Feriado de Carnaval: uma pausa para brincar

O feriado de carnaval, enquanto pausas do trabalho organizado em sociedade, é bastante peculiar, porque envolve uma série de festividades

O feriado de carnaval, enquanto pausas do trabalho organizado em sociedade, é bastante peculiar, porque envolve uma série de festividades durante alguns dias, sempre antecedendo 40 dias o feriado de Páscoa. Tem, portanto, um fundo religioso universal e mais profundamente, o intuito de possibilitar uma pausa para a brincadeira; adquire no Brasil contornos bem específicos e que possibilitam classificar o país, como país do Carnaval.

Remete-se, por isso, à tradição religiosa cristã instituída durante a Alta Idade Média na Europa, período em que a Igreja Católica possuía enorme poder econômico, político e cultural sobre este continente. Ele é comemorado em várias partes do mundo e até em datas diferentes. No Brasil caracteriza-se por festividades que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas, momento que inaugura os 40 dias de recolhimento na religião cristã, conhecido como Quaresma, até a Semana Santa, que simboliza a morte de um de seus principais nomes, Jesus Cristo. O termo Carnaval pode estar ligado à tradução do latim de carne vale, “adeus à carne”, ou seja, com o significado de aproveitar com festejos e brincadeiras a entrada da Quaresma.

Tais festividades, no entanto, eram comuns desde as sociedades mais antigas no Oriente Médio, com o intuito de comemorar a entrada da primavera no hemisfério norte com seu equinócio e assim, brindar a aproximação de tempos férteis na agricultura. Brincadeiras, cantorias, uso de fantasias e máscaras alegóricas para brincar com a identidade são algumas das características. Nas tradicionais festas intituladas de Saturnálias na Roma Antiga, o uso de carros decorados chamados de carrus navalis, carro naval, com formatos de navios, era outra característica marcante. Depois, a variação linguística foi reapropriada pela Igreja Católica, para chegar ao termo utilizado hoje, Carnaval.

No Brasil, os povos originários brindavam o solo fértil com suas comemorações e brincadeiras de rua, intituladas do Entrudos – “começos”, foram inseridas a partir do século XVI envolvendo as classes populares. Posteriormente no século XIX, estas práticas foram criminalizadas, contudo, os bailes de máscaras tradicionais na Europa foram inseridos em clubes e teatros da corte no Brasil Império para as classes mais abastadas. A partir da década de 1920, as escolas de samba e seus desfilies competitivos, bem como, as comemorações de ruas pelo país, se consolidaram, enquanto práticas populares carnavalescas derivadas das resistências dos cordões e ranchos à proibição das festividades no século passado.

Como uma pausa para descansar e ao mesmo tempo divertir-se, o Carnaval abre a possibilidade de festejos coletivos para comemorar o ato de brincar, brincar com sua identidade através de fantasias e se permitir ao mundo lúdico. Rememora antigas celebrações da agricultura e constitui, nesse sentido, importante instrumento para a socialização da diversidade cultural.

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