Momento Espírita
Relação causa e efeito

Nas ocorrências da vida, nos afazeres da nossa existência, não raro nos imaginamos surpreendidos pelo acaso, por fatos aleatórios à nossa vontade ou ação.

Analisando superficialmente os cometimentos da vida, sempre julgamos que aquilo que nos ocorre foi fortuito ou apenas fruto do azar ou, algumas vezes, da sorte.

Imaginamos dessa forma que o desenrolar de nossa vida seja aleatório e imprevisível, sem relação com nossas ações.

Se um fumante de longos anos desenvolve um enfisema pulmonar, jamais diremos que ele teve azar na vida. Foi apenas consequência do vício a lhe destruir lentamente o aparelho respiratório.

Se um glutão desenvolve problemas no aparelho digestivo, ou ainda, se é acometido por problemas de colesterol ou pressão alta, logo veremos que é resultado dos seus maus hábitos alimentares.

Se essas são relações de causa e efeito, fáceis de se perceber, há outras, que nascem da mesma matriz, porém, que nos convidam a mais detidas reflexões.

Nos dias em que vivemos, a própria medicina já correlaciona hábitos emocionais com doenças que desenvolvemos.

Cada vez mais frequentemente, médicos e pesquisadores correlacionam o câncer, as disfunções psíquicas e outros males, com nossa postura emocional.

Outros estudiosos do comportamento humano apresentam claras relações entre nossa personalidade ou os valores que elegemos com os males que nos afligem, entendendo que as dificuldades do corpo são apenas o reflexo das doenças da alma.

Podemos perceber ainda, extrapolando o campo das ciências médicas, que outros males que nos acometem também são fruto de como nos comportamos.

Se o egoísmo é nossa pauta de conduta, não raro a solidão será nossa única companhia. Afinal, todo aquele que esquece do seu próximo, acaba não sendo lembrado por ninguém.

Se a inveja é a lente pela qual enxergamos as conquistas dos outros, o fracasso será o nosso destino. Afinal, quem perde tempo em olhar o terreno alheio, esquece de semear na própria gleba.

Se a mentira e a falsidade são valores que nos conduzem, a perturbação e o desequilíbrio serão companheiros inevitáveis a se instalarem em nossa casa mental. Isso porque aquele que envereda nos labirintos do engano, perde-se inevitavelmente a si mesmo.

Dessa forma, para que a saúde e a plenitude da vida se instalem em nós, analisemos mais detidamente por quais valores, emoções e comportamento estamos conduzindo nossa existência.

Ninguém na vida poderá se queixar de ser vítima de outrem, a não ser de si mesmo. Ainda que não nos apercebamos das armadilhas em que porventura caiamos, todas foram, direta ou indiretamente, armadas por nós mesmos.

* * *

Todo e qualquer tipo de sofrimento sempre constitui informação da vida a respeito de algo, no indivíduo, que está necessitando de revisão, de análise, de correção.

Vige, no Universo, a ordem, que se deriva de Deus, e toda vez que há uma agressão ao seu equilíbrio, aquela que a desencadeia sofre-lhe o inevitável efeito, que impõe reparação.

Quando nos disponhamos à renovação, alterando nossa conduta emocional, muitos sofrimentos podem ser amainados ou afastados.

Pensemos nisso.

 

Preconceito

Aconteceu num voo da British Airways entre Johanesburgo, na África, e Londres, na Inglaterra.

Uma senhora branca, de uns cinquenta anos, senta-se ao lado de um negro.

Visivelmente perturbada, ela chama a comissária de bordo.

Qual é o problema? - Pergunta a moça.

Mas, você não está vendo? - Responde a senhora. Você me colocou ao lado de um negro. Eu não consigo ficar ao lado de gente desta classe. Quero que você me dê outro assento.

Por favor, acalme-se. Quase todos os lugares deste voo estão tomados. Vou ver se há algum lugar disponível.

A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.

Minha senhora, como eu suspeitava, não há nenhum lugar vago na classe econômica. Conversei com o comandante e ele me confirmou que não há mais lugar na classe executiva. Entretanto, ainda temos um assento na primeira classe.

