Momento Espírita
O que faz uma vida feliz

A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, tem o que é considerado o estudo mais longo acerca da felicidade.

O Harvard Study of Adult Development existe desde 1938 e observou, desde então, a vida de setecentos e vinte e quatro jovens. Acompanhou seu crescimento, suas famílias e as novas gerações.

O estudo abrange diversas áreas, mas a principal delas diz respeito à análise do nível de felicidade dessas pessoas.

As observações minuciosas buscaram responder à questão: O que faz uma vida feliz?

E as principais conclusões foram as seguintes: conexões sociais são muito boas para nós, enquanto a solidão mata.

As pessoas que são mais conectadas socialmente, à família, amigos e comunidade, são mais felizes, são fisicamente mais saudáveis e vivem mais.

Não se trata apenas do número de pessoas à volta, do número de amigos que têm, ou se estão num relacionamento sério ou não, mas, principalmente, da qualidade dos relacionamentos mais próximos.

O estudo também concluiu que os bons relacionamentos não protegem apenas nossos corpos, mas também nosso cérebro.

As pessoas que mantêm bons relacionamentos, sobretudo quando estão em avançada idade, têm sua memória melhor preservada, isto é, ela se mantém viva por mais tempo.

O diretor atual da pesquisa, Robert Waldinger, afirma que essas relações não precisam ser perfeitas, onde só reine a paz, sem problemas ou discussões.

Não, o que mais importa, segundo ele, é o fato de um saber que pode contar com o outro. E que esses pequenos problemas do dia a dia não se fixam na memória. As relações em si sempre falarão mais alto.

* * *

O homem deve progredir, mas não pode fazer isso sozinho porque não dispõe de todas as faculdades. Por isso precisa se relacionar com outros. No isolamento, se embrutece e se enfraquece.

Nenhum ser humano possui todos os conhecimentos. Pelas relações sociais é que se completam uns aos outros para assegurar seu bem-estar e progredir.

Tendo necessidade uns dos outros, somos feitos para viver em sociedade e não isolados.

Desses laços, os familiares são aqueles que representam os de maior importância, pois muitos deles são escolhidos ou aceitos num planejamento prévio de cada nova encarnação.

Isso quer dizer que podemos escolher em que lar iremos nascer, se tivermos merecimento e discernimento para tal. O que acontece, para a maioria de nós, é uma escolha por necessidade, isto é, precisamos estar vinculados a esse ou aquele lar por compromissos anteriores.

Pensando assim, a felicidade nas relações sociais na família poderá ter dupla causa: a primeira está no próprio laço em si, que nos faz mais felizes por poder contar com amores ao nosso lado.

A segunda, pela chance de podermos resgatar débitos do passado, de ajudar quem prejudicamos e, em muitos casos, como missões, auxiliar Espíritos que vêm à Terra em condições precárias, necessitando de orientação e amorosidade.

O que faz uma vida feliz? Viver boas relações em que se possa doar, mais do que receber. Amar, acima de tudo.

Redação do Momento Espírita, com base
na questão 768, de O Livro dos Espíritos,
de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 13.2.2019

Tutelares da felicidade

O empresário saiu de casa esbravejando. Era comum se atrasar e, naquela manhã, ele tinha uma importante reunião agendada.

Ao parar o carro em um sinaleiro, deparou-se com seu vizinho que, de imediato, abaixou a vidraça do seu veículo, a fim de cumprimentá-lo.

Como sempre, perguntaria de sua família, do andamento dos negócios, do tempo. Irritado, ele preferiu fingir que não o vira, para evitar a conversa.

Poucos metros dali, ao parar no semáforo, uma senhora idosa depositou um pacotinho de balas sobre o retrovisor, ofertando-o à venda.

Ela demorou a retirar o pacote, pois caminhava vagarosamente. Impaciente, ao abrir o sinal, o homem atirou longe as balas, fazendo com que os olhos dela se enchessem de lágrimas, humilhada.

