A vacina e o tempo perdido

Só com a vacina poderá ser possível retomar a normalidade perdida desde o início da pandemia

O Brasil ficou para trás na corrida para garantir as doses necessárias para imunizar a população, ou pelo menos garantir uma proteção aos grupos que têm maior risco de desenvolver complicações da Covid-19, como idosos e portadores de comorbidades. Disputas políticas e erros básicos de logística impediram que o país estivesse preparado para iniciar a vacinação em massa assim que as primeiras vacinas conseguissem aprovação no exterior. O governo federal apostou suas fichas em um único cavalo, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a sueca AstraZeneca, que ainda não tem aprovação em nenhum país. Enquanto isso, outras nações já vinham negociando com mais de um laboratório – o Canadá, por exemplo, buscou nada menos que sete vacinas diferentes. Mesmo quando começou a ficar evidente que a Pfizer/BioNTech chegaria na frente na corrida por uma vacina aprovada por importantes autoridades sanitárias, foi o laboratório quem pressionou o Brasil por uma decisão rápida, e não o contrário.
Só com a vacina poderá ser possível retomar a normalidade perdida desde o início da pandemia, inclusive do ponto de vista econômico, que o presidente Jair Bolsonaro tanto tem ressaltado. Com o ritmo de novos casos e mortes aumentando em algumas regiões do país, ainda que na média nacional o pior momento pareça já ter passado, começar a vacinar os brasileiros apenas em março, como era a previsão inicial de Pazuello, é esperar demais. A promessa de Doria, adversário político de Bolsonaro, e a pressão de outros governadores levou o ministro da saúde Eduardo Pazuelo a adiantar as datas; agora, Pazuello fala em iniciar a vacinação já em dezembro, mas isso dependeria de a Pfizer “nos adiantar alguma entrega”, nas palavras do ministro – dada a demanda internacional e o fato de o Brasil ter demorado para fechar a aquisição da vacina, esse adiantamento dependeria de circunstâncias bastante extraordinárias.