O Cântico dos Cânticos – Cuidados com a vinha – parte 02

Por José Simplício – escritor, autor de quatro livros, teólogo e pastor

O livro de Cantares de Salomão possui uma revelação extraordinária sobre os relacionamentos afetivos, observe:
Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor (Ct 2.15).
Se você não é um estudioso da Bíblia, pode estar se perguntando sobre o que há de grandioso neste texto. Para compreender é necessário que você entenda que o livro de Cantares foi escrito há 3 milênios em uma cultura completamente diferente da nossa. Quando o texto acima fala em vinhas, está se referindo ao relacionamento entre os amados do poema, a vinha produz prazer, satisfação e alegria ao casal. As vinhas em flor é o relacionamento que se renova continuamente. Porém, foi notado pelos amados do poema que haviam raposinhas que estavam destruindo as flores desta vinha. As raposinhas aqui são as circunstâncias da vida que tem a capacidade de comprometer o fruto da vinha e o prazer e a satisfação que ela promove ao casal.
Há vários tipos de “raposas” e “raposinhas” que colocam em risco o futuro de um casamento agradável e duradouro, hoje desejo destacar uma espécie: a interferência de terceiros no relacionamento conjugal.
O cristão entente com fundamento bíblico que o casamento foi instituído por Deus e a primeira orientação divina foi: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” (Gênesis 2.24). O plano divino é que o casal forme uma família autônoma, que não seja dependente de terceiros. Este deixar pai e mãe é um deixar:
Financeiro – ter condições de se manter através de recursos do casal;
Emocional – ter condições de se ampararem mutuamente;
Geográfico – morar em outra residência para que possuam vida e privacidade conjugal;
Não quer dizer que jamais os filhos devem contar com a ajuda de terceiros, diante de adversidades isto é normal, porém, o casal deve buscar ao máximo esta autonomia porque quando não há este deixar pai e mãe, o unir-se ao outro e o tornar-se uma só carne fica comprometido.
Na prática pastoral temos lidado com muitos casais sofrendo dificuldades e não raramente este motivo é pivô dos problemas. É sogra que se mete na vida do casal, sogro que comete ingerências, cunhados intransigentes, amigos que opinam onde e quando não devem e muitas vezes ocupam um tempo que não lhe é devido, e a lista prossegue. Esta “raposa” terrível tem destruído muitos casamentos, por isso, apanhe esta raposa, o casal deve em união buscar o crescimento, a maturidade, a autonomia, e juntos, estabelecer limites para terceiros. Um exemplo de limite: a sogra chega na casa do filho e não se agrada do macarrão que a nora fez, então ela dispara: “meu filho não gosta de macarrão deste jeito!” A nora conta até mil antes de responder, filho então chama sua mãe em particular e diz: “Mãe, eu te amo, mas não quero que faça este tipo de comentário aqui em casa, minha esposa faz o melhor dela e nos vivemos bem, mas estes comentários trazem dissabores entre nós.” É claro, essa conversa estraga o domingo em família, mas evita que o casamento seja estragado. Estabeleça limites para terceiros.
Se você deseja ter um casamento agradável, duradouro e de sucesso, deve colocar o seu cônjuge num lugar de destaque em sua vida. Protegendo-o diante de terceiros e sempre lhe dando prioridade, se isso acontecer com reciprocidade, o casal viverá de maneira especial. É lógico que os pais são especiais, amigos e parentes tem seu lugar de valor. Mas o casal deve se dar em prioridade um ao outro, isso fará inclusive com que as pessoas respeitem e admirem o casal.
 

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