Momento Espírita
Tempestades do coração

Em um entardecer rico de luzes multicoloridas, Jesus tomou o barco de Pedro e com outras embarcações rumou para a outra margem.

Era a primeira vez que se deslocava naquela direção, um lugar conhecido como constituído por adversários dos judeus.

Enquanto o barco deslizava ligeiro sobre as águas mansas, os céus se escureceram subitamente e os ventos sopraram com vigor, levantando altas ondas encrespadas.

Jesus dormia ou parecia dormir em paz, enquanto rugiam as forças desgovernadas, ameaçando os viajantes.

Receando o pior, porque a embarcação era jogada de um lado para o outro, os discípulos o acordaram e lhe disseram do receio por suas vidas.

Ele ergueu-se como um raio de sol, e reclamou com a tormenta, impondo a sua vontade.

Suave calmaria sucedeu à agitação das ondas e o entardecer se tornou sereno e colorido, deixando todos maravilhados.

A proposta do Mestre sempre foi a de paz.

O remédio para todas as dores sempre foi o do amor.

Ele não tinha poder apenas sobre as tormentas da natureza, mas ensinava também como acalmar as tempestades do coração.

Para essas propôs inúmeras diretrizes de segurança moral capazes de superá-las.

Nenhuma mais expressiva do que a que se encontra na lei de amor, propondo o mergulho nas águas agitadas dos sentimentos primários para deles nos libertarmos, adquirindo paz.

Ofereceu igualmente o equipamento apropriado para o mergulho no abismo de nós mesmos, que é o escafandro do esforço pessoal.

Seu propósito sempre foi que conquistássemos a paz do coração.

Na atualidade, prosseguimos desconhecendo Jesus, nosso Mestre e Irmão maior.

Lemos Seus conselhos nos Evangelhos e não os entendemos com a devida profundidade.

Nossos hábitos e costumes se prendem aos instintos primitivos, buscando satisfazer os apetites da matéria, nos esquecendo que somos Espíritos imortais.

Ainda nos encontramos envolvidos no combate aos vícios exaustivos, sem enxergarmos a luz que nos aponta o caminho seguro.

Desejamos a cura para as dores físicas e deixamos de nos preocupar com a cura das chagas da nossa alma aflita.

O Mestre recomendava que deixássemos de nos envolver no mal, em cometer mais falhas, para que algo de pior não nos acontecesse. Entretanto, continuamos a repetir os mesmos erros.

Ele ensinou e exemplificou a conduta correta mas, infelizmente, muitas vezes desconsideramos isso tudo e nos envolvemos no mal.

Jesus propunha a paz. Quase sempre, de nossa parte, prosseguimos insistindo na guerra aos que consideramos nossos desafetos.

Mesmo assim, Ele prossegue aplacando as tormentas dos nossos corações a cada dia, a toda hora.

Por isso, se faz de importância lembrar que Ele é o Caminho da Verdadeira Vida.

Ele nos desejou vida em abundância. E somente a teremos quando valorizarmos o corpo físico, como essa oportunidade de crescimento e progresso. Uma passagem pelo planeta, na qual devemos realizar o melhor, rumando para a luz.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 27
do Livro Vivendo com Jesus, pelo Espírito
Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo
Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 29.6.2019.

Um Autor, um Criador

Quando à noite, contemplo os múltiplos sóis na abóbada celeste, eu me indago: Quem colocou tantas maravilhas neste céu?

E meus lábios se entreabrem, balbuciando: Foi Deus!

Quando me extasio ante esse céu de estrelas, fico a cismar: De onde eu vim? Terei visitado algum desses mundos que se estendem pelo Universo sem fim?

E me sinto estrangeiro acolhido nesta Terra, agradecendo a honra de pertencer a esta Humanidade.

Pergunto-me, muitas vezes, se aqui estou pela primeira vez ou se já habitei outros corpos, em outras tantas épocas.

Terei andado pelo Oriente, em meio àquelas culturas que, embora alguns definam como exóticas, a mim parecem tão familiares?

E este mesmo país, onde me encontro, quantas vezes já o terei visitado? Por vezes, a sua História me parece tão atual, tão conhecida.

