A crise da Casas Bahia acendeu um alerta no varejo brasileiro, onde a empresa faturou R$ 6,97 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas mesmo assim entrou com pedido de recuperação judicial. O motivo principal está no endividamento, que chegou a R$ 17,3 bilhões, acompanhado de um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre.
Mas a situação da Casas Bahia não significa que todo o varejo esteja prestes a quebrar. Os balanços do segundo trimestre mostram que muitas empresas enfrentam vendas mais fracas, porém apresentam situações financeiras bastante diferentes, e portanto, o cenário exige atenção principalmente para companhias mais alavancadas e dependentes de crédito.
Entre as empresas analisadas, o Magazine Luiza aparece com um dos níveis mais elevados de alavancagem. Segundo cálculo do Goldman Sachs, que considera arrendamentos e recebíveis descontados, a relação entre dívida e geração de caixa chegou a 5,7 vezes no fim de junho, contra 4,1 vezes um ano antes, já o GPA também apresenta uma posição mais pressionada, enquanto empresas como Grupo SBF e Azzas possuem níveis menores.
Outro desafio é o consumo, onde por exemplo o Assaí, Grupo Mateus e Magazine Luiza registraram queda nas vendas em mesmas lojas ou no volume de vendas, mostrando que o consumidor está mais cauteloso. O ambiente de juros elevados também aumenta o custo do financiamento e dificulta a recuperação das empresas mais endividadas.
A principal lição é que faturamento não significa, necessariamente, saúde financeira, mas uma empresa pode continuar vendendo muito e, ainda assim, enfrentar dificuldades se sua dívida crescer mais rápido que sua capacidade de gerar caixa. Por isso, acompanhar endividamento, juros e geração de caixa é fundamental para entender os riscos do varejo.



