INQUIETAÇÃO E CRUELDADE

Fosse qual fosse o motivo ele não tinha o direito de fazer o que fez… Vivia ao seu lado, conhecendo

Fosse qual fosse o motivo ele não tinha o direito de fazer o que fez…

Vivia ao seu lado, conhecendo todo o ministério do seu devotamento aos homens…

A ninguém jamais negara a moeda de luz da esperança, ou a côdea larga do pão do reconforto…

Todavia, Judas, inquieto, movido por esse ou aquele motivo, O traíra… desertando, logo após, da carne, em desventurado autocídio.

Inquietos e cruéis! Há espíritos que experimentam inquietação, enquanto buscam, sedentos, os elevados objetivos que têm a colimar. Sua inquietude não turba a mente nem desgoverna os sentidos; faz-se força de propulsão para a vencida dos obstáculos que devem ser transpostos. E há os irrequietos, os que vivem agitados, facilmente conduzidos à crueldade.

A inquietação é síndrome de enfermidade grave a azorragar por dentro, dilacerando as fibras íntimas do sentimento que se estiola e das emoções que se desorganizam. E a crueldade é câncer nalma, já instalado.

A inquietação conduz o espírito que se torna infeliz em jornada de loucura. E a crueldade manifesta-se com chaga no egoísta que se crê merecedor único da claridade solar, e, prepotente, supõe-se credor de todas as bênçãos da vida, sem contentar-se com tudo quanto lhe chega.

O avaro de amor, não ama.

Calceta, inveterado no erro, não desculpa erro algum dos que lhe sofrem o talante. É espírito rudemente atormentado em si mesmo.

Ama-o, porém, tu, ajudando-o a crer que é possível amar sem exigir e ajudar sem pretensão de recompensa.

Ora por ele, banhando-lhe o ser de vibrações que o lenirão de fora para dentro e que se fixarão de dentro para fora.

Os teus exemplos, talvez, não o comovam, nem o convençam. Persevera, mesmo assim.

Resguarda-te da tecedura sutil da inquietude que leva à crueldade para com o teu irmão do caminho. Submete-te a rigoroso exame e fiscaliza as manobras e artimanhas do egoísmo na aduana da tua mente. Não te suponhas merecedor disto ou daquilo. Agradece o que te chegue, como chegue, por quem chegue.

Em verdade, devedores como somos, em considerando os Estatutos das Divinas Leis, tudo quanto nos é dado pode ser considerado acréscimo da Misericórdia de Nosso Pai.

Acautela-te, condignamente, e asserena-te, seguindo confiante e tranquilo pela rota dos teus deveres, com brandura e docilidade.

Judas não se supunha capaz de traí-Lo, enganando-se a si mesmo, vencido pela cegueira da inquietação que o levou à crueldade do ato inominável. A invigilância crispou-lhe a alma e forças tiranizantes o venceram.

Tem cuidado, cultivando o reconhecimento, a amizade, e zelando, prestimoso, os bens da aflição que te doam em forma de luz para a senda por onde seguem os teus pés com robusta e nobre tranquilidade em Jesus.

 

Livro: O LAMPADÁRIO ESPÍRITA. Allan Kardec. 6ª ed. Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro. RJ. 1996.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR. [email protected]