Momento Espírita
Virtude ideal

Certa vez, um homem considerado virtuoso visitou uma fazenda onde viviam duas famílias. Encontrou, logo à chegada, duas mulheres que o receberam com alegria.

Sentiam-se honradas em receber a visita de um homem tão perfeito. Sua fama o precedera. Elas lhe trouxeram comida, água fresca para dessedentar-se.

Ele lhes perguntou sobre suas vidas.

Elas, de forma muito simples, contaram que trabalhavam duro em casa e no campo, com seus maridos. Tinham muitos filhos amados de quem cuidavam. Sofriam doenças, pobreza e mortes, como todas as demais famílias.

Mas, e quanto a suas boas ações, perguntou-lhes o bom homem. O que fazem para Deus?

Elas se entreolharam e confessaram que nada faziam.

Não tinham dinheiro para dar, por serem muito pobres. Não tinham tempo de muito realizar por outras pessoas, pois suas próprias famílias as mantinham muito ocupadas.

Contudo, acreditavam-se felizes.

Ele se despediu delas e se foi.

Passando pela casa vizinha, como o intrigasse aquela vida tão simplória das duas mulheres, perguntou a um homem que trabalhava no jardim a respeito delas.

Ora, respondeu ele, são as melhores pessoas que já existiram. Moram aqui há vinte e cinco anos e ninguém ouviu qualquer animosidade delas. Já passaram por muitos sofrimentos.

Elas se importam com seus próprios problemas e recebem todos com palavras doces e um sorriso agradável.

Então, uma luz diferente se fez no íntimo daquele homem.

E pensou: Tenho vivido sozinho todos esses anos, controlando meu temperamento, sendo paciente e cordato. Mas será que eu poderia ter feito o mesmo com as preocupações de uma vida em família?

Já me habituei a viver com muito pouco, mas como estaria na pobreza, se outros sofressem além de mim? Não sei se poderia suportar a fadiga e o desgaste de ganhar o pão para outrem.

Verdadeiramente é mais difícil tornar-se um santo em casa do que num deserto.

E reconheceu que a verdadeira santidade é trabalhada no dia a dia, no trato com o semelhante.

Alçou uma prece profunda a Deus pedindo por uma nova chance: a de participar da vida comum onde desejava encontrar um espaço para devotar-se ao próximo e servir aos seus irmãos.

* * *

Ser bom, caritativo, laborioso, modesto são qualidades do homem virtuoso.

Toda criatura que possui virtudes não as ostenta. Tal qual a violeta, simplesmente espalha seu discreto perfume e se esconde entre a folhagem farta.

Pratica o bem com desinteresse completo, e inteiro esquecimento de si mesma.

* * *

 

E já é Ano Novo, outra vez

 

Quando chega, é sempre pleno de esperanças. Espera-se o Ano Novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas de vida, propósitos renovados para tantas coisas...

É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos para o Novo Ano.

Mesmo sabendo que o tempo somente existe em função dos movimentos estabelecidos pelo planeta em que nos encontramos, é interessante essa movimentação individual, toda vez que o novo período convencional de um ano reinicia.

Mas, falando de lista de bons propósitos, já se deu conta que, quase sempre, esquecemos o que listamos?

Alguns até esquecemos onde guardamos a tal lista, o que  atesta da  pouca disposição em perseguir os itens elencados.

Ano Novo deve ter um significado especial.

Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que, nos condicionando ao início de uma etapa diferente, renovada, sintamo-nos emulados a uma renovação.

Renovação de hábitos, de atitudes, como estar mais com a família, reorganizando as horas do trabalho profissional.

Importar-se mais com os filhos, lembrando-se de não somente indagar se já fizeram a lição, mas participar, olhando, lendo as observações feitas pelos professores nos cadernos, interessando-se pelos conteúdos disciplinares.

Sair mais com as crianças, não somente para passeios como a praia, a viagem de férias.

Mas, no dia a dia, um momento para um lanche e uma conversa, uma saída para deliciar-se com um sorvete.

Outros, para só ficar olhando a carinha lambuzada de chocolate, literalmente afundando-se na taça de sorvete.

Outros, mais longos, para acompanhar o passo vacilante de quem está aprendendo a andar.

Uma tarde para um papo com os que já estão preparando a mochila para se retirar do cenário desta vida, quem sabe, nos próximos meses?