Enfim, minha alma, agradecida, ergue-se em louvor à Causa de tudo isso: Deus. E suspira e suspira gratidão.

Quando em noites de lua cheia, fico a mirar aquela luz prateada, estendendo seus raios pelas cidades, tenho vontade de gritar bem alto: Lua, ó lua, quem te fez tão bela? Quem te vestiu de luz? Desde quando andas pelo espaço, contemplando a Terra?

E minha mente somente encontra uma resposta: Foi Deus!

Quando contemplo as nuvens que se cobrem de vários tons, preparando-se para receber a madrugada, eu penso: Quem fez tudo isso?

Quem estabeleceu que o tempo precisasse de tantos diversos momentos, tão ricos de beleza: madrugada, manhã, tarde, noite?

Quem criou as estações com suas peculiaridades, com seus encantos inigualáveis?

Quem estabeleceu o movimento do planeta, do sol, dos astros?

Quem estabeleceu trajetórias tão precisas a tantos orbes, sóis e planetas, de forma que todos viajam pelo infinito, numa perfeita harmonia, cantando a glória da perfeição?

E quando chega a madrugada, ornada de matizes esplêndidos, me surpreendo porque a cada dia ela vem envolvida em novos véus.

E me indago outra vez: Quem veste assim a madrugada? Quem lhe compõe as vestes, sem jamais reprisá-las, mesmo tendo transcorrido tantos séculos?

Quem é Esse estilista tão criativo?

E minha alma só pode responder: É Deus!

Então, olho para mim mesmo, ser pensante e atuante e indago: Quem me criou?

Quem me dotou de inteligência, de senso? Quem me fez assim tão inquiridor?

Quem me dotou da capacidade de amar, de sentir, de me emocionar e elogiar a beleza, a harmonia?

Quem me permitiu a possibilidade de escrever poemas, histórias e contos?

E somente posso chegar à mesma e maravilhosa conclusão: Foi Deus! Foi Deus!

Deus, a Causa de tudo, o Criador incriado, o sempre presente. O que tudo sabe e tudo provê.

Aquele que está atento aos mundos, às Humanidades, a todas as espécies que vivem em todos os lugares.

Aquele cuja onisciência é de tal modo detalhada que Jesus no-lO apresentou como O que sabe da quantidade de fios de cabelo em nossas cabeças.

O Pai presente, amoroso e bom. Nosso Pai e Criador.

Redação do Momento Espírita, com base em mensagem
psicográfica de Lauro Schleder, recepcionada no
Centro Espírita Ildefonso Correia, em 13 de maio de 2019.

 

Amabilidade

Benjamin Franklin costumava dizer que se desejamos ser amados, nos compete amar e sermos amáveis. A fórmula não é inédita. Francisco de Assis propunha que deveríamos amar muito mais do que sermos amados. Foi isso que aquela jovem, sentada na lanchonete em frente à clínica, naquela manhã de primavera, pôde comprovar por si mesma. Ela não queria admitir, mas estava com medo. No dia seguinte deveria ser internada para fazer uma operação de alto risco. Uma cirurgia na coluna vertebral.

Ela tinha perdido seu pai recentemente e se sentia desamparada. Sentia-se sozinha. Parecia-lhe que a luz que sempre a guiava, tinha retornado ao céu. Mesmo assim, ela tentava encontrar forças em sua fé. Intimamente, cerrando de leve os olhos, pediu com fervor: Senhor, nesta época de tanta provação, mande-me um anjo. Acabou seu lanche e se dirigiu ao caixa. Uma senhora idosa, andando vagarosamente, ficou à sua frente. Ela começou a admirar a sua elegância. Um lindo vestido xadrez vermelho e preto, um lenço, um broche, um chapéu vermelho-escarlate. Não se conteve.

