AZEITE DOCE

Na coluna anterior publicada terça-feira passada comentei sobre a época em que a única gordura utilizada na preparação dos alimentos

Na coluna anterior publicada terça-feira passada comentei sobre a época em que a única gordura utilizada na preparação dos alimentos era a banha de porco importada e guardada em barricas. Foi então que o italiano Francesco Matarazzo montou rústica fabriqueta de banha e em 1918 inaugurou um frigorífico em Jaguariaiva no Norte do Paraná. A necessidade de maior número de porcos gordos deu início a atividade que ficou conhecida como safristas que engordavam centenas de animais soltos nas roças e depois tocados em tropas desde a nossa região até Ponta Grossa. O óleo comestível hoje popular era conhecido na época como azeite doce. Este escriba lembra que, quando menino, os armazéns possuíam uma ou outra lata de azeite doce (não havia o vasilhame de material plástico) que era procurado com finalidade medicinal, conforme a sabedoria popular. Recorda que na Fazenda São Pedro, no armazém de Heitor Betto ou na Fazenda Cachoeira, no armazém da família Dias, ambas no Município de Mangueirinha os comerciantes mantinham sobre as prateleiras uma lata de azeite doce com um pequeno orifício na parte superior, devidamente vedado com um palito de dentes. Era contumaz um ou outro freguês tirar do pessuelo ou do bolso da baldrana um pequeno vidro tapado com rolha (não havia as tampas rosqueadas como hoje) e pedir para que fosse enchido com azeite doce. Tempos depois a curiosidade me levou a descobrir como e por que utilizavam o produto. As zelosas mamães e vovós seguindo a sabedoria popular aqueciam o azeite doce num pires sobre a chapa do fogão de lenha e passavam a gordura atrás das orelhas dos bebês e garantiam o alívio na dor de ouvido, procedimento também aplicado no ventre dos pequenos para aliviá-los de cólicas intestinais. Um dia o comerciante Heitor Betto após atender um freguês e encher um pequeno vidro deixou por alguns minutos a lata sobre o balcão o que serviu para o colunista tirar uma dúvida. Leitor compulsivo desde a infância havia aprendido na escola que antes de P e B sempre vai a letra M e jamais N. Então por que mesmo de fora do balcão dava para ler as letras grandes na lata de azeite doce lá na prateleira a palavra SANBRA? Na lata sobre o balcão foi possível ler Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro e SANBRA com o N antes do B eram as iniciais da referida indústria. É bom lembrar que não plantavam soja no Brasil, a principal matéria prima da qual se extrai o óleo e outros produtos comestíveis que hoje consumimos. O óleo da época era de caroço de algodão ou de amendoim, portanto raro e bastante caro.