Jesus e avareza

Retornando de Corazim, após atender as multidões esfaimadas, eis que se Lhe acerca um contendor, pede-Lhe que assuma posição de

Retornando de Corazim, após atender as multidões esfaimadas, eis que se Lhe acerca um contendor, pede-Lhe que assuma posição de juiz, e contranja-lhe o irmão a repartir a herança do genitor com ele.

                A figura impoluta do Mestre, que desdenhava as mesquinharias e misérias humanas, redargüiu ao aturdido interrogante:

                − Quem me fez de magistrado civil para tal questiúncula?

                As Suas eram as interveniências em favor do tesouro perene que não se gasta, ninguém rouba e não desperta as alucinações alienadoras.

                E porque se encontrava cercado pela ansiedade da massa curiosa e necessitada de  esclarecimentos, narrou a excelente parábola, na qual demonstrou como são secundários os bens terrestres.

                − Havia um homem poderoso – contou com suavidade – que, possuindo muitos haveres e celeiros, não podia controlar a desmedida ambição. Assim, raciocinou: “Se eu demolir os meus silos e construir outros maiores, poderei plantar mais, colher em abundância e aumentar a minha fortuna. Após amealhar ao máximo, direi à minha alma: agora repousa, dorme e sê feliz.” No entanto, naquela noite, Deus tomou-lhe a alma. Para que reuniu tantos recursos e moedas?

                Fazendo um breve silêncio, o Amigo Divino considerou: − A avareza é doença da alma que devora os alimentos da Vida.

                “Tóxico letal, envenena primeiro aquele que lhe padece a ingestão, e contamina quantos se lhe acercam, produzindo degenerescências e morte.

                “Inimiga da sociedade, fomenta a violência, que irrompe do coração lesado e estruge na economia da comunidade onde se expressa. Expande o seu miasma e produz desequilíbrios.

                “O avaro é alguém que enlouqueceu e ainda não se deu conta.”…

                − Não é avaro, porém, somente aquele que asfixia, em cofres e celeiros, moedas e grãos; os que entesouram gemas e alimentos, ante as necessidades gerais; as pessoas que acumulam com ambição desmedida. Mas também, todos quantos possuindo saúde, negam-se a repartir alegria e fraternidade.

                “A avareza igualmente se patenteia naqueles que possuem inteligência, e se escusam a ensinar os ignorantes; nos portadores de tendências artísticas que se omitem, negando beleza aos painéis entristecidos dos homens. “Há os avaros de amor, que se opõem a distribuir afeição, enclausurando-se na indiferença e na animosidade. “Ninguém é tão destituído de recursos que não possa espargir sementes de esperança, sorrisos de alento, dádivas de ternura, incentivos e solidariedade espiritual.”

                Perpassavam pela Natureza as vagas perfumadas do cair da tarde, enquanto as primeiras estrelas cintilavam no Alto, como respostas da generosidade de Deus para com as imensas necessidades humanas.

                Havia um enternecimento que reunia aquelas pessoas desconhecidas entre si, no entanto, unidas pela mesma ansiedade de encontrar a Verdade e a Vida, para retornarem ao ninho doméstico transformadas, restabelecidas.                 E como ainda ficassem nos corações algumas íntimas inquietações, o Senhor voltou à tônica e concluiu: − A avareza entorpece os sentimentos e a generosidade engrandece-os; a avareza amesquinha e a generosidade multiplica; a avareza mata e a generosidade dá vida.

                “Os tesouros de vida eterna, que a todos devem interessar, constituem, também, um desafio aos seus depositários que, felicitados, são convidados a dividi-los, tarefa sublime que os faz multiplicados.

                “Anunciai, pois, o reino dos céus e suas riquezas, e alegrai-vos ante a generosidade do Pai, que vos alcança e reparte as fortunas da luz do conhecimento que vos banha por dentro, anulando toda a sombra de que vos deveis libertar.” E porque se fizesse um grandiloqüente silêncio, a multidão começou a dispersar-se nutrida e amparada, enquanto o Mestre, reunindo os discípulos, disse-lhes com enternecedora alegria:

                − Vamos-nos daqui! E saiu, antevendo a humanidade do futuro, quando liberada do câncer da avareza.

Do Livro: TRIGO DE DEUS. Amélia Rodrigues (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada. 1ª Ed. – Salvador-BA. 1993.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]

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