Antes que a senhora pudesse fazer qualquer comentário ou esboçar um gesto, a comissária continuou:

É totalmente inédito o fato de a companhia conceder um assento de primeira classe a alguém da classe econômica. Contudo, dadas as circunstâncias, o comandante considerou que seria verdadeiramente vergonhoso alguém ser obrigado a se sentar ao lado de uma pessoa intratável.

E, dirigindo-se ao senhor negro que, até aquele momento ficara sempre calado, ouvindo as agressões da senhora, que parecia tão distinta, a comissária complementou:

Senhor, se for de sua vontade, faça o favor de apanhar os seus pertences e me acompanhar. Eu o encaminharei para um assento na primeira classe, que está à sua espera.

E todos os passageiros ao redor, que acompanhavam a cena, muito chocados, levantaram-se e bateram palmas.

* * *

O preconceito é próprio dos orgulhosos. Expressa, em verdade, a estreiteza de visão da criatura.

Todos os seres humanos são formados dos mesmos elementos. Têm as mesmas necessidades, como seja de comer, beber, dormir, amar e sonhar.

Não há, pois, motivo algum para que alguém se julgue mais importante ou superior a quem quer que seja.

Qual a importância da cor da pele? Se apagarmos as luzes de uma sala cheia de pessoas e nos tocarmos no escuro, saberemos distinguir os brancos dos negros e esses dos amarelos?

Se chegássemos em uma aldeia indígena, onde os seus componentes jamais tivessem visto um homem branco, eles nos estranhariam. Reclamariam da palidez da nossa pele e seríamos ali um elemento muito diferente.

Que se diria se, em um canteiro de rosas viçosas, abertas, perfumadas, as de cor vermelha, aveludadas, desprezassem as amarelas? Não acharíamos grande tolice?

Pois o mesmo se aplica aos seres humanos.

* * *

A única superioridade que devemos perseguir, com ardor, é a superioridade moral.

Ela nos conferirá fraternidade, amor e justiça, afastando de nós todo preconceito, egoísmo e orgulho, porque nos elevará à condição de verdadeiros filhos de Deus.

 

 

Suicídio

Era manhã de sábado. Tocou o telefone e alguém atendeu.

Uma voz masculina, embargada pela emoção, a duras penas, começou o diálogo.

Desejava saber o que a Doutrina Espírita tinha a dizer sobre o suicídio. Qual seria, segundo o Espiritismo, a sorte daqueles que acabam com a própria vida.

Disse que estava com o firme propósito de pôr fim à vida miserável que estava levando há cerca de dois meses.

Salientou que sua falência fora decretada em cidade distante noutro Estado do Brasil. E, para fugir ao escândalo, mudou-se de cidade em busca de uma oportunidade, mas em vão.

Agora, segundo afirmava, desejava fugir definitivamente da vida, para resolver de vez por todos seus tormentos.

Ouviu, da pessoa que o atendeu, em rápidas palavras, a posição espírita sobre o suicídio.

Que é uma porta falsa e que aqueles que a buscam na tentativa de acabar com os problemas somente os agravam mais.

Que só se consegue sair do corpo, sem sair da vida, que continua pulsante no além-túmulo. Que só quem nos colocou no mundo tem o direito de nos tirar dele. E que esse alguém é Deus, nosso Pai Criador.

Ouviu, ainda, que a sua falência só poderia ser decretada por ele mesmo, agora sim, através do suicídio. Que homem algum poderia fazê-lo.

Que a falência decretada fora a de sua empresa e que, seguramente, se continuasse a trabalhar com disposição conseguiria reverter a situação.

Que Deus jamais nos abandona, muito menos nas horas difíceis da nossa caminhada. Que todos nós, sem exceção, temos um anjo guardião interessado em nossa vitória. Na vitória do Espírito imortal sobre a matéria, sobre os vícios e equívocos.

O homem disse que havia perdido tudo, que estava na miséria, que nada mais lhe restava.

E a voz do outro lado da linha tornou à carga dizendo que a miséria verdadeira é a miséria moral. E que somente poderemos assegurar que nada mais nos resta quando perdermos a dignidade.