Isto é viver Ano Novo. Sair com amigos, abraçar amigos, sorrir pelo simples prazer de sorrir.

Trocar e-mails afetuosos, não somente os corriqueiros que envolvam decisões e finanças. Usar o telefone para dar um Olá, desejar Boa viagemFeliz aniversário!

Bom, você também pode fazer propósitos de comer menos doces ou diminuir os carboidratos da sua dieta, visando melhor condição de vida ou simplesmente adequar seu peso.

Também pode pensar em mudar o visual. Quem sabe modificar o corte de cabelo, tentar pentear para outro lado, fazer uma visita ao dentista.

E é claro, um bom check-up. Porque cuidar da saúde é essencial.

Bom mesmo é não esquecer de formular propósitos para sua alma.

Assim, acrescente na lista: estudar mais, ler mais, entender mais o outro, devotar-se a um trabalho voluntário, servir a alguém com alegria e bom ânimo.

Com certeza, cada um terá outros muitos itens a serem acrescentados à lista.

Até mesmo coisas simples como alterar os roteiros de idas e vindas do trabalho-lar-escola.

Ou coisas mais complicadas, como se dispor a pensar um pouco no outro e não exclusivamente em si, no relacionamento a dois.

Imprescindível, no entanto, é que você coloque a lista à vista, para olhar muitas vezes, durante todo o Novo Ano.

Importante que se lembre de lê-la, para ir acompanhando o que já conseguiu e onde ou em que ainda precisa investir mais, insistindo, até a vitória.

Seja este Ano Novo o ano de concretas realizações na sua vida!

Redação do Momento Espírita.
Em 31.12.2018.

Autossuperação

Você já se sentiu, alguma vez, a pessoa mais incapaz da face da Terra?

Por que será que isso acontece?

Vamos refletir um pouco sobre essa questão.

Considere, em primeiro lugar, que você é uma pessoa única, não existe ninguém no Universo igual a você.

Você tem uma soma de experiências só suas. Tem sentimentos únicos e tem limites que são somente seus.

Então, é provável que ao tentar superar outra pessoa, tenha a sensação de que não é capaz e se frustre.

Se uma pessoa muito ligada a você, por exemplo, inicia um curso qualquer, e você não tem o mínimo talento para essa atividade, sente-se inferior.

Se um amigo começa um regime para emagrecer, e você está se sentindo um pouco acima do peso, faz o mesmo regime e não perde um único grama, sente-se infeliz.

Se, na Academia que frequenta, as pessoas ao seu redor fazem proezas enquanto você apenas faz tentativas vãs, a vontade de desistir é quase inevitável.

Essas, entre tantas outras situações, podem ocasionar desestímulo e sensação de fracasso.

No entanto, ao admitir que você é um ser único, e não há no Universo ninguém igual a você, todas as frustrações desaparecem.

Ao invés de olhar ao redor, tentando superar os outros, buscará conhecer suas próprias possibilidades, talentos e limitações, e buscará superar a si mesmo.

E então, cada conquista, ainda que mínima, será uma vitória real.

Considere que você, e somente você, deve servir de parâmetro quando se trata de conquistas próprias.

As conquistas dos outros são dos outros, e todos tiveram ou têm limitações a superar e talentos conseguidos com os próprios esforços.

Não há dúvida que podemos almejar determinadas conquistas que outros já possuem, mas não devemos querer tê-las prontas.

Cada esforço deve ser tentado com lucidez, pela autossuperação, e não por desejar superar a quem quer que seja.

Sempre existe algo que você faz melhor que os outros e algo que os outros fazem melhor que você, e isso não deve ser motivo para desanimar.

A verdadeira grandeza está justamente em reconhecer essa realidade e aceitá-la com maturidade.

Embora haja um forte apelo social para que acreditemos que somos uma massa uniforme, que devemos seguir determinados padrões, continuamos a ser indivíduos únicos.

Reflita sobre essas questões e tenha uma conversa consigo mesmo.

Analise-se com carinho e atenção, para conhecer seus limites e tente superá-los, sem neuroses.

Conheça seus talentos e reforce-os, sem pretensões descabidas.

Cresça de forma efetiva, para ser a cada dia melhor que no dia anterior. Melhor que você mesmo, e não melhor que os outros.

Não há clones de você e tampouco você é clone de alguém, por mais que se pareça fisicamente com outra pessoa.