Desculpe, senhora, disse-lhe, mas não posso deixar de lhe dizer como é bonita. Vê-la assim tão elegante encheu-me de alegria. A idosa se voltou para ela e a brindou com um sorriso. Deus a abençoe, minha jovem. Eu tenho um braço artificial, uma placa de metal no outro e uma perna não é minha. Levo um bom tempo para conseguir me vestir. Tento me arrumar da melhor maneira possível. Você sabe, à medida que os anos passam, parece que as pessoas pensam que não têm importância se vestir bem. Você fez com que eu me sentisse uma pessoa especial. Que o Senhor a possa proteger e abençoar. Você deve ser um anjo enviado por Ele para alegrar o meu dia.

A senhora se foi sem que a jovem conseguisse dizer uma só palavra. Sentiu-se reconfortada ao ouvir toda aquela disposição de quem tinha tantas dificuldades e extravasava elegância e bem-estar. Deus lhe enviara, afinal, o anjo que ela pedira. E ela nada mais fizera do que ser amável com alguém.

O amor é a virtude das virtudes. Veste-se de múltiplos modos e onde quer que se apresente, oferece sempre alegria, ventura, vida abundante. Nenhum de nós se move sobre o planeta se não for com o combustível do amor. Amar é uma honra. E o trabalho da compreensão, o esforço da paciência, a dedicação da caridade, o conforto da fraternidade... tudo isso é amor. A firmeza da cooperação superior, a harmonia da afabilidade, a lucidez do bom alvitre... são, também, parte do amplo panorama do amor.

Conscientes dos limites que ainda nos caracterizam, na Terra, devemos concluir que temos necessidade de continuar a trajetória amando o mais que possamos. Podemos oferecer uma frase elogiosa, um estímulo, uma realização feliz, nesse projeto de construção do bem que esteja ao nosso alcance. Dessa maneira, lançaremos no solo do mundo as nossas sementes de paz, cooperando com a paz ampla com que sonhamos. Igualmente, poderemos colaborar com a felicidade de alguém, que receberá a nossa observação, como um item valioso para a elevação da sua autoestima.

 

A metamorfose

Interessante se observar uma borboleta pousada sobre uma folha nova, especialmente escolhida por ela. Uma que não caia antes da saída das lagartinhas do ovo.

Ela dobra o abdome até sentir a face inferior da folha e ali coloca o ovo.

Por essas maravilhas da natureza, que somente a Providência Divina explica, cada espécie de borboleta sabe exatamente qual o tipo de planta que deve escolher para colocar o ovo que, graças a uma substância viscosa de secagem rápida, se fixa imediatamente.

As borboletas são muito admiradas pela leveza dos seus voos e a beleza do colorido de suas asas.

Elas procuram, nas flores, na areia úmida ou em frutos fermentados, o seu alimento.

As flores são muito frequentadas pelas borboletas fêmeas, enquanto os machos preferem as areias úmidas.

Existem algumas espécies que têm a capacidade de permanecer imóveis por tempo considerável, enquanto outras fazem voos curtos, por vezes muito rápidos, indo de uma flor a outra.

Elas buscam a pradaria, as ramadas das árvores, beijam as folhas farfalhantes e driblam o vento apressado.

Bailam em meio às gotículas que se desprendem das quedas d'água ou como pétalas voam, balançando no espaço.

Seu colorido é mensagem de alegria. A sua liberdade é um convite à paz.

No entanto, dias antes de se mostrarem tão belas não passavam de larvas rastejantes no solo úmido ou na casca apodrecida de algum tronco abandonado.

Lagartas, jamais sonhariam com os beijos do sol ou com o néctar das flores.

Mas, passam as semanas e após a fase de crisálida, elas surgem maravilhosas, coloridas, exuberantes, plenas de vida.

* * *

À semelhança da lagarta, vivemos no terreno das experiências humanas.

Afinal, chega um dia em que somos convidados a adormecer na carne para despertar na Espiritualidade, planando acima das dificuldades que nos afligiam.

É a morte que nos alcança e nos ensina que a vida não se resume num punhado de matéria que entrará em decomposição.

Também não é simplesmente um amontoado de episódios marcantes ou insignificantes, promotores de esparsos sorrisos e rios de pranto.

A vida é a do Espírito, que vive para além da aduana da morte, tendo como destino a vida na amplidão.

Por isso, quando acompanharmos, com lágrimas, aquele afeto que se despede das lutas do mundo, rumando para a Espiritualidade, não lastimemos, nem nos desesperemos.