O mundo pode nos tirar tudo, tudo o que temos, mas jamais nos tirará o que somos, jamais logrará retirar conquistas verdadeiras como a dignidade. Somente se nós o permitirmos, aceitando o convite da indignidade.

O homem refletiu um pouco, falou que ainda lhe restavam os amigos e a sua casa, que estava em nome dos pais, já falecidos. Resolveu, por fim, voltar à sua cidade e recomeçar novamente.

* * *

Casos como esse que acabamos de narrar, são uma constante na face da Terra.

Se você está enfrentando problemas semelhantes, não deixe de levar em consideração as orientações dos Espíritos Superiores.

Fuja do convite ao suicídio como solução dos problemas.

O suicídio é um terrível engano, por ser uma porta falsa.

Assim que a pessoa realiza o ato do suicídio, percebe o precipício que se abre à sua frente.

* * *

De modo geral, são os suicidas que mais sofrem após a morte.

É que quando chegam no mundo espiritual se dão conta de que não lograram o intento, que era pôr fim à vida.

Seguem vivendo e percebem que aos problemas, dos quais desejavam fugir, outros se somam, pela falta de fé em Deus e pela rebeldia.

Na morte natural os laços que unem o Espírito ao corpo são desatados lentamente, enquanto que pelo suicídio são violentamente rompidos, sem, contudo, permitir que o Espírito se liberte.

Por esse motivo, não nos deixemos tentar pelo convite ao suicídio. Nunca valerá a pena. Antes, roguemos a Deus forças para suportar o fardo que carregamos.

 

 

 

Tempestades do coração

Em um entardecer rico de luzes multicoloridas, Jesus tomou o barco de Pedro e com outras embarcações rumou para a outra margem.

Era a primeira vez que se deslocava naquela direção, um lugar conhecido como constituído por adversários dos judeus.

Enquanto o barco deslizava ligeiro sobre as águas mansas, os céus se escureceram subitamente e os ventos sopraram com vigor, levantando altas ondas encrespadas.

Jesus dormia ou parecia dormir em paz, enquanto rugiam as forças desgovernadas, ameaçando os viajantes.

Receando o pior, porque a embarcação era jogada de um lado para o outro, os discípulos o acordaram e lhe disseram do receio por suas vidas.

Ele ergueu-se como um raio de sol, e reclamou com a tormenta, impondo a sua vontade.

Suave calmaria sucedeu à agitação das ondas e o entardecer se tornou sereno e colorido, deixando todos maravilhados.

A proposta do Mestre sempre foi a de paz.

O remédio para todas as dores sempre foi o do amor.

Ele não tinha poder apenas sobre as tormentas da natureza, mas ensinava também como acalmar as tempestades do coração.

Para essas propôs inúmeras diretrizes de segurança moral capazes de superá-las.

Nenhuma mais expressiva do que a que se encontra na lei de amor, propondo o mergulho nas águas agitadas dos sentimentos primários para deles nos libertarmos, adquirindo paz.

Ofereceu igualmente o equipamento apropriado para o mergulho no abismo de nós mesmos, que é o escafandro do esforço pessoal.

Seu propósito sempre foi que conquistássemos a paz do coração.

Na atualidade, prosseguimos desconhecendo Jesus, nosso Mestre e Irmão maior.

Lemos Seus conselhos nos Evangelhos e não os entendemos com a devida profundidade.

Nossos hábitos e costumes se prendem aos instintos primitivos, buscando satisfazer os apetites da matéria, nos esquecendo que somos Espíritos imortais.

Ainda nos encontramos envolvidos no combate aos vícios exaustivos, sem enxergarmos a luz que nos aponta o caminho seguro.

Desejamos a cura para as dores físicas e deixamos de nos preocupar com a cura das chagas da nossa alma aflita.

O Mestre recomendava que deixássemos de nos envolver no mal, em cometer mais falhas, para que algo de pior não nos acontecesse. Entretanto, continuamos a repetir os mesmos erros.

Ele ensinou e exemplificou a conduta correta mas, infelizmente, muitas vezes desconsideramos isso tudo e nos envolvemos no mal.

Jesus propunha a paz. Quase sempre, de nossa parte, prosseguimos insistindo na guerra aos que consideramos nossos desafetos.