Nem mesmo irmãos gêmeos estão nivelados nas experiências. Cada um tem seus limites e potencialidades singulares.

* * *

Você é um Espírito ímpar.

Pode até imitar muito bem outras pessoas, mas ainda nisso você será sempre único.

Seu perfume espiritual é único. Suas emoções são intransferíveis.

Deus criou você para que seja você mesmo, ninguém mais.

Pense nisso, e busque vencer os próprios limites para ser cada dia melhor que na véspera.


 

Redação do Momento Espírita.
Em 12.12.2018.

Nossa Liberdade

Possivelmente todos gostaríamos de desfrutar de ampla liberdade.

Liberdade de ir e vir sem dar satisfações, fazer coisas sem sermos questionados, seguir as próprias vontades quando e onde estivéssemos.

De certa forma, somos senhores dessa total liberdade, que não percebemos.

Embora presos ao corpo material, somos Espíritos portadores da grande e potente liberdade de pensar.

Daí, o dever de buscarmos conhecer esse nosso atributo para fazer bom uso dele, visando o próprio progresso.

Nossos pensamentos são ondas eletromagnéticas geradas pela nossa mente.

Ao pensarmos, colocamos em movimento essa energia, que viaja pelo espaço com uma velocidade maior que a da luz.

Enquanto nosso corpo dorme, nossa alma se exterioriza e nos vemos mais senhores dessa liberdade, viajando ao sabor de nosso livre-arbítrio.

Ao meditarmos, podemos também atingir variados graus de desprendimento da matéria.

É sobre essa liberdade que alguns sábios afirmavam que poderiam ter presos os seus corpos, mas não os seus pensamentos.

De fato, o Espírito é livre.

*   *   *

Em pensamento, viajamos ao futuro, idealizando nossos desejos.

Quantas vezes, conseguimos visualizar cenas e pessoas, que temos certeza já ter visto e conhecido.

Pensando, recordamos o passado e revivemos alegrias ou tristezas, podendo guardar os bons momentos, e reformular ideias e lembranças que nos marcaram negativamente.

Ao pensar, podemos manter contato com nossos amores que partiram da Terra, embora, desconhecendo essa possibilidade, nem sempre valorizemos essa oportunidade.

Através desse simples ato, podemos presentear nossos bem-amados com vibrações de estímulo, abraços, carinho.

É com o pensamento em oração que podemos alcançar as regiões espirituais superiores.

E nos mantendo concentrados por alguns momentos mais, podemos sentir um bem-estar, que dificilmente conseguimos nas correrias da vida prática.

Buscando conhecer a nossa realidade espiritual, descobrimos quanta liberdade temos, e não sabíamos.

Trabalhando a forma de bem utilizar essa liberdade aprendemos a nos desligar das sintonias negativas para melhor usufruir tamanha bênção.

Entendendo essa dinâmica do pensamento, nos tornamos mais responsáveis, podendo nos disciplinar, evitando aqueles que nos possam fazer mal.

A física quântica nos diz que somos o que pensamos, mostrando a seriedade do assunto.

Isso nos leva a prestarmos mais atenção não somente no que falamos, mas também no que pensamos.

Isso nos levará a sentirmos imensa liberdade, seguida da adequada responsabilidade, para adquirirmos a nossa verdadeira alegria de viver.

Assim, obedeçamos as leis humanas que regem nossas vidas físicas, mas tendo por meta as leis celestiais, que nos mostram o caminho para a realização moral.

Fazendo bom uso da liberdade que temos, seremos felizes.

Redação do Momento Espírita.
Em 24.11.2018.

AULAS DE GENTILEZA

Falar baixo é uma das lições ensinadas nas aulas de gentileza, que os alunos da quinta série de uma escola da Alemanha são obrigados a assistir.

A escola fica na cidade de Bremem e a disciplina "trato, modos e conduta" foi implantada depois que a direção tentou que os alunos aprendessem a conviver com mais respeito - entre eles mesmos e com os professores.

Na sala de aula, eles são apresentados às regras básicas de comportamento, e treinam o uso de expressões como "Com licença" e "Obrigado".

Quando a matéria foi implantada no currículo escolar, gerou controvérsias e virou assunto na imprensa.

A necessidade surgiu diante da constatação de uma realidade que as empresas vinham enfrentando há muito tempo. Verificaram que os jovens recém-saídos das escolas desconheciam as regras elementares de convívio social.

