A IA vai destruir a humanidade?
O medo de que uma inteligência artificial superior possa destruir a humanidade não é novidade alguma.
Desde que Hal 9000, computador autoconsciente de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, filme de 1968 do icônico cineasta americano Stanley Kubrick, começou a matar os astronautas no espaço que o imaginário coletivo fantasia com máquinas assassinas.
De Matrix a O Exterminador do Futuro, de Blade Runner a Eu, Robô, entre muitas outras obras cinematográficas e literárias, independentemente de sua popularidade e importância, que a preocupação com a ameaça das máquinas autoconscientes povoa a ficção.
Kubrick previu em seu filme que a revolta das máquinas aconteceria em 2001. O atraso de 25 anos para o desenvolvimento substancial de uma inteligência autônoma capaz realmente de pôr fim à humanidade não parece fazer muita diferença.
O temor de que decisão de quem merece viver ou morrer fique ao encargo de uma máquina já parece estar totalmente normalizado em uma humanidade que consistentemente vem perdendo sua capacidade de escrever e pensar em detrimento de máquinas que fazem isso por ela.
Sim, conforme vários executivos e ex-executivos das empresas de inteligência artificial, o risco de extinção, vou repetir, extinção da humanidade pelo desenvolvimento indiscriminado da inteligência artificial é uma possibilidade bastante plausível, provável até.
Eu discordaria com prazer, mas cada vez que percebo que o excesso de informação desnecessária e potencialmente perigosa e enganosa assola milhões de mentes incapazes de diferenciar uma ilação de um fato, um discurso de uma prova, tenho minhas dúvidas.
Não acho que as máquinas vão usar metralhadoras para exterminar a humanidade. Isso seria um caminho mais dispendioso, menos eficaz se formos pensar em inteligências que primam tão somente pela eficiência.
O caminho mais simples, e já em execução, talvez seja mitigar a capacidade que nos diferenciou dos outros animais, a inteligência.
Um ser humano não mais capaz de escrever um texto sem auxílio computacional, ou de criar um desenho, um projeto arquitetônico, um cálculo ou um conceito filosófico possivelmente, frente a uma inteligência mais capaz dessas ações, esteja realmente fadado a um fim inevitável.
Não quero parecer apocalíptico ou alarmista, mas será que estamos realmente preparados para a incapacidade de diferenciar o real do criado digitalmente?
Sobreviveremos em um mundo em que máquinas sabem e fazem melhor nossas tarefas diárias?
Não falo de descanso, de lazer. Estou falando da mais brutal e intolerável inutilidade.
Conseguiremos sobreviver a isso? Tenho minhas dúvidas.
Talvez tentar pensar, escrever e desenhar sem auxílio digital possa ser um diferencial marcante num futuro onde cada vez mais prompts substituem raciocínios.