Mais à frente, por conta do trânsito intenso, havia enorme fila de carros. Quando o empresário avistou aquele caos, maldisse o trânsito, a rota escolhida, o motorista que estava na sua frente.

De maneira a tomar outro caminho, cruzou o canteiro central da movimentada avenida, esmagando diversas flores ali plantadas.

Finalmente, chegou ao escritório. Não deu atenção aos cumprimentos que lhe foram dirigidos e tratou de forma grosseira a secretária, que veio repassar os compromissos do dia.

Enfurecido, adentrou à sala de reuniões.

* * *

Em outro local da cidade, outro homem, calmamente, saiu de casa. Parou seu carro em um sinaleiro, encontrando seu vizinho.

Abaixou a vidraça, a fim de cumprimentá-lo. Percebeu que ele fingiu não tê-lo visto. Desculpou-o: era um empresário ocupado. Possivelmente, não queria se distrair de suas responsabilidades.

Mais adiante, em outro cruzamento, uma senhora colocou sobre o retrovisor do seu carro um pequeno pacote de balas.

Ele a encontrava todos os dias e, mesmo que não comprasse com frequência o produto oferecido, fazia questão de abrir a vidraça e cumprimentá-la.

Algumas quadras depois, por conta do grande fluxo de veículos, o trânsito estava parado.

Aproveitou então para contemplar as delicadas flores que, há alguns meses, haviam sido plantadas no canteiro central.

Tratava-se de ação voluntária dos residentes da casa de idosos que margeava a avenida. Todas as primaveras, alguns deles semeavam flores, numa espécie de homenagem à vida.

Pouco a pouco, a lentidão do trânsito se desfez. O homem chegou ao trabalho com tempo para cumprimentar os colegas, sorrir, tomar um cafezinho.

* * *

Bastante repetido, o dito popular afirma que a beleza está nos olhos de quem a vê.

Diariamente, entramos em contato com a realidade que nos cerca.

Todavia, ela não nos é imposta. Somos nós que a construímos, de acordo com nossos valores, princípios e sabedoria.

Observemos: enquanto alguns se incomodam com o canto dos pássaros, outros se alegram com as suas sinfonias.

Que realidade estamos criando? Com que olhos temos contemplado a vida?

Lembremo-nos: somente nós somos responsáveis pelas decisões que tomamos. Consequentemente, somos os tutelares de nossos desgostos e de nossas alegrias.

Felizes seremos se tivermos isso em conta.

Conforme asseverou Jesus: Quem tem olhos de ver, veja!

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita.
Em 6.2.2019.

A PRESENÇA DO AMOR

Em tudo e em toda parte palpita em gérmen o amor de Deus, Nosso Pai Criador.

            Nas galáxias pulsantes como nos microrganismos a divina presença do amor se faz responsável pelo desatar das forças inatas que alcançam as suas finalidades.

            No bruto, o amor que dormita é sempre de vida que se irradia através dos instintos. No sábio, é doação, em forma de renúncia e de humildade, fazendo-o compreender a própria pequenez ante a grandeza da Vida.

            Sem o amor a vida não existiria, porquanto, o  primeiro gesto do Criador, no rumo da Criação, é uma exteriorização do Seu amor.

            Porque sentiu nalma o amor arrebentar os limites em que se detinha, Francisco de Assis vitalizou a Igreja, que se encontrava em deperecimento. Embriagado de amor, em face dos sofrimentos humanos, Vicente de Paulo ergueu a beneficência a um ponto dantes não alcançado.

            Estuante de amor, Teresa Dávila consorciou-se com o espírito superior do Cristo, em profundo intercâmbio, levantando a obra da fé, quando a decadência irrompeu em dissensões e lutas tiranizantes na religião da época.

            Tocado pelo amor da verdade, Antônio de Paula ergueu o verbo inflamado, e ele próprio se transformou superando limites da matéria para bem servir ao Mestre Jesus.

            Jesus, por amor, renunciou à glória estelar, mergulhando nas sombras do Orbe planetário, a fim de alçar o homem da sua pequenez à luminosidade solar.

