EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO

Há mais de vinte séculos, Demócrito escreveu na sua teoria atomista a respeito do fluxo das partículas que se alteram

Há mais de vinte séculos, Demócrito escreveu na sua teoria atomista a respeito do fluxo das partículas que se alteram na formação de todas as coisas, sem deixarem de ser elas mesmas, assim abrindo perspectivas para o entendimento da corrente do pensamento, em face das ondulações que propiciam , no mundo das ideias… Aristóteles…, aduzia que esse conjunto era animado por uma alma, um sopro – pneuma – um tipo de ar que oferecia vitalidade ao corpo, favorecendo a vida com a capacidade de pensar…

            O pensamento, no entanto, prossegue desafiador, se estudado apenas sob o ponto de vista fisiológico, resultado das conexões neuronais, conforme propostas das modernas neurociências e psicologia acadêmica. Se remontarmos ao primata homini, no qual lampejam as primeiras expressões do pensamento primitivo, como ocorre nos animais inferiores da escala zoológica, mediante os condicionamentos – Pavlov -, podemos afirmar que o desenvolvimento da habilidade de pensar procede do ser, do Espírito, através das suas sucessivas reencarnações.

            Em cada etapa desse inextricável programa de evolução, o Espírito experiencia hábitos e coleta dados que amplia durante o estágio de erraticidade, imprimindo no cérebro, quando por ocasião de novas incursões no corpo somático.

            Quanto mais evoluído, tanto melhor e mais ampla será a sua capacidade de pensar, atravessando as fases diferenciadas do período arcaico, no qual ainda predominam os instintos para avançar no descobrimento de si mesmo…

            Na tradição evangélica, o pensamento procede do coração, o que equivale dizer: do sentimento. A emoção que se liberta dos instintos agressivos e primários, alarga os horizontes do pensamento, no sentir e no analisar, de maneira que alcance o patamar da intuição.

            O pensamento lógico, assinalado pela horizontalidade do raciocínio, no momento em que recebe a vitalização do amor, faz que desabrochem os arquétipos divinos que no Espírito jazem, dando lugar a pessoas nobres e grandiosas.

            Foram os momentos extraordinários de Francisco de Assis e Cristóvão Colombo, em campos diferentes, embora, ampliando os horizontes do mundo.

            Fenômeno equivalente ocorreu com Joana D’Arc e Rembrandt ou Miguel Ângelo, com Pasteur e Florence Nightingale, com Damião de Veuster e Mozart…

            Quando o amor vitaliza o pensamento, o Espírito estua na busca da plenitude, abandonando os períodos egotistas, para vivenciar a solidariedade, o coletivismo dignificante.

            O hábito de pensar com amplitude e de agir com abnegação favorece o desenvolvimento espiritual, rompendo os atavismos com as heranças primárias que teimam em permanecer na natureza animal do ser em prejuízo daquela de origem espiritual.

            Mediante associações de ideias elevadas, o pensamento supera as paisagens lúgubres e as paixões dominantes no sensualismo, na ambição, na violência para extasiar-se na fraternidade, na solidariedade, no companheirismo, no amor vasto e vitalizador.

            Cada criatura, por isso mesmo é o que pensa, encarcerando-se em estruturas mentais sombrias ou libertando-se dos grilhões no rumo das claridades infinitas do Cosmo. Pensa mal, e mesmo que o disfarces, ficarás aprisionado, gozando de falsa liberdade até a queda nos hórridos conflitos…

 

Livro: ILUMINAÇÃO INTERIOR. Joanna de Ângelis (Espírito). Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 3ª ed. Salvador. BA. 2015. Págs. 125.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR. [email protected]