Mesmo assim, Ele prossegue aplacando as tormentas dos nossos corações a cada dia, a toda hora.

Por isso, se faz de importância lembrar que Ele é o Caminho da Verdadeira Vida.

Ele nos desejou vida em abundância. E somente a teremos quando valorizarmos o corpo físico, como essa oportunidade de crescimento e progresso. Uma passagem pelo planeta, na qual devemos realizar o melhor, rumando para a luz.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 27
do Livro Vivendo com Jesus, pelo Espírito
Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo
Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 29.6.2019.

Um Autor, um Criador

Quando à noite, contemplo os múltiplos sóis na abóbada celeste, eu me indago: Quem colocou tantas maravilhas neste céu?

E meus lábios se entreabrem, balbuciando: Foi Deus!

Quando me extasio ante esse céu de estrelas, fico a cismar: De onde eu vim? Terei visitado algum desses mundos que se estendem pelo Universo sem fim?

E me sinto estrangeiro acolhido nesta Terra, agradecendo a honra de pertencer a esta Humanidade.

Pergunto-me, muitas vezes, se aqui estou pela primeira vez ou se já habitei outros corpos, em outras tantas épocas.

Terei andado pelo Oriente, em meio àquelas culturas que, embora alguns definam como exóticas, a mim parecem tão familiares?

E este mesmo país, onde me encontro, quantas vezes já o terei visitado? Por vezes, a sua História me parece tão atual, tão conhecida.

Enfim, minha alma, agradecida, ergue-se em louvor à Causa de tudo isso: Deus. E suspira e suspira gratidão.

Quando em noites de lua cheia, fico a mirar aquela luz prateada, estendendo seus raios pelas cidades, tenho vontade de gritar bem alto: Lua, ó lua, quem te fez tão bela? Quem te vestiu de luz? Desde quando andas pelo espaço, contemplando a Terra?

E minha mente somente encontra uma resposta: Foi Deus!

Quando contemplo as nuvens que se cobrem de vários tons, preparando-se para receber a madrugada, eu penso: Quem fez tudo isso?

Quem estabeleceu que o tempo precisasse de tantos diversos momentos, tão ricos de beleza: madrugada, manhã, tarde, noite?

Quem criou as estações com suas peculiaridades, com seus encantos inigualáveis?

Quem estabeleceu o movimento do planeta, do sol, dos astros?

Quem estabeleceu trajetórias tão precisas a tantos orbes, sóis e planetas, de forma que todos viajam pelo infinito, numa perfeita harmonia, cantando a glória da perfeição?

E quando chega a madrugada, ornada de matizes esplêndidos, me surpreendo porque a cada dia ela vem envolvida em novos véus.

E me indago outra vez: Quem veste assim a madrugada? Quem lhe compõe as vestes, sem jamais reprisá-las, mesmo tendo transcorrido tantos séculos?

Quem é Esse estilista tão criativo?

E minha alma só pode responder: É Deus!

Então, olho para mim mesmo, ser pensante e atuante e indago: Quem me criou?

Quem me dotou de inteligência, de senso? Quem me fez assim tão inquiridor?

Quem me dotou da capacidade de amar, de sentir, de me emocionar e elogiar a beleza, a harmonia?

Quem me permitiu a possibilidade de escrever poemas, histórias e contos?

E somente posso chegar à mesma e maravilhosa conclusão: Foi Deus! Foi Deus!

Deus, a Causa de tudo, o Criador incriado, o sempre presente. O que tudo sabe e tudo provê.

Aquele que está atento aos mundos, às Humanidades, a todas as espécies que vivem em todos os lugares.

Aquele cuja onisciência é de tal modo detalhada que Jesus no-lO apresentou como O que sabe da quantidade de fios de cabelo em nossas cabeças.

O Pai presente, amoroso e bom. Nosso Pai e Criador.

Redação do Momento Espírita, com base em mensagem
psicográfica de Lauro Schleder, recepcionada no
Centro Espírita Ildefonso Correia, em 13 de maio de 2019.