            É o amor que emula o santo para perseverar no sacrifício.

            É o amor que imprime no herói as marcas da mansidão e da justiça.

            É o amor que levanta o campeão do trabalho, na edificação do bem geral.

            É o amor que penetra a alma abrasada pela beleza e pelo bem, fazendo-a crucificar-se no ideal a que se entrega em regime de totalidade.

            Quando o homem não sabe identificar para viver a expressão sublime do amor, brutaliza-se.

            Vinculado às paixões primeiras, ao longo dos embates pelo amor, disciplina-se e se levanta para expressões superiores da felicidade.

            Em qualquer estado da vida, no tempo e no espaço, o amor trabalha, edificando o mundo melhor. Por esse amor de profundidade, vinculemo-nos a Jesus, oferecendo-nos para este momento de mudanças no planeta de sombras, ante a expectativa do amanhecer da Era Nova em favor de uma Humanidade feliz.

            O Sábio que não ame, tornar-se-á um monstro, por aplicar indevidamente os conhecimentos de que se enriquece.      A Inteligência destituída de amor é arma perigosa nas mãos da impulsividade e do desequilíbrio. Quando a Razão não sabe como conduzir o homem, o amor aponta-lhe a rota a seguir, facilitando-lhe o empreendimento ditoso.

            Graças ao amor, a jornada, mesmo áspera, se torna ditosa, concitando o caminhante a não desanimar, nem desistir, nem parar, prosseguindo intimorato até o momento final da luta.

            O amor de Deus, que tudo vitaliza, é o apelo para que o nosso amor vitalize uns aos outros nesta maravilhosa aventura da evolução.

 

Livro: TERAPÊUTICA DE EMERGÊNCIA. Diversos Espíritos. Fabiano de Cristo (Espírito). Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. Salvador. BA. 1983. Pág. 116.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR. [email protected]

O essencial e o acessório

Ela fora uma menina muito esperta, aprendendo tudo com facilidade e se esmerando na prática do que fazia, tanto no lar como na escola.

Quando jovem estava muito à frente de sua idade, recebendo carinho e respeito pelo seu comportamento e pela integridade moral.

Formou-se professora primária e chamava a atenção pela competência, dedicação e carinho para com as crianças.

Dizia estar feliz com a escolha realizada e sonhava com a possibilidade de um dia poder dirigir a sua própria escola.

No templo religioso a que estava vinculada, evangelizava crianças com tanto carinho e esmero, que as conquistava para Jesus, de imediato.

No entanto, sua vida trazia planos mais urgentes e determinados, que precisavam ser realizados.

Ao se casar, com alegria esperou pelo seu primeiro filho, que chegou trazendo consigo necessidades especiais.

Imprescindível sua presença junto ao pequeno, totalmente dependente, em tempo integral.

Suspendeu seus planos anteriores, programando e mantendo apenas as suas atividades espirituais no templo.

Buscou, desde então, utilizar seus dons, aprendizados, paciência e dedicação junto ao pequeno, que se tornou seu maior tesouro.

Décadas rolaram, e sua vida continuou sendo totalmente entregue ao filho.

Quando lhe perguntavam sobre os sonhos da juventude, apenas dizia que na vida é necessário distinguir e optar para o que é essencial, entre tudo o mais, que se torna acessório.

* * *

Nem todos conseguimos ter essa clareza de visão.

Muitos damos mais valor para o que é acessório, do que para as coisas que são realmente essenciais.

Inadiável identificarmos o que é essencial, o que é realmente importante para nós.

Devemos ter plena consciência de que o essencial sempre ocupará posição mais destacada e decisiva em nossas vidas.

O essencial se realçará em nosso sentimento, mesmo que o acessório possa ter melhores aparências materiais.

Focar no que é essencial é elevarmos ao máximo nosso potencial de contribuição a algo, ou alguém.

Importante sermos uma pessoa que valoriza a essência, e não a simples aparência dos fatos e da vida.