O então presidente da Confederação dos Empresários da Alemanha disse, numa entrevista, que os jovens chegavam com excelente capacitação técnica, mas não conseguiam interagir de forma civilizada.

*   *   *

Essa situação nos leva à reflexão sobre a formação das crianças e jovens de hoje. De nada adianta as pessoas terem um excelente currículo e não conseguirem tratar o outro com civilidade.

Educação é tarefa primordial dos pais. Temos a obrigação de ensinar aos filhos as regras básicas de convivência social.

Se a criança não aprende desde cedo, dentro de casa, a tratar com bons modos os próprios pais e irmãos, não virá a se comportar como um indivíduo civilizado.

Cuidemos para não deixar lacunas na formação de nossos filhos.

Devemos nos preocupar em demonstrar, através do exemplo, respeito por todos aqueles com os quais nos relacionamos, a começar dentro do próprio lar.

Coloquemo-nos no lugar dos outros, inclusive de nossos servidores e não nos esqueçamos de que todos gostamos de receber gentilezas.

É comum justificarmos que as preocupações em excesso, a ansiedade dos tempos modernos e a falta de tempo são responsáveis por comportamentos grosseiros.

Convenhamos que a delicadeza e a educação não têm a ver com essas circunstâncias. Comportamentos injustificáveis nos mostram que está faltando controle sobre as próprias ações e, acima de tudo, respeito para com o próximo.

Não podemos achar natural agir com falta de cortesia.

Pode parecer difícil agir com amabilidade no mundo competitivo e individualista em que vivemos, mas não devemos abrir mão de nossas convicções.

É lamentável que as expressões Com licença, Por favor e Obrigado estejam sendo usadas com menor frequência.

Muitas vezes vivenciamos situações em que as pessoas agem com esperteza e driblam regras de educação com o objetivo de obter alguma vantagem ou conseguir algo mais rápido.

Caso venhamos a sofrer indelicadezas, não nos deixemos envolver por essas atitudes e sigamos em frente dando bom exemplo, mesmo que seja através do nosso silêncio.

Formalidades em excesso muitas vezes são dispensáveis, mas respeito mútuo, consideração e boas maneiras são essenciais aos relacionamentos.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
Gentileza, do livro A arte de ser leve, de
Leila Ferreira, ed. Globo.
Em 21.11.2018.

 

APROVEITAR O DIA

A claridade, que insiste entrar por entre as frestas da janela, anuncia que um novo dia começa.

A luz matinal, que faz abrir flores, que modifica o funcionamento de nosso organismo, nos chama, nos convida a acordar.

Depois do devido descanso do corpo mais uma oportunidade se apresenta: a de iniciarmos um dia produtivo com o compromisso de seguirmos na direção do bem.

Um dia que deve começar com uma oração agradecendo o repouso seguro e confortável. E pedido por horas de trabalho e de estudo.

Um dia que comece com um afetuoso Bom dia àqueles com quem moramos, pois sempre é tempo de lhes demonstrar nossa afeição.

No contato inicial do dia, com nossos familiares, cada minuto é precioso. Nunca é cedo demais para dizer a eles que os amamos e que, apesar da distância física que os afazeres diários nos impõem, o amor nos mantém ligados.

No trajeto ao trabalho ou ao estudo que nossos pensamentos sejam de ânimo e encorajamento. Jamais de indolência.

Que cada minuto em nossas atividades seja aproveitado adequadamente. Para tal é preciso que nossa mente esteja em sintonia com a tarefa que realizamos.

Não deixemos que nossos pensamentos se distanciem daquilo que fazemos, com a desculpa de cansaço ou falta de concentração. Aquele que assim procede perde, constantemente, oportunidades de se autodisciplinar.

Que cada dificuldade enfrentada seja para nós a oportunidade de crescer, de nos superar. Este deve ser o sentimento a nos acompanhar diariamente.

Um ditado popular muito conhecido traz em si uma grande verdade quando diz que não devemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje.

Obviamente que este ditado não nos deve compelir a abraçar tarefas demais, de forma que nenhuma delas possa ser terminada, pois desta maneira acabaríamos por desperdiçar nosso tempo.

A verdadeira lição é a de tornar os dias produtivos. É a de não desperdiçar tempo útil na falsa ideia de que temos que descansar excessivamente adiando sempre o aprendizado.

