Dia dos Namorados e o marco para valorizar o afeto

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Entre os feriados religiosos e civis, a sociedade também cria marcos sem pausas do trabalho assalariado para questões que precisam ser valorizadas no coletivo. Datas para rememorar atos não tão comuns, mas que propõem um desejo de tornar-se habitual. Na contemporaneidade, a rotina atribulada com cada vez mais compromissos, demandados pelo consumismo derivado do sistema capitalista, torna as relações afetivas, de modo geral, esquecidas pelo individualismo segregador. Pensar no coletivo e no outro, ter afeto e consequentemente empatia, entretanto, é uma necessidade humana para a sobrevivência da nossa própria espécie.

Em alguns países de cultura ocidental, como por exemplo na Finlândia, o Dia dos Namorados está relacionado com Valentine’s Day, dia de São Valentim, comemorado em fevereiro e destinado, também, para celebrar a amizade entre as pessoas no geral. Um eclesiástico de nome Valentim em Roma, proibido de realizar casamentos, porque o imperador Claudio II teria decretado que homens casados eram soldados piores no século III, teria sido preso e condenado à morte por realizar a cerimônia de forma clandestina. Alguns relatos também falam que ele teria se apaixonado pela filha de um carcereiro e passara a lhe enviar cartas, posteriormente simbolizando a troca de cartões.

A Igreja Católica, séculos depois, ao oficializar as antigas festas chamadas de Lupercálias na Roma Antiga, quem brindavam os atos sexuais e a entrada da Primavera em fevereiro, instituiu a comemoração de São Valentim como marco para as uniões matrimoniais. Com a valorização do ser humano no Renascimento e a criação do romantismo, as trocas de relações íntimas passaram a ter um significado de afeto. No Brasil, contudo, as relações afetivas são rememoradas em junho, no dia 12, como resultado de uma campanha publicitária iniciada em 1949 em São Paulo, com o slogan “não é só com beijos que se prova o amor” ou “não se esqueçam: amor com amor se paga”. O objetivo era movimentar as vendas do comércio no mês de junho, que era considerado um dos meses mais fracos. Para isso, buscou-se a tradição de São Valentim e para obter legitimidade na memória social no mês de junho, escolheu-se outra tradição de cunho nacional: a comemoração de São Antônio, considerado um santo casamenteiro.

Somava-se ao sincretismo religioso brasileiro com as religiões de matriz afro e dos povos originários, em que os santos adquiriam uma relação de amizade com as pessoas e assim, “torturar” e colocar a imagem do santo de cabeça para baixo poderia atrair bons relacionamentos afetivos íntimos. O nome do Santo, no entanto, é de origem portuguesa e remete ao Frei Fernando de Bulhões, conhecido por incentivar a realização de casamentos.

A data, nesse sentido, além de uma necessidade comercial no Brasil para troca de presentes, também se remete às tradições antigas de valorização das relações afetivas íntimas em rotinas de luta e sobrevivência, quase sempre muito pesadas no processo de construção das sociedades, bem como, de valorização do afeto de forma geral nas amizades, sejam elas em relacionamentos monogâmicos ou do coletivo de solidariedade entre as pessoas e os povos.

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