 

Amabilidade

Benjamin Franklin costumava dizer que se desejamos ser amados, nos compete amar e sermos amáveis. A fórmula não é inédita. Francisco de Assis propunha que deveríamos amar muito mais do que sermos amados. Foi isso que aquela jovem, sentada na lanchonete em frente à clínica, naquela manhã de primavera, pôde comprovar por si mesma. Ela não queria admitir, mas estava com medo. No dia seguinte deveria ser internada para fazer uma operação de alto risco. Uma cirurgia na coluna vertebral.

Ela tinha perdido seu pai recentemente e se sentia desamparada. Sentia-se sozinha. Parecia-lhe que a luz que sempre a guiava, tinha retornado ao céu. Mesmo assim, ela tentava encontrar forças em sua fé. Intimamente, cerrando de leve os olhos, pediu com fervor: Senhor, nesta época de tanta provação, mande-me um anjo. Acabou seu lanche e se dirigiu ao caixa. Uma senhora idosa, andando vagarosamente, ficou à sua frente. Ela começou a admirar a sua elegância. Um lindo vestido xadrez vermelho e preto, um lenço, um broche, um chapéu vermelho-escarlate. Não se conteve.

Desculpe, senhora, disse-lhe, mas não posso deixar de lhe dizer como é bonita. Vê-la assim tão elegante encheu-me de alegria. A idosa se voltou para ela e a brindou com um sorriso. Deus a abençoe, minha jovem. Eu tenho um braço artificial, uma placa de metal no outro e uma perna não é minha. Levo um bom tempo para conseguir me vestir. Tento me arrumar da melhor maneira possível. Você sabe, à medida que os anos passam, parece que as pessoas pensam que não têm importância se vestir bem. Você fez com que eu me sentisse uma pessoa especial. Que o Senhor a possa proteger e abençoar. Você deve ser um anjo enviado por Ele para alegrar o meu dia.

A senhora se foi sem que a jovem conseguisse dizer uma só palavra. Sentiu-se reconfortada ao ouvir toda aquela disposição de quem tinha tantas dificuldades e extravasava elegância e bem-estar. Deus lhe enviara, afinal, o anjo que ela pedira. E ela nada mais fizera do que ser amável com alguém.

O amor é a virtude das virtudes. Veste-se de múltiplos modos e onde quer que se apresente, oferece sempre alegria, ventura, vida abundante. Nenhum de nós se move sobre o planeta se não for com o combustível do amor. Amar é uma honra. E o trabalho da compreensão, o esforço da paciência, a dedicação da caridade, o conforto da fraternidade... tudo isso é amor. A firmeza da cooperação superior, a harmonia da afabilidade, a lucidez do bom alvitre... são, também, parte do amplo panorama do amor.

Conscientes dos limites que ainda nos caracterizam, na Terra, devemos concluir que temos necessidade de continuar a trajetória amando o mais que possamos. Podemos oferecer uma frase elogiosa, um estímulo, uma realização feliz, nesse projeto de construção do bem que esteja ao nosso alcance. Dessa maneira, lançaremos no solo do mundo as nossas sementes de paz, cooperando com a paz ampla com que sonhamos. Igualmente, poderemos colaborar com a felicidade de alguém, que receberá a nossa observação, como um item valioso para a elevação da sua autoestima.

 

A metamorfose

Interessante se observar uma borboleta pousada sobre uma folha nova, especialmente escolhida por ela. Uma que não caia antes da saída das lagartinhas do ovo.

Ela dobra o abdome até sentir a face inferior da folha e ali coloca o ovo.

Por essas maravilhas da natureza, que somente a Providência Divina explica, cada espécie de borboleta sabe exatamente qual o tipo de planta que deve escolher para colocar o ovo que, graças a uma substância viscosa de secagem rápida, se fixa imediatamente.

As borboletas são muito admiradas pela leveza dos seus voos e a beleza do colorido de suas asas.

Elas procuram, nas flores, na areia úmida ou em frutos fermentados, o seu alimento.

As flores são muito frequentadas pelas borboletas fêmeas, enquanto os machos preferem as areias úmidas.

Existem algumas espécies que têm a capacidade de permanecer imóveis por tempo considerável, enquanto outras fazem voos curtos, por vezes muito rápidos, indo de uma flor a outra.