Mesmo com dores na alma, despeçamo-nos do coração querido com um suave "Até logo" porque exatamente como as borboletas, ele alcançou a liberdade.

* * *

Tenhamos em mente que, ao morrer o corpo, o Espírito que dele se utilizava como de um veículo, se liberta.

Ninguém se aniquila na morte. Mudamos, simplesmente, de estado vibratório, sem que aconteça uma mudança nos nossos sentimentos, paixões e anseios.

Continuamos a ser o que éramos, enquanto no corpo de carne. E prosseguiremos, além das fronteiras desta vida, numa outra dimensão, a vida espiritual.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 10, do livro Rosângela, pelo
Espírito homônimo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter; no verbete Morte,
do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Angelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e no verbete Borboleta,
da Enciclopédia Mirador, v. 4, ed. Encyclopaedia Britannica do Brasil.
Em 27.5.2019.

Amabilidade

Benjamin Franklin costumava dizer que se desejamos ser amados, nos compete amar e sermos amáveis.

A fórmula não é inédita. Francisco de Assis propunha que deveríamos amar muito mais do que sermos amados.

Foi isso que aquela jovem, sentada na lanchonete em frente à clínica, naquela manhã de primavera, pôde comprovar por si mesma.

Ela não queria admitir, mas estava com medo. No dia seguinte deveria ser internada para fazer uma operação de alto risco.

Uma cirurgia na coluna vertebral.

Ela tinha perdido seu pai recentemente e se sentia desamparada.

Sentia-se sozinha. Parecia-lhe que a luz que sempre a guiava, tinha retornado ao céu.

Mesmo assim, ela tentava encontrar forças em sua fé. Intimamente, cerrando de leve os olhos, pediu com fervor:

Senhor, nesta época de tanta provação, mande-me um anjo.

Acabou seu lanche e se dirigiu ao caixa. Uma senhora idosa, andando vagarosamente, ficou à sua frente.

Ela começou a admirar a sua elegância. Um lindo vestido xadrez vermelho e preto, um lenço, um broche, um chapéu vermelho-escarlate.

Não se conteve.

Desculpe, senhora, disse-lhe, mas não posso deixar de lhe dizer como é bonita. Vê-la assim tão elegante encheu-me de alegria.

A idosa se voltou para ela e a brindou com um sorriso.

Deus a abençoe, minha jovem. Eu tenho um braço artificial, uma placa de metal no outro e uma perna não é minha.

Levo um bom tempo para conseguir me vestir. Tento me arrumar da melhor maneira possível.

Você sabe, à medida que os anos passam, parece que as pessoas pensam que não têm importância se vestir bem.

Você fez com que eu me sentisse uma pessoa especial. Que o Senhor a possa proteger e abençoar.

Você deve ser um anjo enviado por Ele para alegrar o meu dia.

A senhora se foi sem que a jovem conseguisse dizer uma só palavra.

Sentiu-se reconfortada ao ouvir toda aquela disposição de quem tinha tantas dificuldades e extravasava elegância e bem-estar.

Deus lhe enviara, afinal, o anjo que ela pedira.

E ela nada mais fizera do que ser amável com alguém.

* * *

O amor é a virtude das virtudes. Veste-se de múltiplos modos e onde quer que se apresente, oferece sempre alegria, ventura, vida abundante.

Nenhum de nós se move sobre o planeta se não for com o combustível do amor.

Amar é uma honra.

E o trabalho da compreensão, o esforço da paciência, a dedicação da caridade, o conforto da fraternidade... tudo isso é amor.

A firmeza da cooperação superior, a harmonia da afabilidade, a lucidez do bom alvitre... são, também, parte do amplo panorama do amor.

Conscientes dos limites que ainda nos caracterizam, na Terra, devemos concluir que temos necessidade de continuar a trajetória amando o mais que possamos.

Podemos oferecer uma frase elogiosa, um estímulo, uma realização feliz, nesse projeto de construção do bem que esteja ao nosso alcance.

Dessa maneira, lançaremos no solo do mundo as nossas sementes de paz, cooperando com a paz ampla com que sonhamos.

