O INCONSCIENTE SAGRADO

À medida que o ser se conscientiza da sua realidade, transfere-se de níveis e patamares da percepção psicológica, para aprofundar

À medida que o ser se conscientiza da sua realidade, transfere-se de níveis e patamares da percepção psicológica, para aprofundar buscas e sentir o apelo das possíveis realizações.

                Fase a fase, identificando-se com os seus conteúdos psíquicos, a visão dos objetivos íntimos se lhe agiganta e cada conquista faculta-lhe um elenco de entendimentos que fascinam, motivando-o ao avanço e à autopenetração profunda.

                Crê-se, com certa lógica, que a aquisição da consciência plena faculte sabedoria imediata, harmonia, e uma certa insensibilidade em relação às emoções. Fosse assim e condenaríamos o sábio à marginalidade, por não participar, solidário, dos problemas que afligem  os demais indivíduos em si mesmos e na sociedade em geral.

                A sabedoria resulta da união do conhecimento com o amor, cujos valores tornam o ser tranquilo, não insensível; afetuoso, não apaixonado.

                A perfeita compreensão da finalidade do sofrimento, na lapidação, desenvolvimento e evolução, proporciona-lhe solidarizar-se com equilíbrio, sem compaixão nem exaltação, qual ocorre com um educador acompanhando o esforço e sacrifício do aluno até sua exaustão, se necessário, para a aprendizagem. Havendo transitado pelo mesmo caminho, ele o bendiz, agradecendo a sua permanência, que propicia a outros candidatos experiências equivalentes.

                A visão de humanidade alarga-se e o sentimento de amor desindividualiza-se, para sentir uma imensa gratidão pelos que passaram antes, aqueles que prepararam a senda que ele percorreu; desponta-lhe uma grandiosa complacência pelos que ainda não despertaram no presente, compreendendo-lhes a infância espiritual em que demoram; amplia-se a capacidade de auxílio em favor dos que estão empenhados na auto-iluminação e, por fim, agiganta-se, afetuoso, em relação ao futuro em que se adentra, mediante as incessantes realizações em se fixa.

                Atingindo os níveis superiores de consciência, nos quais vivencia estados alterados, lentamente abre comportas psíquicas que se assinalam por traços dessas percepções até imergir no inconsciente profundo.

                Esse inconsciente profundo, porém, que alguns psicólogos transpessoais e mentalistas denominam como sagrado, é depósito das experiências do Espírito eterno, co eu superior, da realidade única da vida física, da causalidade existencial…

                A identificação da consciência com esse ser profundo proporciona conquistar a lucidez sobre as realizações das reencarnações passadas, num painel de valiosa compreensão de causas e efeitos próximos ou remotos.

                Diante das possibilidades agigantadas, o indivíduo, lentamente, deixa todos os apegos – remanescentes do ego – todos os desejos – reflexos perturbadores do ego -, todas as reações – persistência dominadora do ego…

                O mal e os males não o atingem, porque a sua compreensão do bem leva-o a identificar Deus em tudo, em todos, amando as mais variadas, ou agressivas, ou persuasivas formas de alcançá-lO.

                Essa libertação, essa desidentificação com o ego, inunda-o de equilíbrio e de confiança, sem pressa nos acontecimentos, sem ressentimentos nos insucessos.

                A dimensão de tempo-espaço cede lugar ao estado de plenitude, no qual a ação contínua, iluminativa, desempenha o papel principal no prosseguimento da evolução.

                Abstraindo-se das objetivações e do mundo sensorial pelo desapego, a vida psíquica se lhe irradia generosa, comandando todos os movimentos e ações sob o direcionamento da realidade imortal, que alguns preferem continuar denominando como inconsciente sagrado.

                Tornando-se plenamente realizado, sente-se purificado das mazelas, sem ambições, nem tormentos. Aproxima-se do estado numinoso. Liberta-se.

Livro: AUTODESCOBRIMENTO Uma Busca Interior. Joanna de Ângelis (Espírito). Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 16ª ed. Salvador. BA. 1995. Págs 62-64

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR.  [email protected]

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