Há alguns anos tenho viajado para dar aulas em outra cidade, são mais de 100 km de distância. Por um tempo, as playlists musicais foram uma boa opção. Mas quando as viagens são contínuas, tudo começa a ficar repetitivo, por mais que sejam as músicas preferidas. Com isso, acabei achando como solução para o tempo de estrada, os audiolivros, ou audiobooks, como estão listados nas lojas. A ideia não é nova, nas décadas passadas havia versões de livros em cds, algo um tanto quanto incômodo e muito caro. Recentemente as plataformas, tal qual os streamings de cinema, disponibilizaram milhares de livros, de todos os gêneros, para aluguel por assinaturas mensais. Originalmente criados para deficientes visuais, os audiolivros se tornaram uma febre de consumo, e são hoje um dos maiores mercados editoriais em expansão. Há ainda muito a melhorar, principalmente no que diz respeito à diversidade de títulos publicados. De literatura brasileira, comparativamente ao que é publicado em versão impressa e digital, ainda é bastante restrita a oferta de audiolivros no mercado, algo em torno de 3% do que é publicado anualmente, segundo sites especializados em mercado editorial como o Publishnews. De qualquer forma, ainda outras questões dificultam ou atrasam a adesão do público leitor, ou melhor, ouvinte. Uma dessas questões é a leitura, interpretação sonora das obras. Em muitas plataformas, que permitem o uso de IA, vozes robóticas acabam com qualquer nuance de sensibilidade que o imaginário possa suscitar ao ouvir as obras. Em outros casos, leitores e narradores tentam interpretar como atores os personagens das tramas, fazendo vozes ridiculamente finas ou grossas de acordo com o personagem a ser lido, obtendo resultados às vezes cômicos, e muitas vezes canhestros. De qualquer modo, com o hábito das viagens constantes, aderi ao audiolivro. Fico apenas na expectativa de melhores atores para leituras e um acervo mais consistente para o futuro.