É mais producente cultivarmos os valores reais do que nos tornarmos um mito vazio, em um mundo de ilusões.

Quando abandonamos o que nos é essencial, perdemos a identidade.

Vivemos em grandes conflitos, porque colocamos a nossa vontade à frente da vontade divina.

É sinal de humildade deixar o Senhor conduzir nossa vida, porque sozinhos nada somos, nem podemos.

Aceitando a vontade de Deus em nossas vidas, tudo se torna simples, porque Deus é Pai de amor, justiça e caridade.

Ele só nos pede as coisas essenciais, só Ele sabe o que é melhor para cada um de nós.

Deus é a puríssima essência. Ter foco no que é de fato essencial envolve aparentemente perder, para efetivamente ganhar.

O segredo da vida não é ter tudo que se quer, mas aceitar e amar tudo que Deus nos propõe. É atender o projeto de Deus para nós.

Amar a Deus, a nós mesmos e ao próximo é sentir o sol brilhando mesmo em um dia chuvoso.

Amar é ser feliz ao lado de quem se ama, não importando as condições do ser amado.

Redação do Momento Espírita.
Em 26.1.2019.

A honra

 

Conta-se que um promotor público, nomeado para uma cidade interiorana do sul do Brasil, ali chegou jovem e entusiasta.

Conhecedor da lei, amante da ordem e do direito, se propôs a realizar o melhor, naquela localidade.

Um dos primeiros casos que lhe chegou às mãos foi de um homem que, em plena praça, à vista de vários cidadãos, descarregara todas as balas do seu revólver em sua esposa.

Fora um crime bárbaro, cruel, presenciado por muitos. O jovem promotor estudou o caso e, com tranquilidade, se propôs a fazer a acusação daquele réu.

Para ele, não havia dúvidas. Tratava-se de um crime bárbaro. O homem, tomado de ciúmes, pois descobrira que a esposa o traíra, a matara de forma fria, premeditada.

Havia muitas testemunhas. O fato era notório. Não havia erro. Aquele homem seria condenado.

Contudo, no transcurso do processo, foi se tomando de surpresa o promotor.

O advogado do réu apresentou sua defesa baseado em que ele não deveria ser julgado culpado pois, afinal, fora brutalmente ofendido em sua honra.

A surpresa foi maior ainda quando o júri chegou ao veredito de inocente. Entenderam os jurados daquela cidade que o homem traído mais não fizera do que lavar a sua honra. E honra se lava com sangue.

Não se tratava de uma questão de direito, de certo e de errado, mas de como aquela gente entendia que tudo deveria ser resolvido.

E, no caso, somente a morte poderia lavar a honra daquele cidadão.

*   *   *

Em várias localidades, em nosso país e no mundo, muitos ainda acreditam que a honra se lava com sangue.

Quando ouvimos relatos de fatos semelhantes, aqui e ali, tentando justificar atos de violência, ficamos chocados.

Compete-nos refletir e pesar nossos valores.

Recordamos que, certa feita, Mohandas Gandhi, o líder pacifista da Índia, foi esbofeteado em pleno rosto.

O golpe fora tão rude que ele caíra. Levantou-se, limpou a poeira da roupa e, sereno, continuou o seu caminho.

Uma jornalista londrina teve oportunidade de lhe perguntar:

Senhor, o senhor não vai revidar?

Por que deveria? – Perguntou, tranquilo.

Mas, senhor, ele lhe esbofeteou a face. Feriu a sua honra.

Gandhi a olhou, profundamente, nos olhos e respondeu:

Minha jovem, minha honra não está no rosto.

Sim, sua honra como a de todos nós, não está no rosto. A honra está na alma e essa ninguém a pode remover, senão nós mesmos.

Manchamos nossa honra de filhos de Deus quando nos permitimos revidar agressões, descer ao nível do agressor.

Dilapidamos nossa honra quando nos permitimos compactuar com a mentira, com a corrupção, com o crime de qualquer nível.

