falar rapidamente para demonstrar conhecimento. Também não é decorar um discurso e reproduzi-lo como quem lê um texto invisível.
Falar bem é ser compreendido.
Imagine alguém explicando uma ideia brilhante, mas falando tão rápido que ninguém consegue acompanhar. A mensagem é boa, mas o ritmo atrapalha.
Agora imagine alguém que conhece profundamente determinado assunto, mas permanece olhando para o chão enquanto fala. O conteúdo continua sendo bom, mas sua postura pode transmitir insegurança.
Ou ainda alguém que fala em um tom completamente monótono durante vinte minutos. Mesmo com informações importantes, o ouvinte começa a se desconectar.
Perceba: em nenhum desses casos o problema necessariamente está no conteúdo.
Está no como.
Isso não significa que precisamos nos transformar em grandes oradores de uma hora para outra. Significa apenas que precisamos prestar atenção à maneira como nossa mensagem está chegando.
Às vezes, uma pausa diz mais do que uma sequência de palavras.
Às vezes, diminuir o ritmo torna uma ideia mais poderosa.
Às vezes, olhar nos olhos demonstra aquilo que nenhuma frase conseguiria explicar.
Às vezes, simplesmente falar com naturalidade é mais eficiente do que tentar impressionar.
E existe uma regra que considero fundamental:
Não fale para mostrar o quanto você sabe. Fale para ajudar o outro a compreender aquilo que você sabe.
Essa mudança de perspectiva transforma a comunicação.
Porque o centro da comunicação não deve ser o nosso ego. Deve ser a mensagem e, principalmente, quem está recebendo essa mensagem.
Quando compreendemos isso, começamos a perceber que uma boa comunicação exige intenção.
Antes de falar, pergunte:
Quem sou eu diante dessas pessoas?
Depois:
O que realmente preciso comunicar?
E então:
Qual é a melhor maneira de fazer essa mensagem chegar até elas?
Quem responde a essas três perguntas já deu um passo enorme para se tornar um comunicador mais consciente.
Quem. O quê. Como.
Não são apenas três perguntas sobre oratória. São três perguntas sobre relacionamento, liderança, trabalho, família e vida.
Porque todos nós comunicamos.
Falamos em reuniões. Conversamos com nossos filhos. Orientamos pessoas. Fazemos pedidos. Apresentamos ideias. Resolvemos conflitos. Defendemos aquilo em que acreditamos.
E, em todas essas situações, não basta ter algo a dizer.
É preciso saber quem está dizendo, o que precisa ser dito e como essa mensagem será recebida.
Talvez seja esse o verdadeiro propósito de uma boa comunicação: não fazer com que as pessoas simplesmente nos escutem, mas fazer com que elas compreendam aquilo que realmente queremos dizer.
Obrigado por me acompanhar nesta sequência de reflexões.
Na próxima oportunidade, podemos ir além dessas três perguntas e falar sobre algo que considero ainda mais importante: o que acontece depois que falamos?
Porque comunicação não termina quando a nossa voz se cala.
Ela continua naquilo que o outro entendeu, sentiu e decidiu fazer.
Até a próxima!



