Citanologia vem do latim citare (citar) e do grego λογία (logía) que significa estudo ou tratado que é a ciência – ou pretensa ciência – dedicada ao estudo, à seleção e ao emprego de citações alheias, especialmente como instrumento de erudição por procuração, tendo como intuito a terceirização do pensamento.
O escritor Umberto Eco disse certa vez que “As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É o triunfo da mediocridade.” como uma crítica à facilidade com que ideias desconectadas da realidade se tornam fake news e se espalham pelas mídias.
Eco também falou, em entrevista concedida a Eduardo Wolff e posteriormente publicada/republicada em julho de 2021, que é necessário o desenvolvimento de um novo tipo de “deflexpertise”. Ele referiu-se à habilidade de desviar e filtrar o excesso de informações na internet, permitindo ignorar o ruído digital e concentrar-se em conhecimentos legítimos e úteis, protegendo-se, assim, contra manipulações (ver o filme Redes de Ódio, 2020).
As midias estão abarrotadas de novos “especialistas” cuja “formação” consiste na leitura rasa de títulos e manchetes, na consulta a sites ideologicamente orientados e na apropriação de citações de terceiros. Já não avaliamos critérios básicos de confiabilidade, como a reputação do veículo, o histórico do autor e a transparência do site.
Toda produção intelectual dialoga com ideias anteriores. O problema da citação é quando ela deixa de ser um instrumento do pensamento e passa a substituí-lo. Desta forma, tornamo-nos a imagem e semelhança do que publicamos e republicamos cancelando quem nos critica. Citando muito e refletindo pouco, caminhamos em direção ao mundo distópico de 1984 de George Orwell.
Jure et facto.