Não duvidemos do grande ensinamento que são, para nós, o trabalho e o estudo, os quais, quando bem aproveitados, nos permitem colher frutos suaves e doces.

Há alguns anos, um filme exibido nos cinemas e que fez muito sucesso, tornou conhecida a expressão carpe diem, do poeta romano Horácio. Tal expressão foi traduzida por alguns como aproveitar o dia, sem pensar no amanhã.

Obviamente esta tradução estimulou apenas aqueles que buscam aproveitar os prazeres do dia, sem nada construir para o amanhã, desperdiçando preciosas oportunidades.

Aproveitar o dia

A claridade, que insiste entrar por entre as frestas da janela, anuncia que um novo dia começa.

A luz matinal, que faz abrir flores, que modifica o funcionamento de nosso organismo, nos chama, nos convida a acordar.

Depois do devido descanso do corpo mais uma oportunidade se apresenta: a de iniciarmos um dia produtivo com o compromisso de seguirmos na direção do bem.

Um dia que deve começar com uma oração agradecendo o repouso seguro e confortável. E pedido por horas de trabalho e de estudo.

Um dia que comece com um afetuoso Bom dia àqueles com quem moramos, pois sempre é tempo de lhes demonstrar nossa afeição.

No contato inicial do dia, com nossos familiares, cada minuto é precioso. Nunca é cedo demais para dizer a eles que os amamos e que, apesar da distância física que os afazeres diários nos impõem, o amor nos mantém ligados.

No trajeto ao trabalho ou ao estudo que nossos pensamentos sejam de ânimo e encorajamento. Jamais de indolência.

Que cada minuto em nossas atividades seja aproveitado adequadamente. Para tal é preciso que nossa mente esteja em sintonia com a tarefa que realizamos.

Não deixemos que nossos pensamentos se distanciem daquilo que fazemos, com a desculpa de cansaço ou falta de concentração. Aquele que assim procede perde, constantemente, oportunidades de se autodisciplinar.

Que cada dificuldade enfrentada seja para nós a oportunidade de crescer, de nos superar. Este deve ser o sentimento a nos acompanhar diariamente.

Um ditado popular muito conhecido traz em si uma grande verdade quando diz que não devemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje.

Obviamente que este ditado não nos deve compelir a abraçar tarefas demais, de forma que nenhuma delas possa ser terminada, pois desta maneira acabaríamos por desperdiçar nosso tempo.

A verdadeira lição é a de tornar os dias produtivos. É a de não desperdiçar tempo útil na falsa ideia de que temos que descansar excessivamente adiando sempre o aprendizado.

Não duvidemos do grande ensinamento que são, para nós, o trabalho e o estudo, os quais, quando bem aproveitados, nos permitem colher frutos suaves e doces.

Há alguns anos, um filme exibido nos cinemas e que fez muito sucesso, tornou conhecida a expressão carpe diem, do poeta romano Horácio. Tal expressão foi traduzida por alguns como aproveitar o dia, sem pensar no amanhã.

Obviamente esta tradução estimulou apenas aqueles que buscam aproveitar os prazeres do dia, sem nada construir para o amanhã, desperdiçando preciosas oportunidades.

Para todos aqueles que buscam o real crescimento espiritual e moral, a expressão carpe diem será traduzida como aproveitar, de maneira útil e responsável, cada minuto do dia, nos preparando para um amanhã melhor.

Quando amadurecemos...

Quando os meses se multiplicam, acrescentando anos à nossa vida física, vamos modificando nossa forma de ver o mundo, de sentir o que acontece conosco.

Os anos vão nos proporcionando experiências, em que se somam conquistas e derrotas, alegrias e dores, sucessos e fracassos.

Isso, aliado a perda de afetos, que realizaram a grande viagem ou tomaram rumos diferentes dos nossos, colabora para que amadureçamos.

Com esse amadurecimento, passamos a considerar mais o tempo que possamos desfrutar com as pessoas.

Então, a festa passa a ter importância pelas pessoas com as quais nos encontraremos, que poderemos rever, arrefecendo as saudades, do que com o traje que usaremos.

Daremos mais importância aos abraços, aos diálogos, à convivência, do que ao cardápio servido.

Olharemos mais nos olhos das pessoas do que no seu penteado, nos cabelos longos ou curtos, lisos ou cacheados.

