Causas anteriores das aflições

Existem males nesta vida cuja causa primária é o homem e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal como a perda de entes queridos. Tais, ainda, os acidentes que nenhuma previsão poderia impedir; os flagelos naturais; as enfermidades de nascença, que tiram de tantos os meios de ganhar a vida pelo trabalho: as deformidades, o retardo e outros.

Os que nascem nessas condições certamente nada hão feito na existência atual para merecer, tão triste sorte. Por que, pois, ao lado deles, outros são favorecidos de todos os modos? Que dizer das crianças que morrem em tenra idade e da vida só conheceram sofrimentos? Problemas esses que nenhuma filosofia pôde resolver, anomalias que nenhuma religião pôde justificar e que seriam a negação da bondade, da justiça e da providência de Deus.

Todavia, segundo o princípio de que todo efeito tem uma causa, tais misérias são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que se admita um Deus justo, essa causa também há de ser justa. Ora, se a causa não se encontra na vida atual, há de ser anterior a essa vida, isto é, há de estar numa existência passada.

Deus não poderia punir pelo mal que não fez, se somos punidos, é que fizemos o mal; se esse mal não o fizemos na presente vida, fizemos noutra. O homem, pois, nem sempre é punido na sua existência atual; mas não escapa nunca às consequências de suas faltas. A prosperidade do mau é apenas momentânea; se ele não expiar hoje, expiará amanhã.

Da obra O Evangelho Segundo Espiritismo, Ed. FEB. De Allan Kardec.