AS COISAS MUDARAM, PARA PIOR

 Quem, como o colunista já viveu meio século ou mais vai entender porque digo que muitas coisas mudaram para pior.

 Quem, como o colunista já viveu meio século ou mais vai entender porque digo que muitas coisas mudaram para pior. Começo pelos primeiros anos escolares, quando antes das aulas éramos colocados em forma e cantávamos o Hino Nacional, hoje pouquíssimos sabem sua letra e menos ainda o significado das palavras. Quem sabe a tabuada de cor e salteado? O que, você também não sabe o que é tabuada? Nosso respeito aos professores era total e uma ameaça de levar um de nós ao gabinete da diretora punha qualquer aluno(a) nos eixos. Nunca houve banheiros emporcalhados, vidraças quebradas ou lixo jogado a esmo no pátio da escola. Hoje, vejo reclamações a respeito da merenda escolar, a qualidade dos alimentos, a nutricionista que não tem comparecido ao trabalho, o atraso nas entregas, vereadores exigindo maior fiscalização, etc., etc. Volto no tempo quando não havia nada disso e alguns levavam uma fatia de pão coberta com uma fina camada de banha suína (não tinham inventado o colesterol), ou uma batata-doce assada. Alguns não levavam nada.  E como éramos felizes. Os alunos de mais longe faziam quilômetros indo e vindo à escola, ninguém se queixava de cansaço e ainda sobrava fôlego e disposição para intermináveis partidas de futebol, quando havia um tempo livre ou para nadar nos riachos ainda não poluídos. Como morava com meus avós maternos de sobrenomes Moletta e Gabardo algum abusado chamava-me gringo polenteiro e não raro entrávamos em luta corporal, não pelo apelido, mas por algum outro desaforo mais pesado. Lavávamos no riacho os joelhos esfolados e o sangue do nariz que fora socado pelo adversário e nada contávamos em casa, até porque nossas inimizades duravam no máximo até o dia seguinte. Hoje, vemos nos noticiários alunos esfaqueando colegas porque foram chamados por algum apelido que modernamente deram o nome bullyng, professores sendo agredidos ou ameaçados de morte o que infelizmente está se tornando corriqueiro. Não conheci um menino ou menina do meu tempo que, além da escola não fizesse algum trabalho em casa com a família, pois graças aos Céus ainda não tinham inventado a exploração do trabalho infantil. Por isso sabíamos rachar lenha, limpar a casa, tratar dos animais domésticos, lavar e secar louça e muito mais. Seu João Moletta dava-me uma missão estranha para um piá: lavar roupas e, para que não me sentisse encabulado, esticava um pedaço de lona entre o tanque e uma ruazinha de terra por onde passava de vez em quando algum gato pingado. Ninguém morreu por isso, pelo contrário. Acredito que, se não todos, os que ainda vivem agradecem pela criação que tiveram e pelo que aprenderam porque foi e lhes está sendo de grande valia ainda hoje.