Estaremos mais atentos às palavras que nos forem dirigidas, às indagações que demonstrem interesse por nós do que à maquiagem mais suave ou mais forte de quem se nos aproxime.

Ficaremos mais focados nas expressões das pessoas do que preocupados em verificar as mensagens no celular.

Desfrutaremos cada minuto em totalidade, vivendo a festa integralmente.

Quando nos perguntarem, depois, se ela foi boa, diremos entusiasmados que foi excelente;  que falamos com Fulano; reencontramos Beltrano; abraçamos a Cicrano.

De certa forma, é como se retornássemos aos dias da infância, quando o mais importante era estar presente no aniversário do amigo, brincar, se divertir do que os doces, o bolo, as guloseimas ofertadas.

Tanto que quase sempre, ao retornarmos para casa, surpreendíamos nossa mãe pedindo algo para comer.

Época em que, embora nossa mãe se preocupasse em que fôssemos bem vestidos, era mais do que comum chegarmos em casa com a roupa amarrotada.

Por vezes, o calçado meio estragado pelas tantas disputas de corridas com os amigos ou os muitos chutes na bola, no jogo de futebol.

Anos passados fazem bem a todos que lhes saibamos extrair a sabedoria, o que tenham de melhor.

Anos somados nos amadurecem e nos propiciam descobrir o real sentido das coisas, o que nos permite conferir a cada uma o devido valor.

Nem mais, nem menos.

A festa de formatura do filho nos deixará felizes, sem preocupações exageradas pelo traje, pelo buffet. Afinal, o que estamos comemorando é a vitória de anos de estudo.

Uma vitória da qual participamos, a cada dia, desde os primeiros anos escolares, ao vestibular, aos bancos universitários.

Preocupações com as notas, as noites mal dormidas, pelo estudo intenso.

Sim, padecemos juntos. Agora, é o momento de nos alegrarmos com ele, com os amigos, com os familiares.

Enfim, a cada dia, a vida nos dirá que as horas devem ser usufruídas para as coisas verdadeiramente importantes: para os sorrisos das alegrias, para as lágrimas de frustração ou tristeza.

Porque tudo tem seu valor, se as sabemos viver de forma total.

Pensemos nisso.

Arrependimento e ação

Dentre as emoções mais amargas sentidas pelos seres humanos está o arrependimento.

Ele chega tardiamente, embrulhado em sombras, trazendo o amargo do fel.

Insinua-se como tóxico penetrante, quando não irrompe desgovernado, produzindo desastre...

Nunca antecipa sua presença mas, quando chega, mata a esperança, subjuga a coragem e vence a resistência.

É útil para despertar a consciência e desastroso para a convivência demorada, porque destrói a vida.

Assim, o arrependimento deve ser aproveitado, pela alma que o sente, para elevar-se acima da sua influência nociva.

Quando a luz do arrependimento se acende na consciência culpada, ela visualiza, com nitidez, os desatinos cometidos e se julga irremediavelmente perdida.

Mas o arrependimento, ao contrário do que se pensa, é bênção que possibilita maturidade ao arrependido e convite para a reparação.

É a porta que se abre para que a alma equivocada busque o acerto e se renove para Deus.

Assim, se o arrependimento nos visita, não façamos dele motivo para o desalento.

O agricultor desavisado, que semeia espinhos ao invés de boas sementes, ou desleixado, que permite o alastramento das ervas daninhas, quando se dá conta de que sua lavoura corre perigo, não pode ficar se lamentando, de braços cruzados.

Ao contrário, deve agir rapidamente para recuperar o tempo perdido.

Começa por arrancar os espinheiros e limpar a lavoura. Depois é tempo de preparar o solo e lançar sementes que produzam bons frutos.

Jesus, profundo conhecedor dos mapas que norteiam a intimidade dos seres, nos ensinou como proceder quando visitados pelo arrependimento: Tomar do arado, e não olhar para trás.

Um exemplo célebre na História do Cristianismo é o de Maria de Magdala.

Mulher jovem e bonita, desfrutava dos prazeres passageiros e vazios. Mas, quando ouviu uma proposta de felicidade efetiva, refez as metas, fortaleceu os ânimos e reformulou o próprio proceder.

Não ficou livre das consequências dos atos pretéritos, mas não vacilou ante o campo que o Mestre lhe ofereceu para ser trabalhado.

