Piloto de guerra

Antoine Jean-Batiste Marie Roger Foscolombe (1900-1944), Conde de Saint-Exupéry, popularmente conhecido como Antoine de Saint-Exupéry, autor da mundialmente célebre obra

Antoine Jean-Batiste Marie Roger Foscolombe (1900-1944), Conde de Saint-Exupéry, popularmente conhecido como Antoine de Saint-Exupéry, autor da mundialmente célebre obra “O pequeno príncipe”, o terceiro livro mais vendido no mundo, atrás apenas da Bíblia Sagrada e do Al Corão. Saint-Exupéry foi escritor, ilustrador e piloto civil e militar francês. Desde jovem foi contaminado pelo fascínio às máquinas voadoras. Tendo sido reprovado em sua tentativa de ingressar no corpo de pilotos militares de seu país não desiste e aos 21 anos de idade já possuía o brevê de piloto civil e, no ano seguinte volta à carga e consegue também o brevê de piloto militar no posto de subtenente da reserva. Saint-Exupéry fez parte de um grupo de arrojados pilotos que por meio do correio aéreo trabalharam interligando regiões isoladas do planeta com pouca ou nenhuma infra-estrutura de apoio tendo sobrevivido a vários acidentes, porém, com sequelas.

            A eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e o avassalador avanço das tropas alemãs no palco europeu, levaram o já famoso piloto-escritor aos Estados Unidos da América na tentativa de convencer suas lideranças a reunirem forças, sem lograr êxito (os EUA titubearam muito a entrar no que diziam ser “a guerra dos europeus”). Com o avanço alemão sobre a França encurralando suas forças de resistência, Saint-Exupéry apresenta-se para voar caças contra os invasores, porém, devido às suas sequelas e a idade avançada (para pilotagem de caça) é descartado. Não desiste, e, ante sua insistência, autoridades militares lhe oferecem posições de comando afirmando que podem formar bons pilotos às centenas, porém, precisam de bons comandantes, Saint-Exupéry recusa a oferta, quer voar, e, após a análise de sua situação médica e de um rápido treinamento habilita-se a voar o P-38 Lightning, tornando-se o mais velho dentre os pilotos de sua divisão.

            A obra trata de um tema pesado (a guerra), no entanto, sua escrita a suaviza, porém, sem jamais a romantizar, afinal, o autor considerava a guerra como sendo uma doença da humanidade. Descreve algumas situações rotineiras de pilotos militares em seu ofício de guerra (a observação das posições inimigas, o receio do fogo anti-aéreo e do encontro com caças inimigos). Registra a angústia da espera ante o atraso da volta de uma missão e, o tempo, após o qual, as esperanças esvaneciam e a tristeza muda caía sobre todos, especialmente sobre o comandante que escalara os pilotos (desaparecidos/mortos) e lhes dera pessoalmente as instruções. Também registra o sofrimento das mulheres, crianças e velhos que não se envolviam diretamente na guerra, mas, que a sentiam profundamente com o medo, a fome e a exaustão emocional ante a incapacidade do Estado (ameaçado em sua existência) em conceder as condições para a sobrevivência digna da população. Na volta de suas missões, Saint-Exupéry refletia e escrevia sobre a vida e a morte, os motivos que tornam a vida digna de se viver e os motivos que justificam colocar-se sob o risco da morte, os quais são exatamente aqueles pelos quais se quer viver.

            Em 1944, na parte final da guerra, Saint-Exupéry que já havia perdido vários de seus amigos pilotos, não retorna após uma missão. As buscas na rota estabelecida não encontraram o local da queda. Em 1994, foi encontrado um bracelete com seu nome na praia e uma busca realizada na região encontrou os destroços do avião. Um piloto alemão declarou ter abatido um  avião P-38 Lightning francês naquele local e lamentou que o destino lhe colocasse frente ao famoso escritor naquelas condições. As críticas que teceu à forma como o esforço de resistência era conduzido rendeu a inimizade do General Charles De Gaulle que jamais reconheceu a importância do aviador, menos ainda do escritor Saint-Exupéry. Aliás, De Gaulle, quando presidente, homenageou companheiros de Saint-Exupéry (que deram a vida pela França), mas, não a este. Na obra, o autor critica a literatura vazia de significado, afinal, bom conteúdo é essencial e demonstra sua verve humanista e espiritual. Encerro parafraseando Saint-Exupéry em “O pequeno príncipe” dizendo que o piloto-escritor “levou um pouco de nós (sociedade humana) consigo e deixou (muito) de si conosco.”

Sugestão de boa leitura:

Título: Piloto de guerra.

Autor: Antoine de Saint-Exupéry.

Editora: Penguin Classics Companhia das Letras, 2015, 187 p.

Preço: R$19,57

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