Igualmente, poderemos colaborar com a felicidade de alguém, que receberá a nossa observação, como um item valioso para a elevação da sua autoestima.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
Um anjo de chapéu vermelho, de Tami Fox, do livro
Histórias para aquecer o coração, de Jack Canfield,
Mark Victor Hansen, Jennifer Read Hawthorne e
Marci Shimoff, ed. Sextante e no cap. 19, do livro
A carta magna da paz, pelo Espírito Camilo,
psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 21.5.2019

Nossos protetores invisíveis

Essa brisa singela que te sopro,

É meu desejo de te ver navegante.

Minhas mãos... Não podem tocar teu leme.

Meus braços... Não podem içar tuas velas.

Para ti, sou apenas vaga inspiração, que se mistura aqui e ali aos teus próprios pensares.

Sou ideia sem nome. Sou sentido distante. Sou vento.

* * *

Diz um provérbio popular que há um Deus para as crianças, para os loucos e para os bêbados.

Há mais veracidade nesse ditado do que se imagina.

Esse suposto Deus, outro não é senão nosso Espírito protetor, que vela pelo ser incapaz de se proteger, utilizando-se da sua própria razão.

Da mesma forma que a criança descida do berço ensaia seus primeiros passos, sob os olhares enternecidos de seus carinhosos pais, assim também, sob o amparo invisível de nosso Pai espiritual, somos muito bem assistidos nos combates da vida terrestre.

Todos temos um desses gênios tutelares que nos inspira nas horas difíceis e nos orienta para o bom caminho.

É o nosso anjo da guarda.

Não há concepção mais grata e consoladora. Saber que temos um amigo fiel e sempre disposto a nos socorrer, de perto como de longe, influenciando-nos a grandes distâncias ou conservando-se junto de nós nas provações; saber que ele nos aconselha por intuição e nos aquece com o seu amor, eis uma fonte inapreciável de força moral.

O pensamento de que testemunhas benévolas e invisíveis veem todos os nossos atos, alegrando-se ou se entristecendo, deve nos estimular a mais sabedoria e ponderação.

É por essa proteção oculta que se fortificam os laços de solidariedade que ligam o mundo celeste à Terra, o Espírito livre ao homem, Espírito prisioneiro da carne.

É por essa assistência contínua que se criam, de um a outro lado, as simpatias profundas, as amizades duradouras e desinteressadas.

O amor que anima o Espírito elevado vai pouco a pouco se estendendo a todos os seres, revertendo tudo para Deus, Pai das almas, foco de todas as potências efetivas.

O Espírito protetor é ligado ao indivíduo desde o nascimento e, muitas vezes, o segue após a morte, na vida espiritual. Até mesmo em muitas existências corporais.

Vejamos o quanto é maravilhoso saber disso. Quanto cuidado do Criador para com cada um de nós, independente de quem somos, raça, credo e até mesmo, se somos homens de bem ou não.

Nunca poderemos dizer que não fomos ajudados, que não se importavam conosco ou que estivemos abandonados em algum momento.

Portanto, contemos com eles, nossos anjos de guarda, nossos protetores invisíveis.

Criemos uma linha de comunicação mais frequente, tentemos elevar nosso pensamento para que ele vibre nas frequências sutis dos pensamentos deles.

Então, poderemos ouvir seus alertas, buscando nos guiar, suas sugestões e respostas aos nossos apelos.

Benditos sejam nossos Espíritos protetores, carinhosos amigos que do anonimato nos amam intensamente.

Redação do Momento Espírita, com base no poema A voz do vento,
de Andrey Cechelero; na questão 492, de O livro dos Espíritos;
no cap. 3, item 14, do livro A Gênese, ambos de Allan Kardec
e no cap. 35, do livro Depois da Morte, de Léon Denis, todos
ed. FEB.
Em 13.5.2019.

Dedicação materna

Quando se fala em dedicação, difícil se nos torna avaliar qual o seu significado para algumas pessoas.

Quando se evoca, por exemplo, a figura materna, que tem em seus filhos a maior razão de seu viver, parece que essa virtude se multiplica indefinidamente.