Elas buscam a pradaria, as ramadas das árvores, beijam as folhas farfalhantes e driblam o vento apressado.

Bailam em meio às gotículas que se desprendem das quedas d'água ou como pétalas voam, balançando no espaço.

Seu colorido é mensagem de alegria. A sua liberdade é um convite à paz.

No entanto, dias antes de se mostrarem tão belas não passavam de larvas rastejantes no solo úmido ou na casca apodrecida de algum tronco abandonado.

Lagartas, jamais sonhariam com os beijos do sol ou com o néctar das flores.

Mas, passam as semanas e após a fase de crisálida, elas surgem maravilhosas, coloridas, exuberantes, plenas de vida.

* * *

À semelhança da lagarta, vivemos no terreno das experiências humanas.

Afinal, chega um dia em que somos convidados a adormecer na carne para despertar na Espiritualidade, planando acima das dificuldades que nos afligiam.

É a morte que nos alcança e nos ensina que a vida não se resume num punhado de matéria que entrará em decomposição.

Também não é simplesmente um amontoado de episódios marcantes ou insignificantes, promotores de esparsos sorrisos e rios de pranto.

A vida é a do Espírito, que vive para além da aduana da morte, tendo como destino a vida na amplidão.

Por isso, quando acompanharmos, com lágrimas, aquele afeto que se despede das lutas do mundo, rumando para a Espiritualidade, não lastimemos, nem nos desesperemos.

Mesmo com dores na alma, despeçamo-nos do coração querido com um suave "Até logo" porque exatamente como as borboletas, ele alcançou a liberdade.

* * *

Tenhamos em mente que, ao morrer o corpo, o Espírito que dele se utilizava como de um veículo, se liberta.

Ninguém se aniquila na morte. Mudamos, simplesmente, de estado vibratório, sem que aconteça uma mudança nos nossos sentimentos, paixões e anseios.

Continuamos a ser o que éramos, enquanto no corpo de carne. E prosseguiremos, além das fronteiras desta vida, numa outra dimensão, a vida espiritual.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 10, do livro Rosângela, pelo
Espírito homônimo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter; no verbete Morte,
do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Angelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e no verbete Borboleta,
da Enciclopédia Mirador, v. 4, ed. Encyclopaedia Britannica do Brasil.
Em 27.5.2019.

Amabilidade

Benjamin Franklin costumava dizer que se desejamos ser amados, nos compete amar e sermos amáveis.

A fórmula não é inédita. Francisco de Assis propunha que deveríamos amar muito mais do que sermos amados.

Foi isso que aquela jovem, sentada na lanchonete em frente à clínica, naquela manhã de primavera, pôde comprovar por si mesma.

Ela não queria admitir, mas estava com medo. No dia seguinte deveria ser internada para fazer uma operação de alto risco.

Uma cirurgia na coluna vertebral.

Ela tinha perdido seu pai recentemente e se sentia desamparada.

Sentia-se sozinha. Parecia-lhe que a luz que sempre a guiava, tinha retornado ao céu.

Mesmo assim, ela tentava encontrar forças em sua fé. Intimamente, cerrando de leve os olhos, pediu com fervor:

Senhor, nesta época de tanta provação, mande-me um anjo.

Acabou seu lanche e se dirigiu ao caixa. Uma senhora idosa, andando vagarosamente, ficou à sua frente.

Ela começou a admirar a sua elegância. Um lindo vestido xadrez vermelho e preto, um lenço, um broche, um chapéu vermelho-escarlate.

Não se conteve.

Desculpe, senhora, disse-lhe, mas não posso deixar de lhe dizer como é bonita. Vê-la assim tão elegante encheu-me de alegria.

A idosa se voltou para ela e a brindou com um sorriso.

Deus a abençoe, minha jovem. Eu tenho um braço artificial, uma placa de metal no outro e uma perna não é minha.

Levo um bom tempo para conseguir me vestir. Tento me arrumar da melhor maneira possível.

Você sabe, à medida que os anos passam, parece que as pessoas pensam que não têm importância se vestir bem.

Você fez com que eu me sentisse uma pessoa especial. Que o Senhor a possa proteger e abençoar.

