Num mundo tão conturbado como o nosso, falar sobre ética e religião não é uma tarefa fácil, mesmo porque é um assunto que não interessa à maioria das pessoas.
O que é certo para uma pessoa pode não ser certo para outra. Embora indivíduos possam possuir diferentes concepções sobre o certo e o errado, a ética não é construída isoladamente: ela se desenvolve na interação entre indivíduos, culturas e instituições sociais.
Mesmo cada pessoa possuindo um senso ético diferente das outras, o que pode nos unir é o mútuo respeito pela vida e pela liberdade. Vamos reescrever o seguinte ditado: “A minha liberdade termina onde começa a do outro” (individualismo) da seguinte forma: “A minha liberdade é garantida pela liberdade do outro: ela começa e termina onde começam e terminam a liberdade e os direitos do outro” (coletividade). Caso contrário, poderemos retornar para uma lógica social regida pela lei do mais forte, onde qualquer liberdade democrática será virtualmente impossível.
A tolerância deveria ser um dos princípios fundamentais de toda religião que pretenda contribuir positivamente para a convivência humana. Muitas religiões procuram oferecer aos seus seguidores referências para a condução da vida, a reflexão sobre a existência e a construção de valores. Desta forma, a dimensão ética da religião deveria evitar subordinar-se a interesses políticos ou econômicos, concentrando-se na promoção da dignidade humana, do respeito às diferenças e da tolerância.
Caso as religiões optem por seguir alguns comportamentos ditos modernos com o intuito de atrair mais fiéis poderão, com o tempo, transformar-se em meros espaços de sociabilidade e entretenimento religioso, afastando-se de suas funções espirituais, éticas e comunitárias.
A ética e a religião podem, dessa forma, caminhar juntas, levando as pessoas a refletir sobre sua existência, os objetivos de suas vidas e a possibilidade de construir um futuro mais humano.
Jure et facto.



