O Pagador de Promessas

O livro “O Pagador de Promessas” do romancista, contista e teatrólogo Dias Gomes (1922-1999) é uma peça teatral do gênero

O livro “O Pagador de Promessas” do romancista, contista e teatrólogo Dias Gomes (1922-1999) é uma peça teatral do gênero dramático. Para quem não é familiarizado com a leitura de obras escritas para o teatro, elas vêm estruturadas em atos e cenas inclusive com as indicações do autor para a representação conforme ele a idealizou. A narrativa se desenvolve  acerca do pagamento de uma promessa cuja graça foi alcançada por Zé do Burro (personagem principal). O burro de nome Nicolau acompanhava seu tutor a todo lugar onde ia. Zé considerava o animal como seu melhor amigo. Ocorre que uma tempestade de raios ao atingir uma árvore fez com que um galho caísse sobre o animal. Acometido de forte hemorragia, o animal começou a definhar apesar de todos os cuidados prestados pelo “doutor”. Para salvar seu amigo, Zé recorreu a curandeiros, mas, foi em um terreiro de candomblé em que diante da imagem de Iansã (orixá feminino correspondente a Santa Bárbara no rito católico) que ele fez a promessa de dividir em partes iguais seu sítio com algumas pessoas despossuídas de terra e carregar uma cruz tão pesada quanto a de Cristo até a Igreja de Santa Bárbara que distava sete léguas (46,2 km) e colocá-la no altar da referida igreja. Rosa, a matuta e sexy esposa de Zé do Burro o acompanha e eles chegam de madrugada e encontram a igreja ainda fechada. Pelo local passava um cafetão cuja alcunha é “Bonitão” que logo busca se inteirar do fato inusitado e se engraça com a atraente esposa de Zé do Burro. Rosa corresponde, talvez pela carência em um matrimônio no qual pouca atenção recebe.

            Após se inteirar da promessa de Zé do Burro, Bonitão se oferece para encontrar um hotel para eles descansarem, porém, Zé afirma que receia que a cruz seja roubada e Bonitão lhe diz que a região tem muito ladrão e que ele poderia levar Rosa para um hotel próximo para que ela então descansasse. Ardil que funcionou e dessa forma Bonitão e Rosa ficam juntos no hotel. Amanhece o dia de Santa Bárbara e logo pela manhã a Igreja é aberta e o sacristão conversa com Zé do Burro e fica sabendo das intenções deste. O padre Olavo conversa com Zé do Burro e o questiona sobre sua promessa, momento em que começa a confusão. A promessa feita em um terreiro de candomblé em frente a uma imagem de Iansã para ser paga em frente a um altar da igreja católica de Santa Bárbara em troca da salvação de um animal quadrúpede (um burro) não tem a aceitação do padre que se recusa a deixá-lo entrar na Igreja. Logo a cidade toda fica sabendo do fato, e com a confusão formada, muitos querem se aproveitar da situação. O comerciante busca fazer publicidade de seu estabelecimento junto ao burburinho e um jornal sensacionalista amplia o acontecimento dando ao mesmo significados totalmente distorcidos. Zé do Burro que apenas queria pagar sua promessa estampa a pagina principal do jornal ora como um revolucionário comunista que é contra a exploração do homem pelo homem, ora como um militante em favor da reforma agrária. Para a polícia passa a ser visto como um agitador social comunista que passa a vigiá-lo. O povo começa a ver nele um novo Cristo e pessoas vão até ele pedir a cura de suas doenças. O jornal continua a imprimir suas manchetes dando a ele novos tons: “místico ou agitador?” e a questionar o papel da Igreja na recusa de receber a cruz no altar embora não tenha nenhum interesse no desfecho do caso que lhe está possibilitando o aumento da publicidade em suas páginas e do incremento de vendas de exemplares.

            Preocupado com a dimensão que o caso tomou, o bispo vai até a paróquia para tentar resolver a situação. O bispo diz estar preocupado com a dimensão política que o caso tomou, pois, pode afetar a imagem da Igreja Católica. O padre Olavo afirma que somente viu pelo aspecto religioso no qual condenou o curandeirismo e o paganismo. O bispo tenta fazer com que Zé renuncie à sua promessa (sem sucesso). A obra denuncia a intolerância religiosa, a opressão do Estado por meio da polícia e divulga aspectos da cultura popular, os bailes, a prostituição e a ingenuidade das pessoas e, claro, a ação da imprensa sensacionalista cuja opinião é mais importante do que o fato em si. O final, obviamente, tem uma carga dramática espetacular que não revelarei aqui, apesar da ampla popularidade que alcançou. A peça foi retratada em duas versões cinematográficas e em uma minissérie pela TV Globo. Indico a versão cinematográfica de 1962 sob a direção de Anselmo Duarte e com Leonardo Villar no papel de Zé do Burro e Glória Menezes (então moça) no papel de Rosa, a qual apesar de ser em preto e branco é a melhor.

Sugestão de boa leitura:

Título: O Pagador de Promessas.

Autor: Dias Gomes.Editora: Nova Fronteira, 2010, 152 p

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