Mães existem que não medem os esforços que fazem, a energia que despendem, nem mesmo a negação de suas próprias necessidades para bem atender seus filhos.

* * *

A imprensa divulgou a história daquela mãe chinesa cujo filho, de trinta e seis anos, depois de um acidente de carro, ficou tetraplégico e em coma.

O pai do rapaz havia morrido quando ele ainda era uma criança. A mãe assumiu sozinha a árdua tarefa de atender ao filho.

Alimentava-o, por meio de um tubo ligado ao estômago, dava-lhe banho, fazia massagens em seu corpo para evitar escaras. Estava ao seu lado dias e noites.

Os meses foram passando vagarosos e se transformaram em anos.

Doze anos se foram, quando, num belo dia, ele despertou do coma. A notícia surpreendeu o país e se espalhou nas redes sociais.

E aquela senhora, então com setenta e cinco anos, afirmou aos entrevistadores que nunca desistira dele.

Nas imagens divulgadas, o filho aparece sorrindo e a mãe, feliz, diz que o sorriso é o único meio dele se comunicar com ela.

Mas, que espera pelo momento em que ele possa voltar a falar, a chamá-la de mãe.

* * *

A dedicação dessa mãe para com o filho dependente nos faz perceber o quanto é capaz de lutar o amor materno.

Nos relatos colhidos, ela revela que, sem meios para se sustentar, contando somente com a ajuda de amigos e familiares, muitas vezes deixava de comer para que não faltasse alimento ao jovem.

Esses doze anos de dedicação, de renúncias e sacrifícios nos falam do tamanho do seu amor maternal e do alto grau de sua fé em Deus e na vida.

Ter fé é confiar, é acreditar. Ela confiou com todas as fibras de seu coração na possibilidade de retorno do seu filho à vida.

E, embora ele nada mais consiga fazer do que sorrir, desde que saiu do coma, ela prossegue confiante, perseverante, aguardando que ele volte a falar.

E a chamá-la de mãe.

Esse devotamento, essa dedicação é uma entrega que se faz sem condições, sem medidas, sem necessidade de trocas ou retribuições.

É um sacrifício de quem se doa e uma verdadeira bênção para o ser que se encontra totalmente incapacitado.

Toda essa dedicação demonstra o apreço da mãe pelo filho, e a perfeita realidade de que esse amor não tem preço!

Serve-nos, igualmente, de exemplo de luta pela vida. Vida que não deve ser menosprezada, abandonada por se encontrar a pessoa em situação crítica.

Vida que nos merece respeito, luta, apoio.

Afinal, tantos casos existem de pessoas consideradas a um passo da morte, que retornam ao palco da vida e retomam suas lutas, seus afazeres, como se tudo não tivesse passado de um período de sono, de refazimento, de repouso.

Pensemos a respeito.

Redação do Momento Espírita,
com base em fatos.
Em 4.5.2019.

Aceitação

Quando precisamos aceitar uma circunstância que não foi planejada, o primeiro impulso que temos é o de ser resistente à nova situação.

É difícil aceitar as perdas materiais ou afetivas, a dificuldade financeira, a doença, a humilhação, as traições.

A nossa tendência natural é resistir e combater tudo o que nos contraria e que nos gera sofrimento.

Agindo assim, estaremos prolongando a situação. Resistir nos mantém presos ao problema, muitas vezes perpetuando-o e tornando tudo mais complicado e pesado.

Em outras ocasiões, nossa reação é a de negação do problema e, por vezes, nos entregamos a desequilíbrios emocionais como revolta, tristeza, culpa e indignação.

Todas essas reações são destrutivas e desagregadoras.

Quando não aceitamos, nos tornamos amargos e insatisfeitos. Esses padrões mentais e emocionais criam mais dificuldades e nos impedem de enxergar as soluções.

Pode parecer que quando nos resignamos diante de uma situação difícil, estamos desistindo de lutar e sendo fracos.

Mas não. Apenas significa que entendemos que a existência terrestre tem uma finalidade e que a vida é regida pela lei de ação e reação; que a luta deve ser encarada com serenidade e fé.