Pensemos nisso e nos mantenhamos no bem, no caminho do reto dever, mesmo que as circunstâncias pareçam contra nós.

Recordemos a exortação do divino pastor: Quem perseverar até o fim, este será salvo!

Perseveremos no bem, conservando a honra inigualável de filhos de Deus.

Redação do Momento Espírita, com base em fato narrado
por Sandra Della Pola, em palestra proferida no Teatro da
  Federação Espírita do Paraná, no dia 11 de julho de 2010.
Disponível no livro Momento Espírita, v. 10, ed. FEP.
Em 22.1.2019.

Virtude ideal

Certa vez, um homem considerado virtuoso visitou uma fazenda onde viviam duas famílias. Encontrou, logo à chegada, duas mulheres que o receberam com alegria.

Sentiam-se honradas em receber a visita de um homem tão perfeito. Sua fama o precedera. Elas lhe trouxeram comida, água fresca para dessedentar-se.

Ele lhes perguntou sobre suas vidas.

Elas, de forma muito simples, contaram que trabalhavam duro em casa e no campo, com seus maridos. Tinham muitos filhos amados de quem cuidavam. Sofriam doenças, pobreza e mortes, como todas as demais famílias.

Mas, e quanto a suas boas ações, perguntou-lhes o bom homem. O que fazem para Deus?

Elas se entreolharam e confessaram que nada faziam.

Não tinham dinheiro para dar, por serem muito pobres. Não tinham tempo de muito realizar por outras pessoas, pois suas próprias famílias as mantinham muito ocupadas.

Contudo, acreditavam-se felizes.

Ele se despediu delas e se foi.

Passando pela casa vizinha, como o intrigasse aquela vida tão simplória das duas mulheres, perguntou a um homem que trabalhava no jardim a respeito delas.

Ora, respondeu ele, são as melhores pessoas que já existiram. Moram aqui há vinte e cinco anos e ninguém ouviu qualquer animosidade delas. Já passaram por muitos sofrimentos.

Elas se importam com seus próprios problemas e recebem todos com palavras doces e um sorriso agradável.

Então, uma luz diferente se fez no íntimo daquele homem.

E pensou: Tenho vivido sozinho todos esses anos, controlando meu temperamento, sendo paciente e cordato. Mas será que eu poderia ter feito o mesmo com as preocupações de uma vida em família?

Já me habituei a viver com muito pouco, mas como estaria na pobreza, se outros sofressem além de mim? Não sei se poderia suportar a fadiga e o desgaste de ganhar o pão para outrem.

Verdadeiramente é mais difícil tornar-se um santo em casa do que num deserto.

E reconheceu que a verdadeira santidade é trabalhada no dia a dia, no trato com o semelhante.

Alçou uma prece profunda a Deus pedindo por uma nova chance: a de participar da vida comum onde desejava encontrar um espaço para devotar-se ao próximo e servir aos seus irmãos.

* * *

Ser bom, caritativo, laborioso, modesto são qualidades do homem virtuoso.

Toda criatura que possui virtudes não as ostenta. Tal qual a violeta, simplesmente espalha seu discreto perfume e se esconde entre a folhagem farta.

Pratica o bem com desinteresse completo, e inteiro esquecimento de si mesma.

* * *

 

E já é Ano Novo, outra vez

 

Quando chega, é sempre pleno de esperanças. Espera-se o Ano Novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas de vida, propósitos renovados para tantas coisas...

É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos para o Novo Ano.

Mesmo sabendo que o tempo somente existe em função dos movimentos estabelecidos pelo planeta em que nos encontramos, é interessante essa movimentação individual, toda vez que o novo período convencional de um ano reinicia.

Mas, falando de lista de bons propósitos, já se deu conta que, quase sempre, esquecemos o que listamos?

Alguns até esquecemos onde guardamos a tal lista, o que  atesta da  pouca disposição em perseguir os itens elencados.

Ano Novo deve ter um significado especial.

Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que, nos condicionando ao início de uma etapa diferente, renovada, sintamo-nos emulados a uma renovação.

