Tempos de ódio

Vivemos tempos de ódio. E isto me lembrou a lenda da batalha dos lobos a qual relato: Uma noite, um

Vivemos tempos de ódio. E isto me lembrou a lenda da batalha dos lobos a qual relato: Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas. Ele disse: A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau. É a raiva, a inveja, o ciúme, a tristeza, o desgosto, a cobiça, a arrogância, a pena de si mesmo, a culpa, o ressentimento, a inferioridade, as mentiras, o orgulho falso, a superioridade e o ego. O outro é Bom. É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé. O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: Qual lobo vence? O velho índio respondeu: Aquele que você alimenta! Nestes tempos de fundamentalismo neoliberal imposto pela elite financeira mundial (a parcela do 1% mais rico e que detém a metade da riqueza do planeta), a democracia se tornou um obstáculo para o avanço da acumulação capitalista e no ver desta elite convém eliminá-la. O pensamento único não admite contestação: a fé inquebrantável na infalibilidade do Deus Mercado. A história não é linear dizem os mestres. O Mercado prova isso ao avançar na contramão do desenvolvimento econômico e social, reconvertendo em colônias, países que pretensamente ousaram se julgar soberanos e mandando de volta para a senzala os trabalhadores que pensaram ser perenes seus direitos trabalhistas e sociais. Estavam enganados, e distraídos, não perceberam, apesar dos avisos que o inimigo viria na calada da noite e também no clarão do dia para roubar-lhes a dignidade. Simone de Beauvoir acertadamente afirmou: o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os oprimidos. Os algozes confiam o trabalho sujo aos cúmplices, e há muitos cúmplices, vários são conscientes disso, outros sequer suspeitam que agem em prejuízo próprio e de seus iguais na luta de classes. Ajuda também a bondade ingênua da parcela de Abel (is) que facilita o trabalho sujo da parcela de Caim (s) da sociedade.

O ódio na população, tal como o Lobo Mau que existe em cada um, pode ser alimentado e isso não constitui novidade. Os meios de comunicação que segundo Noam Chomsky visam muito mais a moldar a opinião pública do que a ela informar, disso há muito têm consciência. Joseph Goebells fez escola, ensinou a elite como utilizar a mídia para propagar o ódio com o intuito de dividir a sociedade para fazer prevalecer seus interesses escusos. A Alemanha Nazista ensinou a odiar os judeus, os ciganos, os negros, os deficientes físicos, os comunistas, os sindicalistas e tais ensinamentos continuam a ser divulgados seja de forma subliminar, quando não de forma escancarada. Há alguns dias li que as pessoas costumam acreditar que os amigos verdadeiros são aqueles que permanecem quando elas se encontram nos seus piores momentos. Porém, isso é um equívoco, pois, os verdadeiros amigos são aqueles que permanecem quando elas se encontram no auge do sucesso. Somente a amizade verdadeira suporta o sucesso do outro. Em nosso país, sempre houve desinformação e manipulação grosseira acerca do sindicalismo e do socialismo, mas, foi a ascensão ao poder de Lula e Dilma (ambos do PT), e principalmente o seu sucesso, que fizeram com que o ódio antes oculto reverberasse na sociedade. Contribuiu fortemente para isso, a falta de espírito democrático de Aécio Neves (PSDB) e seus correligionários que preferiram incendiar o país, a esperar 2018, ocasião em que democraticamente poderiam, talvez, conquistar o poder nas urnas.

O surreal é que grande parte dessa população se diz cristã, porém destila o ódio. Quando penso em Jesus, o vejo entre os trabalhadores sem-terras; entre os favelados; entre os sem tetos; entre os desempregados; entre os trabalhadores explorados; entre os pobres; entre os famintos; entre os injustiçados! Jesus era um revolucionário; Era um contestador do sistema injusto que encontrou na Terra e por isso foi condenado injustamente, torturado e morto! Hoje há muitos que se dizem cristãos, mas, que a julgar pelas suas atitudes também estariam entre os que pediriam e comemorariam a condenação de Jesus!