Na verdade, se tivermos a verdadeira intenção de enfrentar com equilíbrio e sensatez as grandes mudanças que a vida nos apresenta, devemos começar admitindo a nova situação.

A aceitação é um ato de força interior que desconhecemos. Ela vem acompanhada de sabedoria e humildade, e nos impulsiona para a luta.

É detentora de um poder transformador que só quem já experimentou pode avaliar.

Existem inúmeras situações na vida que não estão sob o nosso controle. Resta-nos então acatá-las.

É fundamental entender que esse posicionamento não significa desistir, mas sim manter-se lúcido e otimista no momento necessário.

No instante em que aceitamos, apaga-se a ilusão de situações que foram criadas por nós mesmos e as soluções surgem naturalmente.

Aceitar é exercitar a fé. É expandir a consciência para encontrar respostas, soluções e alívio. É manter uma atitude saudável diante da vida.

Énos entregarmos confiantes ao que a vida tem a nos oferecer.

* * *

Estamos nesta vida pela misericórdia de Deus, que nos concedeu nova oportunidade de renascimento no corpo físico.

Os sentimentos de amargura, desespero e revolta, que permeiam nossa existência, são frutos das próprias dificuldades em lidar com os problemas.

Lembremos que todas as dores são transitórias.

Quando elas nos alcançarem, as aceitemos com serenidade e resignação. Olhemos para elas como mecanismos da lei universal que o Pai utiliza para que possamos crescer em direção a ele.

Busquemos, desse modo, as fontes profundas do amor a que se reporta Jesus que o viveu, e o amor nos dirá como nos devemos comportar perante a vida, no crescimento e avanço para Deus.

 

Redação do Momento Espírita, com base no texto Aceitação,
de autoria desconhecida e com parágrafo final do cap. 20,
do livro Terapêutica de emergência, por diversos Espíritos,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 1º.5.2019

Mãos ocupadas

Em um grande shopping center, uma criança resolveu fazer uma brincadeira singela com as pessoas que passavam.

Sentada em um carrinho de passeio, esticava um dos braços tentando alcançar as mãos de quem vinha no outro sentido, propondo um cumprimento rápido.

Bastaria que o estranho tocasse numa das palmas que ela estaria satisfeita.

E lá foi ela, mergulhada na multidão, no andar de baixo das pessoas, alegre e empolgada.

Começou a ver que alguns desviavam, outros tinham receio, outros nem sequer a enxergavam, pois estavam numa espécie de andar de cima do mundo. E a maioria deles estava com as mãos ocupadas.

Não sobraram mãos para mim! – Deve ter pensado.

As mãos estavam nas muitas sacolas, nas bolsas, nos smartphones, mas nunca livres...

Levou quase cinco minutos para ela conseguir seu primeiro cumprimento cordial.

Ali, do andar de baixo do mundo, ela percebia, desde cedo, como o pessoal do andar de cima, andava ocupado demais...

* * *

E nossas mãos, como estão?

Ainda existe algum momento em que estejam livres para alguém mais?

Ainda existe disposição para uma tarefa extra, descomprometida, voluntária, quem sabe?

Mesmo dentro de casa, nos afazeres diários, como temos usado nossas mãos?

Ainda lembramos da sensação dos cabelos dos nossos filhos escorrendo pelos dedos? Lembramos da delicadeza e da maciez dos fios?

Ainda lembramos da temperatura ou da textura da pele do nosso amor, sentida pela parte superior dos dedos?

Ainda nos recordamos do aperto de mão firme ou frágil daqueles que não estão mais por perto?

Benditas sejam as mãos...

Quantas energias fluem através delas! Quantos fluidos benéficos podem ser canalizados através de sua ação dignificante.

As mãos de Jesus estavam sempre livres e disponíveis para quem quer que chegasse até ele.

Os episódios de imposição de mãos são incontáveis, quando, através de uma transmissão fluídica poderosa, ele curava, despertava, enfim, alterava o curso da existência daquela alma que o buscava com fé.

Em alguns casos, ele apenas erguia alguém que estava caído, num ato simbólico que representava o que realmente estava ocorrendo com o Espírito até então em situação deplorável.