Renovação de hábitos, de atitudes, como estar mais com a família, reorganizando as horas do trabalho profissional.

Importar-se mais com os filhos, lembrando-se de não somente indagar se já fizeram a lição, mas participar, olhando, lendo as observações feitas pelos professores nos cadernos, interessando-se pelos conteúdos disciplinares.

Sair mais com as crianças, não somente para passeios como a praia, a viagem de férias.

Mas, no dia a dia, um momento para um lanche e uma conversa, uma saída para deliciar-se com um sorvete.

Outros, para só ficar olhando a carinha lambuzada de chocolate, literalmente afundando-se na taça de sorvete.

Outros, mais longos, para acompanhar o passo vacilante de quem está aprendendo a andar.

Uma tarde para um papo com os que já estão preparando a mochila para se retirar do cenário desta vida, quem sabe, nos próximos meses?

Isto é viver Ano Novo. Sair com amigos, abraçar amigos, sorrir pelo simples prazer de sorrir.

Trocar e-mails afetuosos, não somente os corriqueiros que envolvam decisões e finanças. Usar o telefone para dar um Olá, desejar Boa viagemFeliz aniversário!

Bom, você também pode fazer propósitos de comer menos doces ou diminuir os carboidratos da sua dieta, visando melhor condição de vida ou simplesmente adequar seu peso.

Também pode pensar em mudar o visual. Quem sabe modificar o corte de cabelo, tentar pentear para outro lado, fazer uma visita ao dentista.

E é claro, um bom check-up. Porque cuidar da saúde é essencial.

Bom mesmo é não esquecer de formular propósitos para sua alma.

Assim, acrescente na lista: estudar mais, ler mais, entender mais o outro, devotar-se a um trabalho voluntário, servir a alguém com alegria e bom ânimo.

Com certeza, cada um terá outros muitos itens a serem acrescentados à lista.

Até mesmo coisas simples como alterar os roteiros de idas e vindas do trabalho-lar-escola.

Ou coisas mais complicadas, como se dispor a pensar um pouco no outro e não exclusivamente em si, no relacionamento a dois.

Imprescindível, no entanto, é que você coloque a lista à vista, para olhar muitas vezes, durante todo o Novo Ano.

Importante que se lembre de lê-la, para ir acompanhando o que já conseguiu e onde ou em que ainda precisa investir mais, insistindo, até a vitória.

Seja este Ano Novo o ano de concretas realizações na sua vida!

Redação do Momento Espírita.
Em 31.12.2018.

Autossuperação

Você já se sentiu, alguma vez, a pessoa mais incapaz da face da Terra?

Por que será que isso acontece?

Vamos refletir um pouco sobre essa questão.

Considere, em primeiro lugar, que você é uma pessoa única, não existe ninguém no Universo igual a você.

Você tem uma soma de experiências só suas. Tem sentimentos únicos e tem limites que são somente seus.

Então, é provável que ao tentar superar outra pessoa, tenha a sensação de que não é capaz e se frustre.

Se uma pessoa muito ligada a você, por exemplo, inicia um curso qualquer, e você não tem o mínimo talento para essa atividade, sente-se inferior.

Se um amigo começa um regime para emagrecer, e você está se sentindo um pouco acima do peso, faz o mesmo regime e não perde um único grama, sente-se infeliz.

Se, na Academia que frequenta, as pessoas ao seu redor fazem proezas enquanto você apenas faz tentativas vãs, a vontade de desistir é quase inevitável.

Essas, entre tantas outras situações, podem ocasionar desestímulo e sensação de fracasso.

No entanto, ao admitir que você é um ser único, e não há no Universo ninguém igual a você, todas as frustrações desaparecem.

Ao invés de olhar ao redor, tentando superar os outros, buscará conhecer suas próprias possibilidades, talentos e limitações, e buscará superar a si mesmo.

E então, cada conquista, ainda que mínima, será uma vitória real.

Considere que você, e somente você, deve servir de parâmetro quando se trata de conquistas próprias.