Você deve ser um anjo enviado por Ele para alegrar o meu dia.

A senhora se foi sem que a jovem conseguisse dizer uma só palavra.

Sentiu-se reconfortada ao ouvir toda aquela disposição de quem tinha tantas dificuldades e extravasava elegância e bem-estar.

Deus lhe enviara, afinal, o anjo que ela pedira.

E ela nada mais fizera do que ser amável com alguém.

* * *

O amor é a virtude das virtudes. Veste-se de múltiplos modos e onde quer que se apresente, oferece sempre alegria, ventura, vida abundante.

Nenhum de nós se move sobre o planeta se não for com o combustível do amor.

Amar é uma honra.

E o trabalho da compreensão, o esforço da paciência, a dedicação da caridade, o conforto da fraternidade... tudo isso é amor.

A firmeza da cooperação superior, a harmonia da afabilidade, a lucidez do bom alvitre... são, também, parte do amplo panorama do amor.

Conscientes dos limites que ainda nos caracterizam, na Terra, devemos concluir que temos necessidade de continuar a trajetória amando o mais que possamos.

Podemos oferecer uma frase elogiosa, um estímulo, uma realização feliz, nesse projeto de construção do bem que esteja ao nosso alcance.

Dessa maneira, lançaremos no solo do mundo as nossas sementes de paz, cooperando com a paz ampla com que sonhamos.

Igualmente, poderemos colaborar com a felicidade de alguém, que receberá a nossa observação, como um item valioso para a elevação da sua autoestima.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
Um anjo de chapéu vermelho, de Tami Fox, do livro
Histórias para aquecer o coração, de Jack Canfield,
Mark Victor Hansen, Jennifer Read Hawthorne e
Marci Shimoff, ed. Sextante e no cap. 19, do livro
A carta magna da paz, pelo Espírito Camilo,
psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 21.5.2019

Nossos protetores invisíveis

Essa brisa singela que te sopro,

É meu desejo de te ver navegante.

Minhas mãos... Não podem tocar teu leme.

Meus braços... Não podem içar tuas velas.

Para ti, sou apenas vaga inspiração, que se mistura aqui e ali aos teus próprios pensares.

Sou ideia sem nome. Sou sentido distante. Sou vento.

* * *

Diz um provérbio popular que há um Deus para as crianças, para os loucos e para os bêbados.

Há mais veracidade nesse ditado do que se imagina.

Esse suposto Deus, outro não é senão nosso Espírito protetor, que vela pelo ser incapaz de se proteger, utilizando-se da sua própria razão.

Da mesma forma que a criança descida do berço ensaia seus primeiros passos, sob os olhares enternecidos de seus carinhosos pais, assim também, sob o amparo invisível de nosso Pai espiritual, somos muito bem assistidos nos combates da vida terrestre.

Todos temos um desses gênios tutelares que nos inspira nas horas difíceis e nos orienta para o bom caminho.

É o nosso anjo da guarda.

Não há concepção mais grata e consoladora. Saber que temos um amigo fiel e sempre disposto a nos socorrer, de perto como de longe, influenciando-nos a grandes distâncias ou conservando-se junto de nós nas provações; saber que ele nos aconselha por intuição e nos aquece com o seu amor, eis uma fonte inapreciável de força moral.

O pensamento de que testemunhas benévolas e invisíveis veem todos os nossos atos, alegrando-se ou se entristecendo, deve nos estimular a mais sabedoria e ponderação.

É por essa proteção oculta que se fortificam os laços de solidariedade que ligam o mundo celeste à Terra, o Espírito livre ao homem, Espírito prisioneiro da carne.

É por essa assistência contínua que se criam, de um a outro lado, as simpatias profundas, as amizades duradouras e desinteressadas.

O amor que anima o Espírito elevado vai pouco a pouco se estendendo a todos os seres, revertendo tudo para Deus, Pai das almas, foco de todas as potências efetivas.

O Espírito protetor é ligado ao indivíduo desde o nascimento e, muitas vezes, o segue após a morte, na vida espiritual. Até mesmo em muitas existências corporais.

Vejamos o quanto é maravilhoso saber disso. Quanto cuidado do Criador para com cada um de nós, independente de quem somos, raça, credo e até mesmo, se somos homens de bem ou não.