Teve olhos inclusive para as criancinhas que, na época, nem mesmo eram contadas nos censos, assim como as mulheres:

Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.

Jesus tinha sempre as mãos livres. E nós? Será que não poderíamos nos doar um pouco mais? Será que não poderíamos atender, de alguma forma, os que estão ao nosso lado?

Será que, se passássemos por aquela menina com a mãozinha espalmada, aguardando um toque humano, nós a teríamos visto? Ou andaremos olhando muito para cima, nunca para nosso entorno?

Às vezes estamos vivendo essa ilusão de mundo, numa espécie de andar de cima, deixando de perceber o que ocorre nos outros andares da vida.

Passam por nós diversas mãos, pedindo auxílio, carinho, atenção, mas as nossas estão sempre ocupadas, sempre segurando coisas que, talvez, não sejam tão importantes assim...

Pensemos a respeito. E nos observemos um pouco mais. Quem sabe, até mudemos as nossas atitudes...

Redação do Momento Espírita.
Em 7.3.2019

 

O que faz uma vida feliz

A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, tem o que é considerado o estudo mais longo acerca da felicidade.

O Harvard Study of Adult Development existe desde 1938 e observou, desde então, a vida de setecentos e vinte e quatro jovens. Acompanhou seu crescimento, suas famílias e as novas gerações.

O estudo abrange diversas áreas, mas a principal delas diz respeito à análise do nível de felicidade dessas pessoas.

As observações minuciosas buscaram responder à questão: O que faz uma vida feliz?

E as principais conclusões foram as seguintes: conexões sociais são muito boas para nós, enquanto a solidão mata.

As pessoas que são mais conectadas socialmente, à família, amigos e comunidade, são mais felizes, são fisicamente mais saudáveis e vivem mais.

Não se trata apenas do número de pessoas à volta, do número de amigos que têm, ou se estão num relacionamento sério ou não, mas, principalmente, da qualidade dos relacionamentos mais próximos.

O estudo também concluiu que os bons relacionamentos não protegem apenas nossos corpos, mas também nosso cérebro.

As pessoas que mantêm bons relacionamentos, sobretudo quando estão em avançada idade, têm sua memória melhor preservada, isto é, ela se mantém viva por mais tempo.

O diretor atual da pesquisa, Robert Waldinger, afirma que essas relações não precisam ser perfeitas, onde só reine a paz, sem problemas ou discussões.

Não, o que mais importa, segundo ele, é o fato de um saber que pode contar com o outro. E que esses pequenos problemas do dia a dia não se fixam na memória. As relações em si sempre falarão mais alto.

* * *

O homem deve progredir, mas não pode fazer isso sozinho porque não dispõe de todas as faculdades. Por isso precisa se relacionar com outros. No isolamento, se embrutece e se enfraquece.

Nenhum ser humano possui todos os conhecimentos. Pelas relações sociais é que se completam uns aos outros para assegurar seu bem-estar e progredir.

Tendo necessidade uns dos outros, somos feitos para viver em sociedade e não isolados.

Desses laços, os familiares são aqueles que representam os de maior importância, pois muitos deles são escolhidos ou aceitos num planejamento prévio de cada nova encarnação.

Isso quer dizer que podemos escolher em que lar iremos nascer, se tivermos merecimento e discernimento para tal. O que acontece, para a maioria de nós, é uma escolha por necessidade, isto é, precisamos estar vinculados a esse ou aquele lar por compromissos anteriores.

Pensando assim, a felicidade nas relações sociais na família poderá ter dupla causa: a primeira está no próprio laço em si, que nos faz mais felizes por poder contar com amores ao nosso lado.

A segunda, pela chance de podermos resgatar débitos do passado, de ajudar quem prejudicamos e, em muitos casos, como missões, auxiliar Espíritos que vêm à Terra em condições precárias, necessitando de orientação e amorosidade.

O que faz uma vida feliz? Viver boas relações em que se possa doar, mais do que receber. Amar, acima de tudo.

Redação do Momento Espírita, com base
na questão 768, de O Livro dos Espíritos,
de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 13.2.2019