As conquistas dos outros são dos outros, e todos tiveram ou têm limitações a superar e talentos conseguidos com os próprios esforços.

Não há dúvida que podemos almejar determinadas conquistas que outros já possuem, mas não devemos querer tê-las prontas.

Cada esforço deve ser tentado com lucidez, pela autossuperação, e não por desejar superar a quem quer que seja.

Sempre existe algo que você faz melhor que os outros e algo que os outros fazem melhor que você, e isso não deve ser motivo para desanimar.

A verdadeira grandeza está justamente em reconhecer essa realidade e aceitá-la com maturidade.

Embora haja um forte apelo social para que acreditemos que somos uma massa uniforme, que devemos seguir determinados padrões, continuamos a ser indivíduos únicos.

Reflita sobre essas questões e tenha uma conversa consigo mesmo.

Analise-se com carinho e atenção, para conhecer seus limites e tente superá-los, sem neuroses.

Conheça seus talentos e reforce-os, sem pretensões descabidas.

Cresça de forma efetiva, para ser a cada dia melhor que no dia anterior. Melhor que você mesmo, e não melhor que os outros.

Não há clones de você e tampouco você é clone de alguém, por mais que se pareça fisicamente com outra pessoa.

Nem mesmo irmãos gêmeos estão nivelados nas experiências. Cada um tem seus limites e potencialidades singulares.

* * *

Você é um Espírito ímpar.

Pode até imitar muito bem outras pessoas, mas ainda nisso você será sempre único.

Seu perfume espiritual é único. Suas emoções são intransferíveis.

Deus criou você para que seja você mesmo, ninguém mais.

Pense nisso, e busque vencer os próprios limites para ser cada dia melhor que na véspera.


 

Redação do Momento Espírita.
Em 12.12.2018.

Nossa Liberdade

Possivelmente todos gostaríamos de desfrutar de ampla liberdade.

Liberdade de ir e vir sem dar satisfações, fazer coisas sem sermos questionados, seguir as próprias vontades quando e onde estivéssemos.

De certa forma, somos senhores dessa total liberdade, que não percebemos.

Embora presos ao corpo material, somos Espíritos portadores da grande e potente liberdade de pensar.

Daí, o dever de buscarmos conhecer esse nosso atributo para fazer bom uso dele, visando o próprio progresso.

Nossos pensamentos são ondas eletromagnéticas geradas pela nossa mente.

Ao pensarmos, colocamos em movimento essa energia, que viaja pelo espaço com uma velocidade maior que a da luz.

Enquanto nosso corpo dorme, nossa alma se exterioriza e nos vemos mais senhores dessa liberdade, viajando ao sabor de nosso livre-arbítrio.

Ao meditarmos, podemos também atingir variados graus de desprendimento da matéria.

É sobre essa liberdade que alguns sábios afirmavam que poderiam ter presos os seus corpos, mas não os seus pensamentos.

De fato, o Espírito é livre.

*   *   *

Em pensamento, viajamos ao futuro, idealizando nossos desejos.

Quantas vezes, conseguimos visualizar cenas e pessoas, que temos certeza já ter visto e conhecido.

Pensando, recordamos o passado e revivemos alegrias ou tristezas, podendo guardar os bons momentos, e reformular ideias e lembranças que nos marcaram negativamente.

Ao pensar, podemos manter contato com nossos amores que partiram da Terra, embora, desconhecendo essa possibilidade, nem sempre valorizemos essa oportunidade.

Através desse simples ato, podemos presentear nossos bem-amados com vibrações de estímulo, abraços, carinho.

É com o pensamento em oração que podemos alcançar as regiões espirituais superiores.

E nos mantendo concentrados por alguns momentos mais, podemos sentir um bem-estar, que dificilmente conseguimos nas correrias da vida prática.

Buscando conhecer a nossa realidade espiritual, descobrimos quanta liberdade temos, e não sabíamos.