Nunca poderemos dizer que não fomos ajudados, que não se importavam conosco ou que estivemos abandonados em algum momento.

Portanto, contemos com eles, nossos anjos de guarda, nossos protetores invisíveis.

Criemos uma linha de comunicação mais frequente, tentemos elevar nosso pensamento para que ele vibre nas frequências sutis dos pensamentos deles.

Então, poderemos ouvir seus alertas, buscando nos guiar, suas sugestões e respostas aos nossos apelos.

Benditos sejam nossos Espíritos protetores, carinhosos amigos que do anonimato nos amam intensamente.

Redação do Momento Espírita, com base no poema A voz do vento,
de Andrey Cechelero; na questão 492, de O livro dos Espíritos;
no cap. 3, item 14, do livro A Gênese, ambos de Allan Kardec
e no cap. 35, do livro Depois da Morte, de Léon Denis, todos
ed. FEB.
Em 13.5.2019.

Dedicação materna

Quando se fala em dedicação, difícil se nos torna avaliar qual o seu significado para algumas pessoas.

Quando se evoca, por exemplo, a figura materna, que tem em seus filhos a maior razão de seu viver, parece que essa virtude se multiplica indefinidamente.

Mães existem que não medem os esforços que fazem, a energia que despendem, nem mesmo a negação de suas próprias necessidades para bem atender seus filhos.

* * *

A imprensa divulgou a história daquela mãe chinesa cujo filho, de trinta e seis anos, depois de um acidente de carro, ficou tetraplégico e em coma.

O pai do rapaz havia morrido quando ele ainda era uma criança. A mãe assumiu sozinha a árdua tarefa de atender ao filho.

Alimentava-o, por meio de um tubo ligado ao estômago, dava-lhe banho, fazia massagens em seu corpo para evitar escaras. Estava ao seu lado dias e noites.

Os meses foram passando vagarosos e se transformaram em anos.

Doze anos se foram, quando, num belo dia, ele despertou do coma. A notícia surpreendeu o país e se espalhou nas redes sociais.

E aquela senhora, então com setenta e cinco anos, afirmou aos entrevistadores que nunca desistira dele.

Nas imagens divulgadas, o filho aparece sorrindo e a mãe, feliz, diz que o sorriso é o único meio dele se comunicar com ela.

Mas, que espera pelo momento em que ele possa voltar a falar, a chamá-la de mãe.

* * *

A dedicação dessa mãe para com o filho dependente nos faz perceber o quanto é capaz de lutar o amor materno.

Nos relatos colhidos, ela revela que, sem meios para se sustentar, contando somente com a ajuda de amigos e familiares, muitas vezes deixava de comer para que não faltasse alimento ao jovem.

Esses doze anos de dedicação, de renúncias e sacrifícios nos falam do tamanho do seu amor maternal e do alto grau de sua fé em Deus e na vida.

Ter fé é confiar, é acreditar. Ela confiou com todas as fibras de seu coração na possibilidade de retorno do seu filho à vida.

E, embora ele nada mais consiga fazer do que sorrir, desde que saiu do coma, ela prossegue confiante, perseverante, aguardando que ele volte a falar.

E a chamá-la de mãe.

Esse devotamento, essa dedicação é uma entrega que se faz sem condições, sem medidas, sem necessidade de trocas ou retribuições.

É um sacrifício de quem se doa e uma verdadeira bênção para o ser que se encontra totalmente incapacitado.

Toda essa dedicação demonstra o apreço da mãe pelo filho, e a perfeita realidade de que esse amor não tem preço!

Serve-nos, igualmente, de exemplo de luta pela vida. Vida que não deve ser menosprezada, abandonada por se encontrar a pessoa em situação crítica.

Vida que nos merece respeito, luta, apoio.

Afinal, tantos casos existem de pessoas consideradas a um passo da morte, que retornam ao palco da vida e retomam suas lutas, seus afazeres, como se tudo não tivesse passado de um período de sono, de refazimento, de repouso.

Pensemos a respeito.

Redação do Momento Espírita,
com base em fatos.
Em 4.5.2019.