MORTEIROS DA TERRA NATAL

O colunista sente-se honrado quando leitores com a vivência e a cultura dos professores Valentim Andreetta e Victor Rivas comentam

O colunista sente-se honrado quando leitores com a vivência e a cultura dos professores Valentim Andreetta e Victor Rivas comentam sobre os assuntos abordados neste espaço semanal que permite abordar fatos ouvidos, vividos ou testemunhados pelo autor que é do tempo em que o Mar Morto ainda vivia. Dito isso vamos ao conto de hoje: A Igreja Católica, nas suas matrizes ou capelas quando celebram seus padroeiros ou padroeiras realizam novenas ou tríduos que são anunciados antecipadamente pelas emissoras de rádio e, em Laranjeiras do Sul como gentileza desses meios de comunicação. Em Mandirituba, terra natal do colunista não havia emissora de rádio e as novenas eram anunciadas pelo estrondo dos morteiros que nada mais eram do que artefatos preparados por especialistas. Um cilindro de aço que pesava em torno de vinte quilos, oco e com um pequeno orifício lateral para a introdução do estopim. A parte oca da peça era preenchida com pólvora preta cuja explosão é maior que a conhecida pólvora piquete. No caso das novenas eram preparados nove morteiros detonados um por dia as 18 horas, quando a celebração religiosa ocorria as 19 horas. Leônidas Palú, barbeiro do distrito que à época pertencia ao município de São José dos Pinhais era o encarregado de preparar morteiros. Nós, meninos curiosos assistíamos de certa distância ele despejar a pólvora aos poucos na parte oca do cilindro e munido de soquete e martelo de madeira compactar o material explosivo após incontáveis marteladas. Não usava ferramentas metálicas evitando qualquer atrito que resultaria em faíscas e explosões inesperadas e fatídicas. Após compactar um quilo de pólvora ou até mais, preenchia o restante do cilindro, com pequenos pedaços de telhas e tijolos igualmente socados, de forma que a pólvora ficasse compactada ao máximo. O artefato de formato cônico era deixado com a parte do diâmetro maior no solo em local seguro entre a Matriz e a Casa Paroquial e exatamente às 18 horas se acendia o estopim. Quem tivesse visão do morteiro a distância prudente veria a língua de fogo subir pelos ares, já os moradores mais distantes de até 10 ou 15 quilômetros ouviam o tremendo estrondo que ficava por um bom tempo ecoando nos montes e baixadas. Era a forma de anunciar as novenas com uma hora de antecedência. Minutos depois começavam a chegar as pessoas em caminhões e mais tarde a pé, em cavalos ou carroças. As peças metálicas ficavam guardadas para as novenas seguintes.

O CÚMULO DA COINCIDÊNCIA: Acontece no teatro ou no cinema quando alguém vai grudar a meleca do nariz debaixo da cadeira e coloca exatamente sobre outra meleca já seca que ali foi grudada há alguns dias.