Sob o regime da corruptocracia

O poeta, ator e dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616), é o mais importante escritor da língua inglesa e um dos

O poeta, ator e dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616), é o mais importante escritor da língua inglesa e um dos maiores da dramaturgia mundial. Em sua obra Hamlet, Shakespeare cunhou em bronze na história da literatura universal a frase: há algo de podre no Reino da Dinamarca. O dramaturgo se referia a traições e assassinatos que ocorriam na trama. Ficção a parte, a Dinamarca é considerada o país menos corrupto do mundo desde a primeira edição do ranking da percepção da corrupção criada pela Organização Não Governamental Transparência Internacional. E o que é a corrupção senão a maior das traições executadas por um indivíduo ou um grupo de pessoas em relação ao povo de seu país? E o que é a corrupção senão o assassinato de pessoas por conta do desvio de recursos financeiros que não chegam ao seu destino? O dinheiro que não chega ao estudante que tem seu futuro comprometido. Ou que não chega aos hospitais, postos de saúde e com isso compromete a saúde ou leva a óbito milhares de pessoas. O dinheiro desviado para fins espúrios mata os motoristas e pedestres pela falta de conservação das estradas e das obras públicas. O dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht, classificou acertadamente o político vigarista, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais como o pior de todos os bandidos.

O Reino da Dinamarca de Hamlet é o Brasil do golpe de estado que vivemos. Aqui, uma mídia de massa que por meio de concessões públicas explora o espectro eletromagnético pertencente ao povo brasileiro, porém, o trata como uma tropa de animais irracionais a serem adestrados. Há muito tempo, grandes grupos de comunicação esqueceram o que é o jornalismo sério. Que tenham sua ideologia é natural. Mas usar concessões públicas para doutrinar mentes e ditar o que é ou não a verdade, passa longe da intenção para a qual as concessões públicas foram concedidas. Apenas, agora, em maio de 2017, a Rede Globo descobriu que Michel Temer e Aécio Neves são exemplares da versão brasileira do político vigarista entre centenas de outros. No Congresso Nacional, três centenas de políticos vigaristas confortavelmente instalados em suas cadeiras estofadas num ambiente climatizado trabalham para retirar direitos trabalhistas e previdenciários da população. Eles contam com a memória curta do eleitor brasileiro, e têm certeza de que são eleitos pelo dinheiro que investem nas campanhas, e que comprarão os votos necessários às suas reeleições. E o pior, é que eles têm razão. Grandes grupos empresariais elegeram a maioria dos congressistas e não o fizeram porque apreciam a democracia, pelo contrário, a detestam, pois, um regime verdadeiramente democrático atrapalha os negócios, ou seria melhor dizer, a suruba, que os grandes capitalistas buscam junto aos cofres do tesouro nacional.

Há no seio do Poder Judiciário, agentes que de forma corrupta e indecorosa, utilizam o cargo para favorecer determinados partidos ou políticos, e, também prejudicar outros visando influir e desequilibrar a balança da política, que nos regimes democráticos, deve pender para onde a maioria de sua população, em sufrágios universais, julgar melhor. Traidores da nação são os agentes togados que em busca de fama e reconhecimento pessoal junto aos holofotes e câmeras de TV, não pautam suas ações em profunda observância ao Código de Ética da Magistratura Nacional, e não aplicam retamente o Direito Constitucional e Penal quando estes contrariam interesses de poderosos grupos políticos, empresariais, nacionais ou estrangeiros, e assim, aplicam o vergonhoso sistema de dois pesos e duas medidas. Não representa os anseios da nação, um Judiciário que condena severamente a pessoa pobre que rouba ovos de páscoa e peito de frango para ofertar aos filhos, mas, absolve a pessoa rica, culta, inteligente, e plenamente capaz de saber a origem ilícita da fortuna de seu cônjuge, da qual usufrui sem parcimônia. Traidores da nação são os hipócritas que fazem o discurso seletivo contra a corrupção. Que bateram panelas contra Dilma e o PT, mas, não batem panelas contra o PMDB de Temer e Jucá, ou o PSDB de Serra e Aloysio Nunes, ou ainda, o DEM de Rodrigo Maia e Mendonça Filho. Traidores da nação são aqueles que não se dão ao trabalho de informar-se sobre a política nacional e agindo como analfabetos políticos votam sob critérios esdrúxulos como: a beleza, a origem familiar (oligarquias), ou a riqueza, etc. ou a total falta de critérios e desconhecimento dos candidatos e de suas propostas, e, instalam no poder, os políticos vigaristas que nada mais são do que laranjas ou capitães do mato do grande capital nacional e estrangeiro, que na calada da noite, ou na luz do dia, legislam ou executam ações a fim de garantir aos maiores privilegiados da nação (a elite), o assalto aos cofres públicos, retirando a possibilidade mínima, e cada vez mais remota, de uma vida digna para o conjunto da população brasileira.