Agora que ser empreendedor está na moda, e muita gente pensa em abrir um negócio lucrativo, talvez alguns preconceitos relacionados à economia da cultura possam ser, enfim, superados. Em recente pesquisa realizada pela Oxford Economics, uma das mais importantes empresas de consultoria econômica do mundo, o audiovisual brasileiro figura como negócio, como gerador de emprego e renda à frente de indústrias tradicionais como a têxtil ou a farmacêutica. Em 2024 o setor movimentou mais de 70 bilhões de reais e gerou 608 mil empregos (isso é seis vezes mais do que a indústria automobilística gerou no período). 70 bilhões de reais representam 0,7% do PIB brasileiro, isso é mais de 3 vezes a participação da indústria farmacêutica, que é de 0,2%.
Fica então uma questão para pensar: por que temos praticamente uma farmácia em cada esquina e cinemas inexistentes, ou restritos ao enclausuramento dos shoppings em nossa região? O fechamento dos cinemas de praça nas cidades acabou com um dos principais pontos de encontro, de confluência, de fruição conjunta e troca de ideias das pessoas. Cinemas, quando existem, são agora relegados às distâncias abissais e às temperaturas gélidas dos shoppings, bem como à seleção pífia e restrita de filmes com ingressos exorbitantes.
Outro ponto a ser notado é a pouco numerosa produção cinematográfica da região. Onde estão os empreendedores capazes de perceber o imenso potencial econômico e artístico de se produzir filmes? Vale lembrar que dos 70 bilhões de reais gerados pela indústria cinematográfica, 16 bilhões são exclusivamente dos lucros da exibição sob demanda, como Netflix, Max, Prime, Globo Play, entre outras. Filmes independentes, estúdios e produtoras inovadoras estão cada vez mais presentes nesse mercado. De fato, com tantas oportunidades desperdiçadas, sem cinemas para ir com os amigos, precisaremos sim, cada vez mais, de farmácias.
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