A vida terrena, à semelhança de um curso formidável em dinâmica escolar, oferece ao espírito nela matriculado uma programação capaz de fazê-lo chegar ao Pai Criador, de maneira eficiente, coerente e gradativa.
Nesse curso, os espíritos estão distribuídos de acordo com as necessidades específicas, sendo que cada um deles extrairá o de que realmente carece para o enriquecimento do seu currículo. Ao longo desse curso, os alunos que cumprem suas etapas vão cedendo lugar a outros que, por seu turno, se apresentam para as devidas aprendizagens. É assim que vemos alunos que ficam poucas horas na escola, ao lado de outros que se demoram por poucos meses, enquanto muitos ficam por poucos anos, deixando aqueles que na Terra são mantidos por largos anos.
Desses alunos, há os que necessitam somente dos primeiros contatos do berço; há os que carecem só do programa infantil; surgem os que precisam também da experiência juvenil, enquanto vários outros vieram para desenvolver todo o curso, englobando a madureza, com possibilidades de alcançar a senectude. Cada qual desses aprendizes se demora o tempo que lhe é devido, em razão do tipo de coisa que precisa assimilar, dentro do grande projeto eternidade. Quem atravessou a introdução do curso, chamada infância, com certeza se acha credenciado ao primeiro estágio, o da adolescência, que, sem contestação, expressará tudo o que a infância haja fixado de grandezas ou pequenezes, de belezas, ou de feiuras, aos níveis do avanço intelectual e do progresso moral.
Superados os tempos adolescentes, advirá o segundo estágio, o da juventude/madureza, que é aquele em que o indivíduo se encontra entre o adolescente e o adulto, estruturando definições que se enrijecerão em sua realidade, permitindo-lhe penetrar o estágio adulto da maturidade, que bem podemos nomear de terceiro estágio, consoante a classificação que estamos adotando.
Aquele aluno que ultrapassou todas as etapas anteriores, com alto ou baixo conceito, adentrará o quarto estágio, que é o da senectude, comumente chamado velhice. Neste, pesará toda a bagagem de conhecimento, de desenvolvimento que o indivíduo tenha elaborado através do tempo. Bênçãos de afetos conquistados ou torturas de desafetos fomentados; alegrias pela colheita de ternura ou desenganos de abandono cultivado; júbilos pelas memórias felizes de engrandecidos feitos ou lamentos pelo mau aproveitamento das horas, correspondendo a infaustas lembranças.
No terceiro estágio, quase sempre se vê a criatura atrelada às realizações do casal, aos desafios da criação e encaminhamento dos filhos, bem como do enfrentamento das alternâncias de valores sociais, que configuram a moral social da época, e, geralmente, põe-se aturdida perante todas as questões vinculadas aos aprendizados que não foram bem trabalhados ou que tenham sido negligenciados nos estágios anteriores.
Quando a infância tenha sido excelente alicerçamento para a adolescência, e esta tenha feito valiosos empreendimentos para madureza, corroborados pelas ações da juventude, não pode haver dúvida de que o adulto manterá posturas equilibradas e visão clara diante dos incontáveis reptos que se lhe anteponham. Quanto mais tenham sido mal feitos os estágios precedentes, menos recursos terá o indivíduo para trilhar com segurança a estrada que lhe está assinalada…
A par das faltas no desenvolvimento intelectual, que são evidentes em cada estágio da alma no mundo, seja pelo desinteresse de grande número, seja em função de impedimentos provacionais, deparamo-nos com baixíssimo nível de progresso moral dos adultos, pelo fato de que tal questão não foi priorizada nem na infância, tampouco na adolescência ou juventude, quando todos os interesses se voltavam para o que a criança e ou jovem podiam desenvolver para o lucro social imediato, para o aplauso mundano, uma vez que para imensa faixa de adultos é mais importante o sucesso dos filhos, pouco se interessando por sua felicidade, por parecer coisa demasiado remota, no plano das contingências da vida humana…
Na estrutura das leis divinas, que são as mesmas que Jesus Cristo veio pregar e viver, e que são as que o Espiritismo divulga e propõe, por sua vez, está toda a grandeza da vida no planeta, as técnicas das relações humanas, os direcionamentos facilitadores da vida de cada indivíduo consigo mesmo, bem como a forma segura e lúcida de a criatura humana contatar seu Criador.
É nesse curso desenvolvido na formidável existência terrena, com seus vários níveis e estágios, que o ser encontra chances de penetrar sempre mais o conteúdo das leis que regulam a vida em termos físicos e morais, passando a dedicar-se com afinco à conquista de si mesmo, superando os obstáculos levantados ao seu derredor, posicionando-se na fase madura, de direito e de fato, construindo tempos futuros de harmonia da consciência, pelos deveres exaustiva e dignamente cumpridos, apesar das ondas de oposição às leis de Deus, que ganham destaque e adeptos na atualidade.
Livro: DESAFIOS DA EDUCAÇÃO. Camilo (Espírito), psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritas. Niterói – Rio de Janeiro – RJ. 4ª Ed. 2013.
Manoel Ataídes Pinheiro de Souza – CEAC, Guaraniaçu – PR manoelataides@gmail.com



