Cumprir ou não cumprir

Parafraseando Shakespeare em Hamlet ato III, cena I, “cumprir ou não cumprir promessas de campanha, eis a questão”, essa é uma questão recorrente após cada eleição.

Atualmente não temos nenhuma legislação que puna os candidatos eleitos por não cumprirem suas promessas de campanha. Isso pode levar os candidatos a fazerem promessas vãs e mirabolantes com o intuito de ganharem a eleição. Cabe ao eleitor analisar as propostas e escolher àquelas que melhor lhes convém. Caso essas propostas não forem implantadas, não reelegerem este candidato na próxima eleição.

Olhemos com carinho as seguintes promessas de campanha: a primeira é a do candidato Flávio Bolsonaro sobre “celulares e internet gratuitos para mulheres” no programa “Brasil por Elas” e a segunda é a do candidato Lula sobre distribuição, via SUS, de “canetas emagrecedoras” destinadas ao tratamento de obesidade.

O eleitor precisa refletir não somente sobre o que deseja, mas se aquilo que estão oferecendo é o que de fato ele precisa. Há uma conhecida metáfora sobre recompensa e motivação: “cenoura colocada à frente do burro”. Parece-me que algumas promessas de campanha são “cenouras” que os candidatos colocam a nossa frente para tentar convencer-nos a votar neles!

Outra questão é quando acreditamos ideologicamente num determinado candidato em detrimento de outro. Às vezes, a identificação ideológica faz com que o eleitor avalie a promessa menos pelo seu conteúdo e mais por quem a formula. Muitas pessoas possuem candidatos de estimação e escolhem com base na emoção e na ideologia. Quando o candidato eleito descumpre suas promessas, a saída não raro é culpar as “forças ocultas”, um álibi conveniente para mascarar a própria incompetência ou a falta de vontade política.

Apropriando-se da frase “O inferno são os outros” de Jean-Paul Sartre no livro Entre Quatro Paredes, para o governante demagogo a culpa de sua incompetência é sempre dos outros. Jure et facto