Trabalhando a forma de bem utilizar essa liberdade aprendemos a nos desligar das sintonias negativas para melhor usufruir tamanha bênção.

Entendendo essa dinâmica do pensamento, nos tornamos mais responsáveis, podendo nos disciplinar, evitando aqueles que nos possam fazer mal.

A física quântica nos diz que somos o que pensamos, mostrando a seriedade do assunto.

Isso nos leva a prestarmos mais atenção não somente no que falamos, mas também no que pensamos.

Isso nos levará a sentirmos imensa liberdade, seguida da adequada responsabilidade, para adquirirmos a nossa verdadeira alegria de viver.

Assim, obedeçamos as leis humanas que regem nossas vidas físicas, mas tendo por meta as leis celestiais, que nos mostram o caminho para a realização moral.

Fazendo bom uso da liberdade que temos, seremos felizes.

Redação do Momento Espírita.
Em 24.11.2018.

AULAS DE GENTILEZA

Falar baixo é uma das lições ensinadas nas aulas de gentileza, que os alunos da quinta série de uma escola da Alemanha são obrigados a assistir.

A escola fica na cidade de Bremem e a disciplina "trato, modos e conduta" foi implantada depois que a direção tentou que os alunos aprendessem a conviver com mais respeito - entre eles mesmos e com os professores.

Na sala de aula, eles são apresentados às regras básicas de comportamento, e treinam o uso de expressões como "Com licença" e "Obrigado".

Quando a matéria foi implantada no currículo escolar, gerou controvérsias e virou assunto na imprensa.

A necessidade surgiu diante da constatação de uma realidade que as empresas vinham enfrentando há muito tempo. Verificaram que os jovens recém-saídos das escolas desconheciam as regras elementares de convívio social.

O então presidente da Confederação dos Empresários da Alemanha disse, numa entrevista, que os jovens chegavam com excelente capacitação técnica, mas não conseguiam interagir de forma civilizada.

*   *   *

Essa situação nos leva à reflexão sobre a formação das crianças e jovens de hoje. De nada adianta as pessoas terem um excelente currículo e não conseguirem tratar o outro com civilidade.

Educação é tarefa primordial dos pais. Temos a obrigação de ensinar aos filhos as regras básicas de convivência social.

Se a criança não aprende desde cedo, dentro de casa, a tratar com bons modos os próprios pais e irmãos, não virá a se comportar como um indivíduo civilizado.

Cuidemos para não deixar lacunas na formação de nossos filhos.

Devemos nos preocupar em demonstrar, através do exemplo, respeito por todos aqueles com os quais nos relacionamos, a começar dentro do próprio lar.

Coloquemo-nos no lugar dos outros, inclusive de nossos servidores e não nos esqueçamos de que todos gostamos de receber gentilezas.

É comum justificarmos que as preocupações em excesso, a ansiedade dos tempos modernos e a falta de tempo são responsáveis por comportamentos grosseiros.

Convenhamos que a delicadeza e a educação não têm a ver com essas circunstâncias. Comportamentos injustificáveis nos mostram que está faltando controle sobre as próprias ações e, acima de tudo, respeito para com o próximo.

Não podemos achar natural agir com falta de cortesia.

Pode parecer difícil agir com amabilidade no mundo competitivo e individualista em que vivemos, mas não devemos abrir mão de nossas convicções.

É lamentável que as expressões Com licença, Por favor e Obrigado estejam sendo usadas com menor frequência.

Muitas vezes vivenciamos situações em que as pessoas agem com esperteza e driblam regras de educação com o objetivo de obter alguma vantagem ou conseguir algo mais rápido.

Caso venhamos a sofrer indelicadezas, não nos deixemos envolver por essas atitudes e sigamos em frente dando bom exemplo, mesmo que seja através do nosso silêncio.

Formalidades em excesso muitas vezes são dispensáveis, mas respeito mútuo, consideração e boas maneiras são essenciais aos relacionamentos.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
Gentileza, do livro A arte de ser leve, de
Leila Ferreira, ed. Globo.
Em 21.11.2018.