AUTORIDADE MORAL, UMA VIRTUDE CRISTÃ

“Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em

“Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.” (Mt 17: 1-2)

                Ecelino, tirano da Pádua, III desse nome e genro de Frederico II (imperador da Alemanha), e que tantas guerras fez, e tantas guerras sofreu, mandara proceder, em meado de 1230, a várias execuções em Verona, onde então residia, fazendo vítimas entre os guelfos, partidários do papa.

                Soube-o Antônio, e, solicitado pelos paduanos temerosos de novas violências, foi diretamente ao palácio do déspota censurar-lhe tão grande crueza.

                Depois de atirar-lhe em face as ferocidades e injustiças do poder que exercia, disse: “Inimigo de Deus, tirano cruel, quando acabarás de derramar tanto sangue de cristãos inocentes? Não esqueças que a duríssima e espantosa sentença de Deus cairá sobre ti!”

                Os que rodeavam o malvado, mudos de assombro diante daquelas palavras (que um rei não teria tido ânimo de proferir diretas a Ecelino), pensaram ver cair Antônio, trespassado pelo punhal, e prontos haviam já os gládios para retalhar-lhe o corpo.

                Mas, admiração das admirações, Ecelino ouvia calado a inspirada admoestação do grande médium.

                E, fitando Antônio, sentiu verdadeira revolução no íntimo da alma; seu rosto acusou todas as metamorfoses dos sentimentos recônditos, e, vencido, curvou-se às palavras do acusador, confessando as faltas e prometendo obedecer àquela voz mais forte que o poder das tiranias terrestres.

                E, quando se retirou Antônio, Ecelino, para responder ao pasmo dos áulicos, revê de narrar que vira transfigurar-se o rosto do frade, iluminado por uma claridade, por um resplendor que o transformara e o fizera parecer uma visão divina.

                E, ou porque se refizesse da impressão recebida ou porque temesse a incredulidade, a zombaria dos seus mavórticos cortesãos, para experimenta o caráter, a sinceridade de Antônio, resolveu mandar a este riquíssimo presente, recomendando aos servos a maneira de proceder: – “Se ele aceitar a dádiva, matai-o; se vos expulsar, indignado, sofrei tudo com paciência e voltar sem nada responder”, disse Ecelino.

                Antônio, que era verdadeiro médium, incapaz de receber propinas de quem quer que fosse, encheu-se de cólera e nojo, ele que era mansueto e piedoso, e correu os servos do tirano, bradando-lhes: – “Ide-vos, e levai esse fruto de rapinas e de  perdições; ide-vos, para que esta casa não se desmorone ou fique poluída com a vossa presença.”

                Sabendo disto, Ecelino disse: – “É um homem de Deus. Deixai que diga, de agora em diante, contra nós, quanto quiser…”

O QUE DISSERAM OS ESPÍRITOS: – “Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?” “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.” (L E 459). – “Da existência de diferentes ordens de Espíritos, resulta para estes alguma hierarquia de poderes? Há entre eles subordinação e autoridade? – Muito grande. Os Espíritos têm uns sobre os outros a autoridade correspondente ao grau de superioridade que hajam alcançado, autoridade que eles exercem por um ascendente moral irresistível.

Podem os Espíritos inferiores subtrair-se à autoridade dos que lhes são superiores? – Eu disse: Irresistível.

Livros: ANTÔNIO DE PÁDUA. Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro – RJ. 1ª Ed. 2011. Págs. 40-42

O Livro dos Espíritos – FEB, 84ª Ed. 2003. Questões 274, 274 a e 459.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, CEAC  Guaraniaçu PR. [email protected]