Um retorno para Odisséia

A expectativa pelo novo filme de Christopher Nolan está intensa. A adaptação do clássico grego ‘Odisséia’ para as telas tem gerado frisson desde o anúncio do começo das filmagens. Nolan, conhecido por grandes produções como a trilogia de Batman, A Origem e Interestelar, entre muitos outros, é conhecido por projetos ambiciosos e seus filmes, não raramente, estão entre os vencedores das principais premiações do cinema mundial. A adaptação da obra de Homero, que narra o retorno do herói grego Odisseu para Ítaca, sua terra natal, após a Guerra de Tróia, é um tema constante na literatura e no cinema. Muitas são as versões, e mesmo interpretações do retorno do herói para casa após vencer o conflito com os troianos. Odisseu (Ulisses, na tradição latina) constantemente é sinônimo de astúcia, inteligência e coragem. O filósofo francês Luc Ferry, em várias obras e ensaios, considera a obra de Homero, tanto a Odisséia quanto a Ilíada, uma grande fonte de interpretações e lições de humanidade. Em um dos capítulos de seu livro A Sabedoria dos Mitos Gregos, o filósofo destaca uma particularidade de Odisseu nem sempre enaltecida ou lembrada pelos filmes de ação. A dado momento o herói grego aporta na ilha de Circe, uma feiticeira poderosa, que logo se apaixona por ele. Caso decida ficar com ela em sua ilha, a feiticeira promete ao herói não apenas a vida eterna, mas a juventude eterna (porque ser eternamente velho seria um castigo para os gregos). Odisseu recusa a oferta. Para ele de nada adiantaria viver para sempre longe de sua terra e de sua amada esposa Penélope. Luc Ferry, após narrar este pequeno trecho, destaca então uma das qualidades mais valiosas e menos lembradas de Odisseu, a capacidade de saber o seu lugar e não esmorecer, por mais vantajosas que sejam as ofertas, de seus objetivos. O filme de Nolan nos lembra que revisitar os clássicos de Homero podem ser muito mais do que simples entretenimento.