INDIFERENÇA ESPIRITUAL

Não são poucas que se encontram engessadas em conduta materialista, embora vinculadas a determinadas religiões, que mantêm singular indiferença pela

Não são poucas que se encontram engessadas em conduta materialista, embora vinculadas a determinadas religiões, que mantêm singular indiferença pela vida espiritual.
    O conceito de imortalidade do Espírito se lhes afigura como algo remoto para meditar, enquanto que o seu comportamento permanece vinculado ao hedonismo utilitarista, distante dos ensinamentos doutrinários aos quais se vinculam na crença que professam…
    Espíritos que se comportam indiferentes à fé religiosa, lamentavelmente, não possuem estrutura emocional para os grandes embates que a vida apresenta a todos no curso da existência. Normalmente, quando essas ocorrências aparentemente negativas surgem, deixam-se arrastar pelo pessimismo, em razão da falta de hábito de confiar e de lutar para conseguir as realizações em plano superior, ou desesperam-se, arrojando-se agressivamente contra, mais complicando a situação que os desafia.
    São mais fáceis de tombar diante dos testemunhos do que aqueles que aprenderam a confiar na proteção divina e vinculam-se a Deus através do pensamento, nEle haurindo vigor para continuar a baralha evolutiva. Não dispondo do conforto da oração, os primeiros insistem nos pensamentos perturbadores, enquanto os outros renovam-se na comunhão pela prece com a Divindade, que os robustece de energias e de paciência para os enfrentamentos, favorecendo-os com alegria mediante alcançar os píncaros da Espiritualidade, fruindo de paz e de esperança.
    Toda religião, portanto, é precioso método pedagógico para o Espírito entender-se e compreender a finalidade existencial da sua jornada, desde que não se permitindo o fanatismo, que é doença da alma.
    Quando o fanatismo se expressa na conduta religiosa, é o indivíduo que, portador de transtorno de conduta emocional, desrespeita o direito do próximo, qual ocorre em outros segmentos e condutas na sociedade. Encontramo-lo na política, na filosofia, na arte, nos mais diversos setores da atividade humana.
    Por sua vez, o Espiritismo, na condição de religião com fundamentos lógicos e racionais, sempre propõe o amor como recurso valiosos para o entendimento das ocorrências e mecanismo de solução das mesmas, ampliando o elenco das propostas filosóficas para ensejar a harmonia interior que estimula ao crescimento intelecto-moral.
    Ninguém transita no mundo sem dificuldades, que se constituem instrumentos de crescimento espiritual para todos.
    Desse modo, a segurança na fé religiosa ou numa conduta ética otimista e humanitária constitui elemento fundamental para se alcançarem as metas dignificadoras que devem ser conquistadas.
    Entendemos, desse modo, que não é a fé na religião que dignifica  ou que salva o indivíduo de si mesmo, dos seus males, porém a vivência das suas diretrizes e a experiência iluminativa que se faz necessária.
    A crença em Deus é indispensável para a completude individual, para o estado numinoso do ser humano. Certamente, nem todos concordam com esse conceito, e alguns poderão mesmo dizer, como Nietzsche ou Laplace, respectivamente, informando com arrogância que Ele já deveria estar aposentado ou não ter sido necessário para elaborar a sua tese, no que se equivocaram lamentavelmente.
    De outra forma, muitos outros cientistas e investigadores confessaram que se Ele nada poderiam ter conseguido, deixando um rastro luminoso de esperança e de bem-estar nos corações.
    Semeia luz na treva e grão de amor no solo dos corações.
    Nunca poderás avaliar realmente o que sucederá depois que assinalares o teu caminho com as mensagens de iluminação e de ternura após percorrê-lo.
    Muitos desses, que hoje são indiferentes, provavelmente virão pela mesma senda e encontrarão os teus sinais recolhendo-os com interesse, porque outro será o momento das suas vidas, então marcadas por outras disposições e necessidades…

Livro: LIBERTAÇÃO DO SOFRIMENTO. Joanna de Ângelis (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. Salvador. BA. 2008.
Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]