OXÍTONAS, PAROXÍTONAS E PROPAROXÍTONAS

Como sofríamos com a gramática da língua portuguesa, principalmente com estas três palavrinhas que sempre foram um tormento nas primeiras

Como sofríamos com a gramática da língua portuguesa, principalmente com estas três palavrinhas que sempre foram um tormento nas primeiras séries escolares e continuam sendo. Afinal para quê colocar nomes tão complicados para estas coisas? A professora de português nos dizia que não adiantava ficar reclamando, pois regras são regras, o melhor era tentar entender cada uma delas. Acentuadas ou não, as sílabas tônicas existem no escrever e no falar. Digo isto porque sempre admirei a letra da música Drama de Angélica (Alvarenga e Barreto) gravada pela dupla Alvarenga e Ranchinho, ainda no tempo em que o diabo usava fraldas, pois tem verdadeira coleção de palavras oxítonas e paroxítonas. Preste atenção na criatividade dos autores, ou melhor, você pode ouvir Drama de Angélica na internet:

Ouve meu cântico/ Quase sem ritmo/ Que a voz de um tísico/ Magro esquelético/ Poesia épica/ Em forma esdrúxula/ Feita sem métrica/ Com rima rápida/ Amei Angélica/ Mulher anêmica/ De cores pálidas/ E gestos tímidos/ Era maligna/ E tinha ímpetos/ De fazer cócegas/ No meu esôfago/ Em noite frígida/ Fomos ao Lírico/ Ouvir o músico/ Pianista célebre/ Soprava o zéfiro/ Ventinho úmido/ Então Angélica/ Ficou asmática/ Fomos ao médico/ De muita clínica/ Com muita prática/ E preço módico/ Depois do inquérito/ Descobre o clínico/ O mal atávico/ Mal sifilítico/ Mandou-me célere/ Comprar noz vômica/ E ácido cítrico/ Para o seu fígado/ O farmacêutico/ Mocinho estúpido/ Errou na fórmula/ Fez de propósito/ Não tendo escrúpulo/ Deu-me sem rótulo/ Ácido fênico/ E ácido prússico/ Corri mui lépido/ Mais de um quilômetro/ Num bonde elétrico/ De força múltipla/ O dia cálido/ Deixou-me tépido/ Achei Angélica/ Já toda trêmula/ A terapêutica/ Dose alopática/ Dei-lhe uma xícara/ De ferro ágate/ Tomou num fôlego/ Triste e bucólica,
Esta estrambólica/ Droga fatídica/ Caiu no esôfago/ Deixou-a lívida/ Dando-lhe cólica/ E morte trágica/ O pai de Angélica/ Chefe do tráfego/ Homem carnívoro/ Ficou perplexo/ Por ser estrábico/ Usava óculos/ Um vidro côncavo/ Outro convexo/
Morreu Angélica/ De um modo lúgubre/ Moléstia crônica/
Levou-a ao túmulo/ Foi feita a autópsia/ Todos os médicos/ Foram unânimes/ No diagnóstico/ Fiz-lhe um sarcófago/ Assaz artístico/ Todo de mármore/ Da cor do ébano/ E sobre o túmulo/ Uma estatística/ Coisa metódica/ Como Os Lusíadas/ E numa lápide/ Paralelepípedo/ Pus esse dístico/ Terno e simbólico: “Cá jaz Angélica,
moça hiperbólica/ Beleza helênica/ morreu de cólica!”

 

Maldade: Era tão vesgo, mas tão vesgo (estrábico) que quando chorava as lágrimas escorriam pela nuca.

Fique por dentro de todas

Se inscreva e receba as melhores notícias do Correio do Povo direto no seu e-mail