A IMPORTÂNCIA DO PENSAMENTO

            Meus amigos – começou a dizer o instrutor (Espírito que falava através da médium, Dona Celina), que nos acompanhava

            Meus amigos – começou a dizer o instrutor (Espírito que falava através da médium, Dona Celina), que nos acompanhava o trabalho a longa distância, – guardemos a paz que Jesus nos legou, a fim de que possamos servi-lo em paz.

            Em matéria de mediunidade, não nos esqueçamos do pensamento. Nossa alma vive onde se lhe situa o coração. Caminharemos, ao influxo de nossas próprias criações, seja onde for.

            A gravitação no campo mental é tão incisiva, quanto na esfera da experiência física.

            Servindo ao progresso geral, move-se a alma na glória do bem. Emparedando-se no egoísmo, arrasta-se, em desequilíbrio, sob as trevas do mal.

            A Lei Divina é o Bem de todos.

            Colaborar na execução de seus propósitos sábios é iluminar a mente e clarear a vida. Opor-lhe entraves, a pretexto de acalentar caprichos perniciosos, é obscurecer o raciocínio e coagular a sombra ao redor de nós mesmos.

            É indispensável ajuizar quanto à direção dos próprios passos, de modo a evitarmos o nevoeiro da perturbação e a dor do arrependimento.

            Nos domínios do espírito não existe a neutralidade. Evoluímos com a luz eterna, segundo os desígnios de Deus, ou estacionamos na treva, conforme a indébita determinação de nosso «eu».

            Não vale encarnar-se ou desencarnar-se simplesmente. Todos os dias, as formas se fazem e se desfazem. Vale a renovação interior com acréscimo de visão, a fim de seguirmos à frente, com a verdadeira noção da eternidade em que nos deslocamos no temp.

            Consciência pesada de propósitos malignos, revestida de remorsos, referta de ambições desvairadas ou denegrida de aflições não pode senão atrair forças semelhantes comuns às trevas.

            Pensamos, e imprimimos existência ao objeto idealizado.

            A resultante visível de nossas cogitações mais íntimas denuncia a condição espiritual que nos é própria, e quantos se afinam com a natureza de nossas inclinações e desejos aproximam-se de nós, pelas amostras de nossos pensamentos.

            Se persistirmos nas esferas mais baixas da experiência humana, os que ainda jornadeiam nas linhas da animalidade nos procuram, atraídos pelo tipo de nossos impulsos mentais que emitimos e projetando sobre nós os elementos de que se fazem portadores.

            Imaginar é criar. E toda criação tem vida e movimento, ainda que ligeiros, impondo responsabilidade à consciência que a manifesta. E como a vida e o movimento se vinculam aos princípios de permuta, é indispensável analisar o que damos, a fim de ajuizar quanto àquilo que devamos receber.

            Quem apenas mentalize angústia e crime, miséria e perturbação, poderá refletir no espelho da própria alma outra imagens que não sejam as da desarmonia e do sofrimento? Um viciado entre santos não lhes reconheceria a pureza, de vez que, em se alimentando das próprias emanações, nada conseguiria enxergar senão as próprias sombras…

            É da forja viva da ideia que saem as asas dos anjos e as algemas dos condenados…

            Nossos pensamentos geram nossos atos e nossos atos geram pensamentos nos outros…

 

Livro: NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE. André Luiz (Espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira – FEB. 23ª ed. Rio de Janeiro – RJ. 1995. Pág. 117.