No mesmo barco

O governo vai continuar a defender a proposta integral de reforma da Previdência, mas as novas regras de aposentadoria rural

O governo vai continuar a defender a proposta integral de reforma da Previdência, mas as novas regras de aposentadoria rural e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) poderão ser suprimidas se a maioria dos parlamentares decidir.

O assunto é polêmico e necessário e já passou da hora de se discutir e encontrar uma solução para o problema.

Problema sim, pois se continuar como está logo o brasileiro só terá aposentadoria se fizer um plano de previdência privada.

É simples explicar, fazendo um exercício e exemplificando a conta, se você ganha R$ 1 mil por mês e tem uma despesa de R$ 1,5, fatalmente chegará a hora da falência. Simples assim! É o que está acontecendo com a Previdência Social.

O último dado divulgado mostra um rombo gigantesco de R$ 195,2 bilhões em 2018, um aumento de 7% em relação a 2017.

A despesa com benefícios cresceu 5,2% e fechou o ano em R$ 586,4 bilhões. A arrecadação, por sua vez, subiu 4,4%, somando R$ 391,2 bilhões. Os valores são nominais, isto é, não consideram a inflação do período.

E tem mais, um estudo divulgado em 2017,  mostra que em 1992 havia um beneficiário para cada 12 brasileiros. Já em 2015, essa proporção passou para um aposentado ou pensionista para cada sete brasileiros. De acordo com os dados, os idosos com mais de 80 anos passaram de 10,5% para 13%, entre 1992 e 2015. No período, no caso da idade média dos aposentados, o salto foi de 65,6 anos para 67,9 anos.

Isso esclarece que a força trabalhadora, que teoricamente paga a conta, diminuiu e o número de beneficiados aumentou e a tendência é só aumentar.

Então o que fazer?

Bem, o governo vem há anos, tapando o sol com peneira,  tirando dinheiro de outras fontes, para poder arcar com o pagamento de aposentados e pensionistas em detrimento de outras áreas e mesmo assim o barco continua afundando, como você pode conferir nos números acima. A regra é clara, na matemática não existe milagre.

A reforma  da Previdência Social não pode ser tratada com paliativos, pois será preciso cortar a própria carne, inclusive a dos  militares.