Outro grande exemplo é o do rabino de Tarso. De perseguidor dos seguidores de Jesus, se transforma no grande Apóstolo.

Apóstolo que tudo enfrenta em nome da divulgação da Boa Nova: açoites, apedrejamentos, prisão. Nada o detém e ele somente tem os olhos postos na meta que estabeleceu.

O profeta Ezequiel escreve, no Antigo Testamento, que o desejo do Criador não é a morte do mau, mas a eliminação da maldade.

Mas para que haja essa eliminação é preciso que o mau caia em si, qual filho pródigo e se volte para o Pai.

*   *   *

Assim, se o arrependimento bater nas portas da nossa consciência, acolhamo-lo com a tranquilidade de quem reconhece que se equivocou, mas que deseja, sinceramente, refazer a lição com acerto.

E, para evitar arrependimentos futuros convém que façamos, no momento presente, o melhor que estiver ao nosso alcance.

A consciência é o guia seguro para nortear nossas atitudes, uma vez que nela estão inscritas as leis divinas.

Pensemos nisso!

SEGUINDO MODELO E GUIA

Quando abraçamos a doutrina cristã, quando adentramos pelas reflexões dos Evangelhos, nos sentimos estimulados à mudança da nossa forma de ser.

O entusiasmo da primeira hora é grande. Ficamos empolgados com a perspectiva de nos tornarmos verdadeiros seguidores de quem é o Modelo e Guia da Humanidade, Jesus.

Lemos a respeito dos desafios e das vitórias dos primitivos cristãos e nos propomos a ser, como eles, fiéis seguidores do Mestre de Nazaré.

Na sequência dos dias, vamos nos dando conta de que os antigos hábitos, aquilo tudo que constitui em nós o homem velho, fala muito alto.

As dificuldades vão surgindo a cada passo. E, quase caímos no desânimo por constatarmos tão grande o abismo entre a teoria almejada e a prática eficiente.

Isso é algo que ocorre com todos os que ambicionamos mudanças de comportamento, tendo em vista os hábitos que temos enraizados.

Embora nos digamos cristãos, não é tarefa fácil seguir o Mestre, único ser perfeito que transitou pela Terra.

Conhecemos os ensinamentos dEle, queremos adotá-lo como Modelo de nossas vidas, mas parece que o espelho de que nos servimos está riscado e distorce a imagem.

Queremos fazer as coisas certas nos momentos certos, mas justamente aí nos decepcionamos conosco mesmos.

Ficamos entristecidos por adotarmos, vez ou outra, comportamentos jamais imaginados por serem totalmente incoerentes com o ensino cristão.

Em momentos em que nos propomos a usar da bondade, nos surpreendemos em maledicência e maldade.

Quando imaginamos ter compreendido a forma otimista de agir, no mundo em que nos movemos, apresentamos sinais de desespero por coisa alguma, um quase nada.

O amor fraternal do Mestre nos emociona, no entanto, nos surpreendemos incentivando a discórdia e a separação.

Elogiamos a simplicidade do Rabi, e complicamos nossas próprias vidas.

Em síntese: nos descobrimos muito mais tempo longe dos atos cristãos do que executando-os, em nosso cotidiano.

*   *   *

Importante estarmos atentos aos nossos passos e comportamentos para não nos decepcionarmos conosco mesmos.

Não esperemos nos transformar em pessoas maravilhosas, de um momento para o outro. Toda mudança exige esforço, perseverança.

Não basta expressarmos a vontade de mudar. É preciso nos trabalharmos, a cada momento, pensar e repensar cada atitude.

Se abraçamos Jesus como nosso Modelo de vida, cabe-nos seguir Seus exemplos marcantes, para que a construção do nosso novo ser se concretize.

Desejando seguir Suas pegadas, é preciso que andemos pelos caminhos da mansidão, do amor e do perdão que Ele exemplificou.

Se O elegemos como Guia, fiquemos atentos para não nos perdermos no traçado dessa rota bendita.

Ele afirmou ser o Caminho, a Verdade e a Vida, e que ninguém vai ao Pai senão por Ele.

Dessa forma, dediquemo-nos a amá-lO, a segui-lO, passo a passo, reformulando cada atitude equivocada.

Tenhamos paciência conosco mesmos e não abandonemos a trilha da renovação, que se fará, com constância e persistência.

Prossigamos para o Alto.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 167,
do livro Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia
de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 6.10.2018.