Caro leitor do Correio do Povo do Paraná, no artigo anterior, falamos brevemente sobre “quem fala”. É exatamente por aqui que tudo começa neste universo da comunicação pessoal.
O autoconhecimento e a percepção de que, antes mesmo do discurso, chega ao ouvinte a informação de quem nós somos constituem uma espécie de primeira “palavra” que ficará registrada na mente de quem nos escuta.
Sabendo disso, agora é hora de darmos um passo além e entendermos “o que falar”.
Ou melhor: qual é a mensagem que eu quero que permaneça na mente do meu ouvinte depois que minha fala terminar?
Essa pergunta parece simples, mas talvez seja uma das mais importantes que um comunicador precisa fazer antes de abrir a boca.
Pense, por exemplo, em uma palestra. Muitas coisas serão ditas ao longo de uma apresentação. Haverá histórias, exemplos, experiências pessoais, dados, talvez até uma brincadeira ou uma anedota. Tudo isso pode enriquecer a comunicação. Mas existe um perigo: o comunicador se encantar tanto com aquilo que tem para contar que acaba esquecendo aquilo que realmente precisa comunicar.
Histórias não devem existir apenas porque são interessantes. Exemplos não devem ser utilizados apenas porque tornam a fala mais bonita. Cada elemento precisa cumprir uma função: ajudar a reforçar a mensagem central.
Imagine que a mensagem de uma palestra seja: “Você não precisa esperar perder a oportunidade para perceber o seu valor.”
A partir dessa mensagem, posso contar a história de alguém que passou anos duvidando de sua própria capacidade, posso apresentar um exemplo profissional, posso fazer uma pergunta à plateia e até compartilhar uma experiência pessoal.
São conteúdos diferentes, mas todos caminham para o mesmo lugar.
Eu posso falar sobre muitas coisas sem perder de vista uma única coisa que realmente quero que o meu ouvinte leve para casa.
E aqui está um dos grandes desafios da comunicação: saber o que deixar de fora.
Nem tudo o que sabemos precisa ser dito. Nem tudo o que é interessante precisa entrar na fala. Nem toda história precisa ser contada.
O bom comunicador não é aquele que coloca tudo o que sabe dentro de um discurso. É aquele que consegue selecionar o que precisa ser dito para que a mensagem seja compreendida.
Talvez, daqui a algum tempo, meus ouvintes não se lembrem exatamente das palavras que usei. Talvez não se lembrem de todos os exemplos. Talvez nem se lembrem de mim.
Mas, se a comunicação realmente cumpriu seu propósito, alguma coisa permanecerá.
A mensagem.
É isso que buscamos quando comunicamos: não apenas ocupar alguns minutos diante de alguém, mas deixar algo que continue fazendo sentido depois que a nossa voz se calar.
Por isso, antes de preparar uma palestra, uma reunião, uma aula ou até mesmo uma conversa importante, faça uma pergunta a si mesmo:
“Se meu ouvinte lembrar de apenas uma coisa do que eu vou dizer, o que eu quero que seja?”
Encontre essa resposta.
Depois, construa sua fala ao redor dela.
Porque quem não sabe qual é a mensagem que pretende transmitir corre o risco de falar muito, explicar muito e, no final, não dizer absolutamente nada que realmente permaneça.
Na comunicação, primeiro precisamos saber quem fala.
Depois, precisamos saber o que fala.
Na próxima semana, daremos mais um passo: vamos falar sobre como falar.
Porque uma mensagem pode ser excelente, mas ainda precisamos aprender a fazê-la chegar ao outro.
Obrigado por sua companhia nesta coluna e por permitir que eu compartilhe com você um pouco daquilo que tenho aprendido e vivido ao longo da minha caminhada na comunicação.
Até a próxima!
Sou Mauricio Belo, e este é o FalaBelo — Comunicação & Vida, um espaço para refletirmos juntos sobre comunicação, comportamento humano, desenvolvimento pessoal e, principalmente, sobre a vida que estamos construindo.



