É direito não dar direito?

O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa, deputado Tadeu Veneri, retirou-se da sessão em homenagem

O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa, deputado Tadeu Veneri, retirou-se da sessão em homenagem à ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que recebeu o título de Cidadã Benemérita do Paraná. O fascismo não se homenageia. O fascismo se combate, disse Veneri.

Ele disse à ministra que não se sentia à vontade em participar de uma sessão em que se homenageia a representante de um governo que tem uma concepção de direitos humanos muito diferente daquela que acredita. Veneri votou contra a proposta de concessão do título à Damares por entender que as ações deste governo na área de direitos humanos não podem ser respaldadas por uma sociedade democrática.

Essa atitude deixa claro, que para o parlamentar os seus direitos humanos não dão direito de pensar diferente daquilo que ele interpreta como certo.

Se formos averiguar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, percebemos no artigo 2º, o seguinte:

1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Portanto, é prematuro afirmar que o atual governo desrespeita a posição e opinião política de quem quer que seja, pois até o momento não se registrou nenhum abuso de poder, prisão, morte ou outrem, que contrariem a Declaração.

A opinião explicitada por Bolsonaro, sobre a esquerda, ainda em campanha, foi avalizada pela maioria dos brasileiros na última eleição. A contestação do parlamentar deve ser respeitada como direito de expressão, mas ele também precisa respeitar quem pensa diferente. A atitude dele não só constrangeu uma mulher, mas acima de tudo, violou uma cláusula da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Poderia sim Veneri, ter deixado o recinto sem chamar para si as luzes do holofote, seria uma atitude bem mais civilizada e condizente com aquilo que ele diz defender.