EU SOU DO TEMPO DA NAVALHA SOLLINGEN

Confesso que não sou de assistir televisão horas a fio, vejo alguns noticiários, filmes e documentários que dependendo do assunto

Confesso que não sou de assistir televisão horas a fio, vejo alguns noticiários, filmes e documentários que dependendo do assunto em pauta até são interessantes e educativos. Vejo que o modernismo e a evolução estão nos colocando nas mãos produtos, coisas e objetos que, se de um lado representam praticidade, do outro lado estão entulhando o planeta de lixo de toda a ordem, por isso volto a escrever que eu sou do tempo da navalha Sollingen, da fralda de pano e do vasilhame retornável. Quando íamos ao armazém buscar querosene para abastecer os lampiões levávamos o litro vazio para trazê-lo cheio. O mesmo acontecia quando buscávamos álcool, ou outro líquido qualquer. Quem gostava de cachaça levava a garrafa, o litro, o corote ou o garrafão que eram enchidos a partir de uma pipa. Os bebês eram vestidos com fraldas de pano que depois de lavadas eram reutilizadas. Nem mesmo havia os absorventes femininos e as mulheres se protegiam naqueles dias com panos dobrados que também eram lavados e reaproveitados. Hoje, muitos animais marinhos, inclusive baleias morrem sufocados com sacolas e garrafas plásticas Eu sou do tempo em que os homens se barbeavam com navalhas, sendo a mais famosa a Sollingen importada da Alemanha. Depois é que apareceu a lâmina que até hoje dizemos Gillette, invenção do norte-americano King Camp Gillette que há mais de um século a patenteou. Hoje os barbeadores elétricos e os descartáveis são os mais usados e no caso dos segundos, o destino é o lixo. Levávamos sacos de pano ou sacolas quando íamos às compras, pois não havia sacolas plásticas que demoram anos para se decompor. Pouquíssimos produtos vinham enlatados e quando apareceu o óleo comestível as latas vazias eram aproveitadas por verdadeiros artesãos que delas faziam canecas ou as abriam para fazer bacias e formas para assar pães, carnes e afins. Dona Mercedes recolhia as latas de sardinhas e nelas assava pão-de-ló que vendia no comércio da região. As latas menores, como as de massa de tomate ganhavam asas e eram utilizadas como canecas de café ou chá. Mesmo quem trabalhava no serviço bruto, seja na roça ou na lida com animais nas fazendas, usava as mesmas roupas bastante tempo. Elas duravam, seja pelo tecido forte do qual eram feitas, seja pelos remendos que se faziam necessários e dos quais ninguém se envergonhava.

ARGUMENTO FINAL: A empregada doméstica que insistia para que a patroa aumentasse seus vencimentos, ouviu da senhora: Dê-me pelo menos um argumento plausível que justifique o seu pedido. Disse a moça: Vou dar mais de um argumento e então a madame decide. Primeiro: Eu cozinho muito melhor que a madame, quem diz isso é o seu marido. Não pode ser – disse a senhora – eu aprendi com a minha mãe. Segundo: Eu lavo e passo muito melhor que a madame, segundo o seu marido. Terceiro: Eu sou muito melhor na cama que a madame. Foi o safado do meu marido que disse isso? – Não madame, foi Jarbas, o motorista. Muito bem, vamos definir quanto você quer de aumento.

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