O amor é colorido

Ela ficou órfã aos seis anos de idade. Jamais soube o que seria crescer sem família, porque a sua era

Ela ficou órfã aos seis anos de idade. Jamais soube o que seria crescer sem família, porque a sua era numerosa. Era a caçula de onze irmãos.

Ajudou a criar dezenas de sobrinhos, primos e até mesmo sobrinhas-netas, que faziam sua alegria.

Em determinada fase de sua vida, decidiu que teria a sua própria família. Sua opção foi o processo de adoção.

Precisou fazer um curso específico, atender a muitas normas mas, finalmente, conseguiu seu primeiro filho, um menino de apenas cinco dias de nascido.

No ano seguinte, duas irmãs precisavam de um lar e ela abriu o seu coração para ambas.

Arrumou uma casa maior e dedicou todo o seu amor àquelas três criaturas.

Por ela ser negra e as crianças brancas, muitas vezes recebeu críticas. Ou foi confundida como sendo a babá.

Sorrindo, ela respondia que eram os seus filhos.

Em entrevista, a norte-americana Treka Engleman afirma que não se considera mãe adotiva. Ela é, simplesmente, mãe.

E diz que o amor não tem cor.

Nós ousamos dizer que o amor é colorido. Tem cores de todos os matizes, porque, afinal, uma grande demonstração do amor de Deus para a Terra se chama arco-íris.

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Mulher mãe é um ser desprendido, capaz de emprestar seu corpo para a formação de outros corpos.

Traz em si o amor divino e recebe um novo ser em seus braços e em seu coração.

Se nos deparamos com mulheres impossibilitadas de ter filhos, e tantos filhos que ficaram sem mãe, é porque Deus entende que eles podem se encontrar e construir seus sonhos de amar e serem amados.

A cor da pele não constitui impedimento para a expressão dos elevados sentimentos e a vontade de se tornar protagonista num encontro desses.

Somos Espíritos imortais, vivendo na Terra para aprendermos mais, para progredirmos, para aprender a nos amar e nos ajudarmos, durante nossa caminhada.

Benditas sejam as mulheres que carregam nos braços, com imenso carinho, o filho de outras mães, impossibilitadas de acolhê-los, de estar com eles, por qualquer motivo.

Benditas sejam as que se permitem serem chamadas de mãe, por um filho que não geraram.

Benditas sejam aquelas que dedicam suas horas, seus dias a cuidar de uma criança órfã, incapaz física ou mentalmente.

Bendito seja o lar que amplia suas paredes emocionais e agasalha o pequeno ser que clama por afeto.

Benditas sejam todas as criaturas que, em se amando, conseguem amar o próximo sem olhar para a cor da sua pele, sexo, condições físicas, e transformam essa vida em um belo laço de afeição.

Somos Espíritos. Ora nos encontramos na Terra, ora no mundo espiritual.

Quando agasalhamos um corpo desconhecido, a alma que o anima pode ser a de um ente querido do ontem que, por vezes, retorna ao nosso aconchego, por essa via indireta.

Aprendamos a ampliar o nosso olhar e nossa compreensão para além dos limites da matéria, e seremos mais felizes.

O verdadeiro amor tem muitas cores e é simplesmente amor.

Pensemos nisso.