Amor semeado

Ela tinha oito anos. E o que mais desejava em sua vida era saber como era o rosto de sua mãe, que morrera quando ela viera à luz.
Um ano depois da sua morte, seu pai tornara a se casar e ordenara que todas as fotos da primeira esposa fossem queimadas.
Por isso, não adiantava Adeline pedir à tia que lhe mostrasse alguma fotografia do rosto da mãe. Não havia nenhuma.
Com os maus tratos da madrasta, bem mais jovem do que seu pai, a saudade da mãe querida foi aumentando e aumentando.
Então, a menina chinesa passou a tecer quadros mentais. Ela não sabia bem se tudo era produto da sua imaginação ou se quando sonhava, ia realmente para a casa de sua mãe.
Era uma terra encantada, em cima das nuvens. Tinha flores perfumadas, altos pinheiros, rochas bonitas, bambus que quase tocavam o céu e passarinhos que cantavam.
Ali, toda criança podia entrar sem bilhete, e as meninas eram tratadas do mesmo jeito que os meninos.
Ninguém era desprezado, nem castigado sem razão.
A casa ficava em um jardim cheio de árvores, flores, pedras e pequenas aves canoras.
Chamava-se paraíso.
Era para ali, que nos dias mais tristes, de maus tratos, desprezo e humilhações, a garota se dirigia.
Sua experiência nos recorda a do menino Francisco, que perdeu sua mãe aos cinco anos de idade.
Conduzido a uma casa estranha, conheceu muitas dificuldades para continuar vivendo. A senhora que o acolheu sofria de desequilíbrios e por coisa alguma, lhe batia severamente.
Seu consolo era ir para os fundos do quintal, chorar e chamar por sua mãe. A primeira vez em que a viu, pediu que o abençoasse, como estava habituado.
Triste, perguntou se fora mandada por Jesus, para buscá-lo.
Ela confirmou que vinha em nome de Jesus. No entanto, era preciso que ele, Francisco, como todos os seus irmãos, que estavam espalhados, em diversas casas, aguardassem um pouco.
Assim, dia após dia, espancado, choroso, ele ia para o quintal orar e falar com sua mãe.
Ela o acarinhava, lhe pedia para ter paciência porque Jesus mandaria um anjo para cuidar dele e dos irmãos.
O anjo se chamava Cidália, com quem seu pai se casou e que exigiu que os filhos do primeiro casamento retornassem ao lar.
Ela foi a mãe carinhosa para todos eles.
  *
Ambas as histórias, que são verídicas, nos remetem à Imortalidade do Espírito.
E nos sinalizam que, de onde se encontram, os que partiram prosseguem amando e velando pelos que ficaram na Terra.
Que doce esperança essa que nos acalenta a alma!
Sabendo, além do mais, que eles estão conosco. O que nos compete é ter a mente e o coração abertos para os poder perceber.
Estão ao nosso lado, quando a dor nos atormenta, quando a saudade nos maltrata.
E nos abraçam, nos confortam.
Por isso, em certos momentos, do nada suas lembranças acionam repentinamente nossas memórias.
Aqueles de nós que somos mais sensíveis, os podemos ver. Outros, lhes podemos sentir o abraço carinhoso, aconchegante.
Prosseguem a nos amar porque o amor não acaba nunca. Semente generosa, plantada, ramifica-se e frutifica em expressões de carinho e ternura, todos os dias.